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Referências com a atualidade atraem público a “Calígula”

Divulgação/João Caldas
Thiago Lacerda em “Calígula”

Por Angela Antunes

“Só o poder pode abrir caminho para o impossível”. É assim que o tirano imperador romano Calígula descreve o início de sua trajetória logo nos primeiros minutos na peça homônima, que fez sua última apresentação no Teatro Guaíra nesta sexta-feira (20) como parte da programação da Mostra Contemporânea do Festival de Curitiba. Com a casa cheia, o público constatou algumas referências com a atualidade, especialmente no ramo político, que transferem o texto original de Albert Camus, escrito em 1942, para a realidade atual.

São estes pontos que conseguem gerar gargalhadas, mesmo que tímidas, em meio ao denso texto de Calígula. “Senador não se transforma em trabalhador nem depois de 20 anos”, brincou o imperador. Percebe-se também um pouco da personagem Flora na interpretação de Thiago Lacerda, da novela A Favorita da Rede Globo. “Quero ver todo mundo rindo junto”, exige o imperador ao contar uma “piada”.

Em meio ao desespero existencial, o personagem de Calígula encarna o mal, até perder todos a sua volta e morrer assassinado. Na releitura feita por Gabriel Villela, a maldade fica marcada nas entrelinhas. Não há cenas extremamente chocantes, não há nu. O que agride são as palavras ditas em frente à plateia – ou juízes, como descrito na peça -, em uma interação contínua com o público, que muitas vezes se vê com as luzes acesas, cara a cara com o elenco, com o objetivo de julgar o que é feito no palco.

João Caldas/Divulgação

A peça mantém a linguagem clássica, e não tenta ser coloquial. Traduz a sexualidade para o texto, e por isso não conta com cenas fortes como Calígula de Tinto Brass, filme de 1979.

Na trama, a insanidade de Calígula começa com a morte de sua irmã, e também amante, Drusilla. Ele fica transtornado e começa sua ambição pelo poder e dinheiro. Com seu discurso ambíguo, consegue manter alguns de seus seguidores, mesmo ao causar a eles a mesma dor da morte que ele tem por conta da perda de Drusilla.

O texto é denso e de difícil compreensão, porém são frases chaves que conseguem manter a atenção do público que saiu satisfeito do Teatro Guaíra. O texto é de 1942, mas a conclusão de Calígula é totalmente atual: “o que faz as pessoas refletirem é a total falta de segurança”, concluiu Thiago Lacerda.

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