
O jornalista que recebeu informações sobre o ministro Flávio Dino, de que ele estaria usando veículo blindado do Tribunal de Justiça do Maranhão para ir à praia, teve seu sigilo da fonte quebrado. Mas isso é cláusula pétrea da Constituição, uma garantia fundamental – como outros direitos que também estão lá e já foram pisoteados pelo “guardião da Constituição”, que é o Supremo. Agora os ministros estão começando a discutir se deveriam garantir o sigilo da fonte previsto na Constituição para quem não tem diploma de jornalista. Isso que foi o próprio Supremo que derrubou a exigência do diploma em 2009. Eu proponho o seguinte: vamos respeitar a formalidade do diploma, então; se não tem diploma, não tem sigilo da fonte; mas, se não tem foro privilegiado, também não tem julgamento no Supremo, certo? Que tal?
Porque não é só o Silas Malafaia, que agora virou réu: quase todos os réus do 8 de janeiro e de vários outros inquéritos estão sendo ou foram julgados no STF, que não é o juiz natural. Essa é outra garantia da Constituição: ninguém pode ser condenado a não ser pelo juiz natural, e não haverá tribunal de exceção. Tudo isso é cláusula pétrea, que o Supremo não pode abolir porque não é constituinte. Nem mesmo o Congresso Nacional pode remover cláusula pétrea; para isso, é preciso haver uma nova assembleia constituinte, escolhida pelo povo, chancelada pela procuração dada por cada brasileiro que é fonte do poder, para escrever uma nova Constituição, e só então é possível mudar os direitos fundamentais que estão no atual artigo 5.ª. Mas nada disso importa para o STF, que já chegou ao cúmulo de dizer que o que está escrito na Constituição é inconstitucional, como no julgamento do marco temporal.
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Nunes Marques aparece em conversa de lobista amiga de Lulinha
Um outro ministro do Supremo – Kassio Nunes Marques, que agora também é o presidente do TSE – apareceu nas conversas da lobista Roberta Luchsinger, ex-mulher do delegado Protógenes Queiroz, filha de um ex-acionista de banco suíço, que disse para Lulinha que “o nosso futuro é na Suíça”. Lulinha já está respondendo a três inquéritos; Lula diz que ele vai responder e que, “se você é inocente, vá à luta; se é culpado, contrate um advogado”. O advogado ele já contratou: é um do grupo Prerrogativas, até; então, pelo que Lula disse, liguem aí os pontos.
Roberta falou de um outro advogado: Otto Medeiros, que estaria participando da venda de um contrato de cannabis para o Ministério da Saúde, envolvendo também Swedenberger Barbosa, conhecido como “Berg”, que era chefe de gabinete no Ministério da Saúde e depois foi para o Palácio do Planalto. Segundo a lobista, esse advogado era muito influente porque era sócio de Nunes Marques. Tanto o advogado quanto Nunes Marques desmentiram: não são sócios, mas são bons amigos; e o ministro chegou a dizer que, por causa disso, tem se declarado impedido nas ações em que Medeiros representa alguma das partes.
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Mas ainda falta esclarecer o papel do Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula. Marcola é aquele que teve R$ 249 mil em contas pagas por Roberta Luchsinger, e que chegou a vender, ou penhorar, umas joias para Roberta. Em posse dele, foi encontrada uma minuta de um contrato para vender cannabis ao governo, pelo Ministério da Saúde – a venda acabou não sendo concluída. Essa história toda é um rolo enorme, e muito mais deve vir à tona, com mais transparência; afinal são três inquéritos envolvendo o Lulinha. Todos eles por tráfico de influência, porque ele é o “filho do rapaz”, como está lá em uma das frases do “careca do INSS”: ele transferiu R$ 1,5 milhão para Roberta, mas parece que R$ 1,1 milhão era para o “filho do rapaz”.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



