
Neste momento, em que se anuncia que Lula finalmente vai mandar a mensagem indicando Jorge Messias para o Supremo, é bom lembrarmos mais uma vez que o Senado tem sido responsável pela ida para o Supremo de gente sem notável saber jurídico e sem reputação ilibada. E também tem sido o responsável por não tirar ministros do Supremo quando aparecem evidências – evidência não é indício; evidência é aquilo que nem necessita ser demonstrado – de falta de reputação ilibada. Não vou nem falar de notável saber jurídico, porque isso ainda poderia ser discutível, mas o outro não é.
O Senado é responsável e, se o Senado não fizer as correções, está nas mãos dos eleitores fazer uma renovação imensa do Senado em outubro. Serão eleitor 54 senadores, dois terços da casa. É para resolvermos isso de uma forma ou de outra, porque é algo que precisa ser resolvido. O país não consegue mais andar nessa decadência moral de todas as formas.
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STF liberou juízes para julgar ações de escritórios de parentes, mas agora quer Código de Ética
O presidente do Supremo, Edson Fachin, informou que a ministra Cármen Lúcia está elaborando um anteprojeto de Código de Ética. Como é irônico isso! Não faz muito tempo, em agosto de 2023, o Supremo decidiu que é inconstitucional o inciso VIII do artigo 144 do Código de Processo Civil, segundo o qual o juiz não pode julgar processos em que as partes sejam clientes de escritórios de cônjuges, filhos, primos, sobrinhos ou parentes até terceiro grau do juiz. A origem do pedido foi uma ação direta de inconstitucionalidade movida pela Associação Brasileira de Magistrados. Os juízes não queriam essa limitação, e por quê? Porque queriam julgar as ações dos escritórios de seus parentes.
O placar no STF foi 7 a 4. O relator era Fachin – o mesmo que agora está querendo o Código de Ética –, e ele defendeu a manutenção da lei. Gilmar Mendes abriu a divergência, defendeu que a restrição era inconstitucional. Ele foi seguido por Dias Toffoli, Luiz Fux, Alexandre de Moraes, Nunes Marques, André Mendonça e Cristiano Zanin. Seguiram o relator – ficaram vencidos, portanto – Cármen Lúcia, Rosa Weber e Luís Roberto Barroso. Isso não é o enterro da ética, o enterro da moralidade exigida no artigo 37 da Constituição para todos os setores do serviço público?
E agora falam em Código de Ética... mas aquela já era uma exigência ética, moralizadora, derrubada por desejo da Associação de Magistrados Brasileiros e pela maioria do Supremo, legislando em causa própria. Pelo jeito não é só o Supremo que precisa de um Código de Ética, deveria ser para todo o Judiciário, porque pelo jeito a Lei Orgânica da Magistratura não está valendo muito. Vejam só em que estamos metidos... dá uma tristeza, porque eu vejo o que meu avô me ensinava sobre ética, e depois temos de ver isso aí.
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A empresa de fachada do diretor do BC que ajudava Daniel Vorcaro
A Polícia Federal descobriu que o Banco Master pagava a Belline Santana, que era chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central e está afastado. Santana criou uma empresa com capital de R$ 5 mil chamada Inspiração Projetos Educacionais, para dar educação financeira a crianças. O endereço da empresa é uma residência em São Paulo e o telefone da empresa é uma apenas uma sucessão de noves. Leonardo Palhares, que trabalhava para Daniel Vorcaro, teria pago R$ 500 mil duas vezes a Santana. Um outro diretor do BC também está afastado: Paulo Sérgio Neves de Souza, da área de Fiscalização.
Eu fico pensando como é que um banquinho como o Master conseguiu um rombo inédito, que não houve nem nas quebras de bancos grandes como o Bamerindus: foram R$ 50 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito. Pois conseguiu assim, comprando gente. E ainda abalou um banco estatal, o BRB, aqui da capital do país, que agora está apelando ao Banco Central; não apresentou o balanço trimestral, que deveria ter apresentado nesta terça, e parece que já não havia apresentado o do trimestre anterior também. O que se diz por aqui é que o BRB não vai ser atendido nem pelo FGC. É preciso responsabilizar quem inventou isso. O governador Ibaneis Rocha deixou o governo no sábado porque quer ser candidato ao Senado, mas vai ter de se explicar. Ele já foi convidado, mas não vai à CPI do Crime Organizado. Ele está, como dizemos no Rio Grande do Sul, num mato sem cachorro.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



