
E lá estou eu. Na cabine do VU. Sou o DJ do bar que fica na Manoel Ribas, nas Mercês. A casa está cheia. Ou, com mais precisão: o porão está lotado. Ligo “Teu Inglês”, da banda Fellini. Os 176 presentes no local olham para a cabine de som. A música, de não mais de três minutos, acaba. Ligo, então, “Cena Beatnik”, do Nei Lisboa. Vejo um movimento, que depois saberei o que é: duas dúzias de clientes foram embora. A linda canção do Nei Lisboa acaba e ligo “Jacu”, do Troy. Faço uma sequência de canções que ouço em casa. Músicas do Yahoo, dos Engenheiros do Hawaii, do Terminal Guadalupe, da Banda Gentileza. Depois, ainda, músicas do Bach e do Octávio Camargo (Nanoépicos). Quando termino a sessão, o bar está vazio. Só o dono, que chega até onde estou e apresenta uma fatura. É uma conta de uns R$ 3 mil. Referente ao prejuízo da noite. Que eu terei de pagar porque optei pelo meu repertório, o que afugentou todo mundo (que estava no VU).
O que você leu no parágrafo anterior diz respeito a um sonho que se repete comigo há algum tempo. Venho sonhando que sou o DJ do VU e que só coloco canções e músicas que eu gosto. Depois de cada performance, sou obrigado a pagar uma conta, que é o prejuízo, pela fuga em massa dos clientes.

Vampire Weekend: músicas da banda estão no setlist de amanhã.
Conheço um dos sócios do bar, o Marcio Reinecken, e já contei para ele esse sonho. Ele até falou que eu poderia fazer uma experiência real por lá, mas não; vou esperar mais um pouco.
Amanhã, dia 7, quinta-feira, o Cristiano Castilho, colega aqui do Caderno G, será o DJ no VU, que fica na Avenida Manoel Ribas, 146. A partir das 21h, o Cristiano executará um repertório de canções bacanas. Antes, porém, demarcará território fazendo soar “O Guarani”, ópera de Carlos Gomes, o mesmo som que dá início ao radiofônico programa “A Voz do Brasil”.
Outro sonho que tenho é que sou o apresentador de um programa de rádio, e só coloco no ar as canções que ouço em casa.
Mas, amanhã ainda, o Cristiano vai fazer o público do VU dançar com o rock mundialista do Vampire Weekend, o jazz bem-humorado de Louis Prima e até com as guitarras barulhentas de Ride.
Eu não vou, porque tenho de cuidar de meu filho Vitor, de 1 ano e 3 meses. Mas se pudesse eu iria. Mesmo. Além do Cristiano, o Luiz Moura, carioca radicado em Curitiba, também fará o que um dia já chamaram de discotecagem. O ingresso custa R$ 2.







