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Cristiano Ronaldo e Kléberson chegaram a Manchester no mesmo dia. Quem era a estrela?
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Cristiano Ronaldo finalmente levou para o seu museu particular o segundo troféu de melhor do mundo. Uma conquista justíssima por tudo que o português fez — e Messi não conseguiu fazer — ano passado e que poderia perfeitamente ter vindo 12 meses atrás. Uma trajetória que começou em Portugal, mas teve um impulso determinante a partir de 13 de agosto de 2003.

 

Naquele dia, Cristiano Ronaldo foi apresentado pelo Manchester United. Não apenas ele, mas também Kléberson, pentacampeão mundial com a seleção brasileira contratado junto ao Atlético. Por aqui, alimentou-se a ideia (e eu admito ter escrito textos nesta linha) de que era Kléberson, não Cristiano Ronaldo, a verdadeira estrela daquela apresentação.

 

A ideia faz certo sentido, especialmente no Brasil. Kléberson tinha sido muito importante na conquista da Copa de 2002. Sua entrada, durante a partida contra a Bélgica, nas oitavas de final, deu equilíbrio à seleção brasileira, algo que o próprio Alex Ferguson destacou na apresentação do jogador. Somente os extraterrestres Ronaldo e Rivaldo foram mais importantes do que o Xaropinho para o penta. Além disso, Cristiano Ronaldo era um nome familiar no Brasil apenas para quem acompanhava com muita atenção o futebol internacional — algo corriqueiro hoje, mas não tão comum em 2003.

 

Uma revisão em declarações, na forma como as negociações se desenrolaram e na cobertura feita pela imprensa inglesa na época mostram que Cristiano Ronaldo era em que Ferguson apostava mais desde o início, mesmo chamando ambos de “fantásticos jogadores”. E que mesmo sendo campeão mundial e alguém que o Manchester esperava ver vestindo sua camisa por muitos anos, Kléberson não era a estrela daquela apresentação em Old Trafford.

 

Preço e concorrência maiores

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Kléberson, Ferguson e Cristiano Ronaldo: o desembarque de “dois fantásticos jogadores” em Old Trafford. (Foto: Darren Staples/ Reuters)

Cristiano Ronaldo tinha 18 anos e uma temporada no futebol português. Kléberson era mais “velho” (23 para 24 anos), um título brasileiro no currículo e havia sido campeão mundial como titular em três jogos. O United desembolsou 12,2 milhões de libras por Ronaldo, o dobro do gasto com o Xaropinho — 6 milhões de libras. Obviamente a posição (atacante e meio-campista) pesa no desequilíbrio, bem como o fato de Kléberson ter saído de um clube do Brasil, não da Europa. Mas a disparidade indica que o United previa um futuro mais luminoso para Ronaldo. A concorrência pesada também ajudou a inflacionar o preço do português. Chelsea e Real Madrid disputaram Cristiano Ronaldo com os Diabos Vermelhos. No caso de Kleberson, o concorrente mais forte era o Leeds United. Ainda assim, é preciso destacar o feito do Atlético: nenhum outro jogador foi vendido por um clube paranaense diretamente para um gigante mundial como o Manchester United.

 

O peso da camisa 7

A camisa 7 é uma instituição em Old Trafford. Foi o número por mais de uma década de George Best, um dos maiores ídolos da história do clube. Na era Alex Ferguson, vestiu Bryan Robson, Eric Cantona e David Beckham. E foi o número recebido por Cristiano Ronaldo logo na chegada, não por acaso: “Uma das razões para termos dado a camisa a Ronaldo é porque ele é jovem. E eu considero apropriado que seja vestida por um jovem jogador como Ronaldo porque esperamos que ele fique no clube por muito, muito tempo”, disse Ferguson ao canal Sky Sports, no dia da apresentação.

 

Alie-se ao inimigo

Os olheiros do Manchester United passaram seis meses seguindo Kléberson e outros nove observando Ronaldo. No caso do português, a ideia era esperar por mais um ano para finalizar a negociação. Ideia abandonada após os Diabos Vermelhos serem aniquilados por ele, em um amistoso daquela pré-temporada com o Sporting, vencido por 3 a 1 pelos portugueses. “Foi uma noite dura. Ele tem muito talento e quer jogar, vocês viram semana passada contra nós, ele procurava a bola. Não creio que nossos jogadores conhecessem algo sobre ele, mas falamos no pré-jogo que era um jogador muito talentoso. No intervalo todos já sabiam disso. Aquela quarta-feira acelerou as coisas”, afirmou Ferguson na apresentação.

 

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Tenho preferido o rodapé dos posts para fazer alguns adendos e evitar que coisas importantes se percam no texto. Como mencionei mais acima, a venda de Kléberson foi um negócio espetacular feito pelo Atlético. Pelo valor, por ter dispensado o trampolim em um clube maior do Brasil ou um menor da Europa. E Kléberson chegou ao Manchester com mérito, primeiro brasileiro contratado pelo clube. Fez um excelente Brasileirão em 2001, superado apenas pelo mágico fim de campeonato de Alex Mineiro, foi fundamental na Copa do Mundo. Acabou prejudicado no Manchester pelas contusões que logo após sua chegada, período em que ele teve de lidar com mudança de país e de vida (ele casou havia pouco tempo). Depois não conseguiu recuperar o terreno. Só não dá para manter a ideia de que ele era a estrela e Cristiano Ronaldo, um semi-anônimo no dia da apresentação.

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