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Antonio Cabrera

Antonio Cabrera

Atentado

25 anos do 11 de setembro: as vítimas que faziam o comércio no mundo funcionar

Comerciantes pacíficos eram a maior parte das vítimas do atentado ocorrido em 11 de setembro de 2001. (Foto: Imagem produzida por ChatGPT/Gazeta do Povo)

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Neste dia, quero prestar um tributo ao comércio — e a quem realmente foi atacado em 11 de setembro de 2001, que amanhã completará 25 anos.

A imagem das Torres Gêmeas desmoronando parece resumir dois pontos que hoje já quase ninguém lembra: a contribuição extraordinária que o comércio deu à civilização e o quanto ele segue vulnerável diante de quem o odeia.

As torres eram gloriosas, sobretudo por um motivo que passa despercebido: não foram erguidas para ostentar a glória de nenhum Estado. Foram erguidas para exibir o poder criativo da economia capitalista.

Muito mais importante do que a estrutura de aço e vidro era tudo o que acontecia dentro delas: empreendedorismo, criatividade, troca, comércio, serviço — sempre de maneira pacífica, sempre para benefício de gente que nunca soube o nome de quem trabalhava ali.

Que tipo de serviço? No World Trade Center havia corretores, seguradores, varejistas, financiadores, advogados, representantes comerciais, arquitetos — gente cuja contribuição diária é absolutamente essencial para o bem-estar de quem vive numa economia de mercado.

A maioria dos mortos daquele dia continuará anônima para sempre. Conhecêssemos seus nomes ou não, o fato não muda: foram, indiscutivelmente, benfeitores nossos. Numa sociedade comercial, as ações do empreendedor beneficiam a todos, não importa onde estejam, e da maneira mais imperceptível que se possa imaginar.

Pense em particular nas pessoas daquele prédio que trabalhavam para viabilizar o comércio internacional. Faziam, todo dia, o que parece impossível: lidando com um mundo de mais de duzentos países, centenas de línguas e dialetos, dezenas de moedas, regimes de governo incompatíveis entre si, milhares de diferenças culturais locais e bilhões de consumidores, sempre encontravam um jeito de fazer o comércio pacífico acontecer.

O produtor rural brasileiro deveria entender isso melhor do que ninguém. O corretor de commodities que fechava contrato futuro num escritório do WTC, o segurador que dava garantia para um carregamento, o financiador que abria linha de crédito para exportação — todos esses anônimos tornavam possível que um cafeicultor de Minas, um produtor de couro na África ou um comprador de soja na China fizessem negócio direto, sem nunca se conhecerem, sem falar a mesma língua, sem usar a mesma moeda. O grão que sai da lavoura e vira dólar na conta do produtor passa, em algum ponto invisível do caminho, pelas mãos de gente exatamente como aquela que morreu ali. Em suma, essas pessoas eram produtoras — só que de ponte, não de grão.

A cultura popular trata esses “centros financeiros” como fonte de ganância e corrupção. Vemos isso no jovem desinformado e manipulado que protesta contra a globalização e o livre comércio. Vemos isso, mais perto de casa, no nosso próprio STF, que tem destruído sistematicamente o direito de propriedade neste país — a mesma propriedade que sustenta a fazenda, o contrato de arrendamento, o financiamento agrícola. É preconceito antigo: desde a Antiguidade, o comerciante e sua atividade são tratados como algo desprezível, e o produtor rural, como o mero fornecedor bruto de uma cadeia que “gente da cidade” é quem realmente comanda.

Temos uma dívida com quem pereceu no WTC: enxergar sob nova luz a contribuição que eles, e toda a sua classe — a mesma classe de traders, financiadores e seguradores que hoje viabiliza cada saco de café e cada tonelada de soja que sai do Brasil — deram à sociedade.

Como escreveu Mises: cada um carrega nos ombros uma parte da sociedade, e ninguém se livra da própria responsabilidade jogando-a nos outros. Nenhum indivíduo encontrará saída segura se a sociedade em que vive estiver se encaminhando para a destruição.

Por isso, cada um, no seu próprio interesse, deve se lançar vigorosamente nesta batalha intelectual. Ninguém tem o luxo de ficar indiferente e impávido — os interesses de todos dependem do resultado.

Queira ou não, cada homem faz parte dessa grande batalha histórica, essa batalha decisiva para a qual os eventos atuais nos empurraram.

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