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Antonio Cabrera

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Agronegócio

Os erros do governo Lula que fizeram o Brasil perder o mercado de carnes europeu

Bloco deixou Brasil de fora por não ter garantia de cumprimento de padrões sanitários.
Bloco deixou Brasil de fora por não ter garantia de cumprimento de padrões sanitários. (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

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Você já deve ter lido que a União Europeia anunciou a exclusão do Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e produtos de origem animal ao bloco a partir de 3 de setembro de 2026, alegando falta de garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na pecuária. A medida abrange carnes, ovos, mel, pescado e outros produtos de origem animal.

A pergunta do dia é: como pode um país que é o maior exportador mundial de proteína animal ser atingido por uma barreira sanitária desse tamanho?

A resposta mais simples para essa pancada regulatória é a incompetência do governo federal.

Ora, todos sabemos que a Europa, ao contrário do governo de plantão, protege os seus agricultores ferozmente. Também sabíamos que, depois da assinatura do acordo, os europeus seriam cada vez mais exigentes, inclusive quanto aos protocolos sanitários já firmados com o Brasil.

Era certo que a questão dos antimicrobianos seria o próximo alvo, mas, mesmo sabendo disso, o governo fez uma diplomacia de palco, sem realizar a verdadeira diplomacia de defesa do produtor e da nossa proteína animal.

Isso não foi surpresa alguma, como o governo alegou. Na verdade, um governo sério não reage apenas após o embargo, afirmando que buscaria uma explicação. A explicação já estava dada, e nós já deveríamos ter respondido com documentação, rastreabilidade, auditoria, transparência, comprovação de controles, negociação técnica e pressão diplomática.

A resposta mais simples para essa pancada regulatória é a incompetência do governo federal

O próprio presidente, com declarações como a de que “o agro usa muito agrotóxico”, e vários de seus ministros, com a narrativa do “ogronegócio”, alimentam no exterior a ideia de que o agro nacional é um problema ambiental, sanitário ou social, abrindo espaço para que os compradores usem essa narrativa contra o país.

Diante desse erro colossal do governo federal, é preciso olhar para o futuro e conhecer melhor os adversários do nosso agro em Bruxelas, para nos prepararmos para essa batalha, que será incessante contra a nossa proteína. Vamos revisitar um pouco da história.

Esse posicionamento protecionista da Europa começou, em grande parte, com a criação intensiva de frangos no período posterior à Segunda Guerra Mundial e as consequentes reduções de preços. O frango, antes sinônimo de luxo internacionalmente, tornou-se um alimento básico nos EUA. Antes do início dos anos 1960, o frango era proibitivamente caro na Europa. Com as importações de frango barato dos EUA, os preços caíram rápida e drasticamente em todo o continente, afetando radicalmente o consumo europeu.

Em 1961, o consumo per capita de frango aumentou 23% na Alemanha Ocidental. O frango dos EUA capturou quase metade do mercado europeu de frango importado. Tudo isso levou, entre 1961 e 1964, a uma rodada de tensões e negociações em torno da questão, que ficou conhecida como a “Guerra do Frango”, ocorrida no auge da Guerra Fria.

A verdade é que a diplomacia falhou após 18 meses e, em 4 de dezembro de 1963, o presidente Lyndon B. Johnson impôs um imposto de 25% — quase dez vezes a tarifa média dos EUA —, por ordem executiva, sobre fécula de batata, dextrina, conhaque e caminhões leves, a partir de 7 de janeiro de 1964, em resposta às tarifas impostas pela França e pela Alemanha Ocidental sobre a importação de frango.

Posteriormente, as tarifas sobre fécula de batata, dextrina e conhaque foram suspensas, mas, desde 1964, essa forma de protecionismo permaneceu em vigor para dar às montadoras domésticas dos EUA uma vantagem sobre os concorrentes importados.

Em 1964, as importações americanas de “caminhões automotivos” da Alemanha Ocidental caíram para US$ 5,7 milhões — cerca de um terço do valor importado no ano anterior. Logo depois, vans de carga e picapes da Volkswagen, os alvos pretendidos, praticamente desapareceram do mercado americano.

Konrad Adenauer, então chanceler da Alemanha, relatou posteriormente que o presidente John F. Kennedy e ele trocaram muita correspondência durante um período de dois anos sobre Berlim, Laos, a invasão da Baía dos Porcos e, segundo ele, “acho que cerca de metade disso foi sobre galinhas”.

O resultado disso tudo: a Europa não melhorou sua agricultura, os alimentos encareceram e ainda perdeu o mercado de caminhões leves nos EUA.

Essa é a grande lição do protecionismo europeu que o frango brasileiro — um produto que superou o americano em eficiência — deve sempre levar em conta.

Quanto ao nosso governo, infelizmente, nossos dirigentes não se importam com a história e estão repetindo erros antigos.

O veto europeu à carne brasileira mostra que o Brasil não tem apenas um problema externo com Bruxelas.

Tem um problema interno com Brasília — e esse é bem mais sério e precisa ser resolvido o mais rápido possível.

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