
Correria na CPMI do INSS, que investiga como 6,5 milhões de idosos foram roubados em R$ 6 bilhões por uma quadrilha para a qual prisão seria pouco. Pena que a correria ocorre porque tudo indica que a CPMI não será prorrogada. A maioria dos ministros do Supremo decidiu que o STF não pode impor uma prorrogação, que isso só pode ser feito se a maioria aprovar. E, como o que mais tem é gente querendo esconder e proteger (os governistas, por exemplo, querem proteger o Lulinha; outros que devem ter levado algo também querem esconder), a ordem é abafar tudo, contrariando o que diz a Constituição, que exige moralidade e publicidade no serviço público. Se o serviço é público, tem de ser público. E o público – você, eu, todo mundo – tem de ficar sabendo o que estão fazendo com o dinheiro dos nossos impostos.
Eu assisti à votação, cheia de ironias interessantes nos votos contrários a essa prorrogação. Os ministros dizem que os poderes são independentes, e que por isso eles não se podem meter no Legislativo. Mas não se metem o tempo todo? Um dia antes fizeram exatamente isso, legalizando penduricalhos. O ministro Flávio Dino chegou a dar um exemplo, dizendo que eles não podem exigir que o Executivo tenha um certo número de ministérios. Mas impedir que o presidente da República nomeie o diretor da Polícia Federal, isso pode? Porque já fizeram isso. Os ministros ainda disseram que não pode haver prorrogação indefinida. Mas sete anos de inquérito do fim do mundo, isso pode? O tamanho de um inquérito normal é de 60 dias, o das fake news está com sete anos. Disseram que é preciso seguir rigorosamente o devido processo legal. E por acaso ele foi seguido nos julgamentos do 8 de janeiro? Tem mais: falaram em “obedecer aos direitos fundamentais”. Foram obedecidos nas condenações coletivas, por atacado, em que nem sabiam o que a pessoa tinha feito? Tem manifestante condenado a 14 anos sem ninguém saber o que fez, sem uma única prova do que a pessoa fez.
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E agora? A CPMI pode votar um relatório apressadamente, ou encontrar maioria para prorrogar. O Supremo não impediu a prorrogação, só decidiu que não pode obrigar.
Carla Zambelli ainda tem mais duas chances de evitar extradição
Os jornais já estão noticiando até que Carla Zambelli agora vai ser presa, que vai voltar para cumprir pena na prisão feminina em Brasília. Calma lá! Ela ainda tem 15 dias para recorrer à Corte de Cassação e, depois disso, quem dá a palavra final é o Poder Executivo, o Ministério da Justiça do governo de Giorgia Meloni. A versão que apurei é que, se Meloni e o ministro da Justiça ficarem em silêncio, não haverá extradição. Eles precisam ordenar que Zambelli seja enviada de volta ao Brasil. Aconteceu aqui com Cesare Battisti: o Supremo autorizou a extradição, mas o governo do PT não deixou. Foi Temer quem assinou a extradição, pouco antes de começar o governo Bolsonaro, mas Battisti fugiu e foi capturado na Bolívia.
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Lula ensaia mais bondades para enganar o povo novamente
Lula está preocupadíssimo com as pesquisas. Viu Flávio Bolsonaro passar à frente dele nas simulações de segundo turno, e sua desaprovação está cada vez maior. Por isso, está inventando mais bondades, mais presentes em troca de votos. Nós criticamos Lula, mas ele é só a consequência. A causa são as pessoas que votam nele. Elas são a causa de não termos picanha, das promessas não cumpridas, de a corrupção e a bandidagem terem voltado com tudo. Os bandidos e os corruptos tinham medo de Bolsonaro; com Lula todo mundo já conhece, já sabe como é. Mas repito, a culpa não é de Lula. Lula é a consequência, e a causa são os que decidiram o voto.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos








