
Esta quinta-feira é um dia importante no Tribunal Superior Eleitoral. A corte vai decidir se a eleição para governador do Rio de Janeiro já acabou, se Douglas Ruas está eleito, ou se haverá segundo turno entre ele e Eduardo Paes. Por quê? Porque Anthony Garotinho participou da eleição, estando sub júdice, mas desistiu dessa ação. Os votos dados a ele devem ser anulados por recomendação da Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) – se não for por desistência, será por perda da possibilidade de recorrer. Mas, se isso acontecer, Ruas consegue mais de 50% dos votos válidos. O tribunal, então, vai decidir o que fazer com esses votos, e se haverá segundo turno ou não. Há muito dinheiro envolvido, porque essas campanhas não são gratuitas – e nós é que pagamos, não são os filiados nem os simpatizantes dos partidos. O fundo eleitoral é formado por dinheiro nosso, dos pagadores de impostos, que sustentamos até os partidos com os quais não concordamos.
Também está na pauta do TSE o processo kafkiano de que tem sido vítima Deltan Dallagnol. Ele foi procurador da Lava Jato e é alvo de uma vingança – tanto ele quanto Sergio Moro, que é senador e agora foi eleito governador do Paraná. Uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) confirmou a legalidade do registro da candidatura de Dallagnol, que teve quase 3 milhões de votos e foi eleito senador; mas seus adversários alegam que ele é ficha-suja porque pediu demissão do Ministério Público para não ser punido. Como assim? Houve julgamento, decisão, sentença, punição administrativa? Não houve; nem processo disciplinar chegou a ser aberto, entre outros motivos porque ele já nem estava mais lá. Isso é diferente do caso de Fernando Collor, que renunciou bem no momento em que estava sendo impedido de continuar governando. Eu não sei que resultado terá esse processo de Dallagnol, porque às vezes vemos surpresas que saem das togas.
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A caça aos culpados pelo resultado ruim do PT continua: agora, Janja está na mira
Eu comentei aqui com vocês aquele ditado mineiro: “casa em que falta pão, todo mundo briga e ninguém tem razão”. Primeiro, os petistas tentaram culpar Sidônio Palmeira pelo desastre da campanha de Lula no primeiro turno; agora, a ex-senadora e ex-ministra Kátia Abreu, que fez campanha para Lula em Tocantins, postou: “menos Janja e mais Alckmin”. Janja acabou de gravar uma série de fake news, dizendo que Flávio Bolsonaro iria retirar direitos das mulheres, sem comprovar nada. Ela, que é socióloga, deveria saber que é preciso mostrar o que se diz. A briga interna está aí; está faltando pão na campanha de Lula.
“The Economist” diz que o PT acabou
A Economist, revista inglesa muito lida no mundo inteiro, diz que o PT acabou, que o Brasil agora é um país de direita, e que isso vai ser muito benéfico para a economia e os investimentos. A Economist não pode ser considerada bolsonarista, muito pelo contrário: já criticou muito Jair Bolsonaro e vinha criticando Flávio Bolsonaro, mas agora parece perceber uma nova realidade, que é o que vai acontecer nessas próximas duas semanas e pouco, até sermos chamados novamente às urnas. E eu espero que todos compareçamos, porque 33 milhões de brasileiros não foram. Que indiferença é essa, deixar que os outros decidam por 33 milhões? E se houver uma decisão errada? Todos os brasileiros, mesmo os eleitores que não votaram, sofrerão as mesmas consequências.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



