Rainha[(s)] – Duas Atrizes em Busca de um Coração é uma peça que impressiona sobretudo pela intensidade das intérpretes, Isabel Teixeira e Georgette Fadel. A primeira venceu o Prêmio Shell, o que talvez se explique por sua habilidade em ir do registro casual, espontâneo, ao propriamente dramático e trágico, convencendo nos dois extremos.
A peça segue uma linha contemporânea, autorreferencial, de desconstrução do texto clássico, acrescentando camadas atuais, assim como nos mostrou a própria Isabel, em companhia de integrantes da Cia. dos Atores, no Teatro da Caixa, em Gaivota – Tema para um Conto Curto.
Quem entra em cena, dessa vez no Teatro do Paiol, são as próprias atrizes (ou suas “personas” públicas), simulando uma situação em que se apresentariam diante da plateia antes de iniciar o espetáculo. O palco se torna seus camarins, para mais tarde se transformar também no local de embate entre Maria Stuart, rainha da Escócia e da França, e Elizabeth, da Inglaterra.
O labirinto desenhado no chão representa as tramas intrincadas no jogo de poder entre as duas soberanas, ao mesmo tempo que reflete a estrutura dramatúrgica. Atrizes e personagens vêm e vão, avançam e recuam, ora discutindo a vaidade, o poder e a fragilidade no âmbito das relações cotidianas contemporâneas, ora no reino das duas figuras históricas verídicas, mas que só se encontraram de fato na literatura de Friedrich Schiller.
Georgette, Isabel e a diretora Cibele Forjaz, as três mulheres envolvidas no projeto (que conta com um homem ao piano, garantindo belíssima música em cena, cantada pelas atrizes), falam, enfim, de mulheres. “Mulheres-bomba”, pressionadas pela profusão de cobranças que as atinge nos territórios público e privado. Prestes a explodir. Fracas e fortes.
E envolvem o público na disputa entre as personagens, fazendo-o escolher seus destinos. Embora nem sempre haja escolha.
*Última apresentação hoje, às 21 horas, no Teatro do Paiol.







