i

O Sua Leitura indica o quanto você está informado sobre um determinado assunto de acordo com a profundidade e contextualização dos conteúdos que você lê. Nosso time de editores credita 20, 40, 60, 80 ou 100 pontos a cada conteúdo – aqueles que mais ajudam na compreensão do momento do país recebem mais pontos. Ao longo do tempo, essa pontuação vai sendo reduzida, já que conteúdos mais novos tendem a ser também mais relevantes na compreensão do noticiário. Assim, a sua pontuação nesse sistema é dinâmica: aumenta quando você lê e diminui quando você deixa de se informar. Neste momento a pontuação está sendo feita somente em conteúdos relacionados ao governo federal.

Fechar
A matéria que você está lendo agora+0
Informação faz parte do exercício da cidadania. Aqui você vê quanto está bem informado sobre o que acontece no governo federal.
Que tal saber mais sobre esse assunto?

Blog da Vida

Ver perfil

Não, o papa não tornou o aborto um pecado “menos grave”

  • PorJônatas Dias Lima
  • 01/09/2015 13:29
Papa atende confissões na Jornada Mundial da Juventude de 2013, no Rio de Janeiro (crédito: L'Oservatore Romano/Reuters)
Papa atende confissões na Jornada Mundial da Juventude de 2013, no Rio de Janeiro (crédito: L'Oservatore Romano/Reuters)| Foto:
Papa atende confissões na Jornada Mundial da Juventude de 2013, no Rio de Janeiro (crédito: L'Oservatore Romano/Reuters)

Papa atende confissões na Jornada Mundial da Juventude de 2013, no Rio de Janeiro (crédito: L’Oservatore Romano/Reuters)

O papa Francisco fará o aborto deixar de ser um pecado tão grave. Agora é só pedir desculpas depois de ter assassinado o próprio filho que está tudo bem. Mesmo que o arrependimento seja só da boca pra fora.

O parágrafo acima é um escândalo, uma tolice e, logicamente, uma mentira. Mas é o que se entende ao ler o texto de alguns sites noticiosos (em especial os títulos) ao mencionarem a uma das medidas do pontífice para o Ano Santo da Misericórdia. Ocorre que o papa vai permitir que padres perdoem mulheres arrependidas de abortar, ato que, segundo o Direito Canônico, só era lícito aos bispos.

Essa limitação não é nenhum tipo de punição extra a quem cometeu o pecado, mas uma consequência do fato de que alguns pecados graves levam o pecador à excomunhão automática, ou seja, a pessoa deixa de fazer parte da Igreja, espiritualmente, sem que haja a necessidade de um processo canônico, um decreto ou qualquer ato de qualquer autoridade. É uma lógica bastante distinta daquela usada na legislação civil, já que trata de uma realidade sobrenatural, que é o pecado.

Como só um bispo pode incluir o pecador novamente na comunhão eclesial (colocar a pessoa de volta na Igreja, legitimamente), a confissão desse pecado só é válida quando feita a um bispo. Só que tudo isso, como o leitor pode notar, são procedimentos legais, disciplinares. Não se trata de doutrina, então um papa tem autoridade para mudar. A grande novidade da notícia, então, é uma “mudança de instância”. Antes só um bispo podia dar absolvição validamente para esse tipo de pecado. Agora, por um certo período (de 8 de dezembro deste ano e 26 de novembro de 2016), a absolvição dos padres também vale.

É só isso. Não há revolução nenhuma. Trata-se de uma formalidade canônica.

Em 2011, Bento XVI tomou a mesma medida que que Francisco (crédito: News.va)

Em 2011, Bento XVI tomou a mesma medida que que Francisco (crédito: News.va)

Aos que insistem em grudar no papa Francisco o rótulo de revolucionário ou de esquerdista simpático ao abortismo, trago dois pequenos baldinhos de água fria. O primeiro é o fato de que o papa Bento XVI (ele mesmo, tido como “ultraconservador” por alguns colegas desonestos ou preguiçosos da imprensa) fez a mesmíssima coisa – autorizar padres a perdoar pecado de aborto – em 2011, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude de 2011, em Madri. Não há ineditismo nenhum nesse ato.

O outro dado que vai aquietar a empolgação de quem torce por um papa comunista é a concessão do papa, por ocasião do mesmo Ano Santo da Misericórdia, de tornar válida a confissão atendida por padres da Fraternidade São Pio X, grupo de sacerdotes que não reconhece a validade do Concílio Vaticano II e que não estão em plena comunhão com a Santa Sé. Em alguns meios os sacerdotes desse grupo são chamados de tradicionalistas e têm fama de serem direitistas extremos. Mesmo com esse currículo, Francisco faz o que será visto como um inesperado ato de generosidade.

***

Curta a página do Blog da Vida no Facebook.

Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]

Receba Nossas Notícias

Receba nossas newsletters

Ao se cadastrar em nossas newsletters, você concorda com os nossos Termos de Uso.

Receba nossas notícias no celular

WhatsApp: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.

Comentários [ 0 ]

Máximo 700 caracteres [0]

O conteúdo do comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Consulte a nossa página de Dúvidas Frequentes e Termos de Uso.