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Feminista é cilada, Bino
| Foto: Pixabay

O DataBruna tem observado que homens solteiros e inteligentes constituem parcela significativa do leitorado de feministas chatas. Cada qual tem sua anti-musa, que eles leem com dedicação. Aprendem o seu vocabulário, sua maneira de pensar, e ficam prontos para fazer sátiras ou paródias feministas. É através disso que tomo conhecimento das influencers feministas, porque eu mesma não tenho o mínimo interesse em verificar com frequência o que uma dada feminista escreve.

Nas olhadelas que dei, fiquei besta ao ver que essas sumidades acadêmicas só discutem picuinha de BBB e homens. Aí eu disse: Eureka! Entendi por que elas têm, no sexo oposto, leitores espertos e assíduos: é como se o homem pudesse entrar no salão de beleza sem ser o cabeleireiro gay, e ficar ouvindo as conversinhas cor-de-rosa.

Que é feminismo progressista, senão conversa de salão de beleza? As damas se fazem de difíceis, e bem poderiam ter um leque para se abanar enquanto se sentem intoxicadas pela masculinidade alheia. Certas elas, pois tóxicos amiúde causam dependência química, e síndrome de abstinência é um problema sério.

As frívolas de antigamente

Pegue o retrato mais caricato da mulher chata e frívola. Sua única conversa é fofoca, e na fofoca ela faz duas coisas: fala mal das outras mulheres (tidas como rivais no mercado amoroso) e disserta sobre os homens disponíveis (ou mais ou menos disponíveis, que ela quer tornar plenamente disponíveis). Esse tipo de mulher, que fala pelos cotovelos, se junta em panelinhas compostas quase exclusivamente por mulheres — digo “quase”, porque pode ter um gay "pintoso" no meio.

Nas panelinhas, elas falam mal das mulheres de outras panelinhas, ou não-integrantes de panelinhas. Quando o grupo se dispersa, umas vão em privado falar mal das colegas de panelinha. Às vezes dá uma briga daquelas de novela, com muita gritaria, unhada, tabefe e puxão de cabelo. Quando objeto da disputa é um homem, ele fica todo prosa.

O gênero humano não acha nada bonito ser assim tão frívolo, para ficar só falando de intrigas e machos. Por isso elas mesmas, antigamente, costumavam se fazer de pias devotas de Deus, que é a coisa mais sagrada e elevada do mundo. E daí ficavam competindo para ver quem era a mais religiosa de todas, botando defeito nas concorrentes, medindo saia e analisando decotes.

Mas a sociedade funcionava: essas chatas competiam para arranjar marido; uma vez casadas, morriam de parto ou viravam mães de família. Com a alta mortalidade feminina, sempre havia viúvos disponíveis. (No Brasil, tínhamos ainda a figura da teúda e manteúda.) E com uma família para criar, as mulheres sobreviventes sempre tinham o que fazer da vida. Por mais frívola e chata que fosse, dava carinho aos filhos e ao marido — até porque, se não desse, ele arranjava uma amante.

Por fim, se a mulher estivesse mais interessada em dominar mulheres do que em arranjar marido, ou se fosse simplesmente intragável demais para ter esperanças de casar, poderia dissimular uma vocação religiosa e ir para um convento, onde teria uma porção de moças à disposição.

A emancipação da mulher

Nos anos 60 do século XX, a pílula anticoncepcional apareceu. Isto aconteceu pouco depois de a Revolução Industrial se completar nos países ricos do Ocidente e as sociedades ficarem mais urbanas. Ora, na cidade há espaço para o trabalho meramente intelectual. Miolos femininos não são tão diferentes dos masculinos assim.

Diferentemente do campo, onde homens e mulheres têm atividades bem divididas segundo o sexo, na cidade os empregos costumam ser unissex. Tanto faz se o seu advogado, contador ou médico tem o sexo dos anjos ou um aparelho reprodutor feminino. O profissional liberal não precisa de braço forte nem de mãos delicadas; precisa de cérebro com conhecimento. Isso é meio caminho andado para a emancipação feminina. O passo seguinte foi dado pelo anticoncepcional, que tornou a gravidez uma opção feminina. Num casal de contadores sem filhos, homem e mulher podem ser absolutamente iguais em direitos e deveres. Como a igualdade não é meta de ninguém sadio, os casais costumam dar uma calibrada nas responsabilidades para encaixar um ou dois filhos em suas vidas.

Desde então, homens e mulheres têm muito mais assunto para conversar, pois não se trata mais de um mundo em que apenas os homens têm vida na cidade, enquanto as mulheres se confinam às atividades domésticas. O advogado se casa com uma latinista, o médico com uma advogada, o músico com uma música; o advogado pede ajuda à mulher para pôr firulas num processo, o médico antevê as enrascadas jurídicas em que pode se meter, o músico pede ajuda na sua mais nova peça. Há mais assunto e mais espaço para afinidades entre homens e mulheres.

A vida difícil das frívolas

E as mulheres frívolas, como ficam? Assunto para conversar com homens elas não têm, pois toda a sua cabeça gira em torno de panelinhas femininas e paquera. A religião está fora de moda entre os letrados, e o estilo de vida de classe média dificulta a volta da mulher à condição de dona de casa. Para resolver o problema, as frívolas de hoje encontraram salvaguarda no feminismo. Com o feminismo, as frívolas têm: a chance de passar por criaturas votadas a causas nobres; ficar numa panelinha feminina causando intrigas; se lésbica, apanhar moças confusas, sem competição com homens.

Mas essas mulheres frívolas são disfuncionais na sociedade. As carolas d’antanho estavam sujeitas à autoridade da Igreja; as de hoje (isto é, as feministas) estão sujeitas a um caudilho faccioso. Desde o Estado laico, a Igreja é um fator que coopera com a sociedade em vez de dominá-la — ao contrário do caudilho. E mesmo quando a Igreja dominava as sociedades, as carolas não iriam se enfiar na intimidade alheia para destruir relações conjugais, porque os valores pregados pela Igreja eram funcionais. A santarrona não empreenderia uma cruzada contra a maternidade, nem contra o casamento. A feminista, por outro lado, não tem olhos para outra coisa que não o seu caudilho macho.

Pense na religiosa mais detestável que lhes ocorrer. Agora pense em Márcia Tiburi candidata ao governo do Rio de Janeiro, usando uma gargantilha parecida com uma coleira, dela pendendo uma medalhinha com a cara de Lula. É difícil pensar numa religiosa capaz de se rebaixar tanto. Lembre-se ainda que a “filósofa” diz que Lula é o crush de toda mulher.

As feministas vivem no cio, clamando por um Che que endureça consigo. Excetuadas as lésbicas, claro.

Tá faltando mulher na classe média

Num ambiente em que a Igreja é forte, quais serão as chances de um ateu assumido arranjar uma mulher? Certamente as panelinhas femininas têm influência nos valores de um nicho da sociedade. Por menos frívola que seja uma mulher, e ainda que esteja disposta a assumir uma relação com um ateu honesto, haverá um custo social. Ela não vai poder andar orgulhosa do marido no seu meio, porque todas as carolas terão contado que aquele homem aparentemente correto e bem sucedido é, na verdade, um abominável ateu.

Agora façamo-nos uma pergunta: quantas de nossas relações pessoais (inclusos amigos e parentes) dependem de não dizermos uma frase errada? Se você disser “sabe, vou tomar uma ivermectina porque não faz mal” ou “talvez seja uma boa ideia imprimir os votos”, quantos não romperão amizades de anos? Se com as amizades está difícil, quanto mais arranjar namorada. As mulheres têm infindáveis panelinhas para falar mal dos homens que tenham dito uma frase errada, ou que tenham feito algo que elas julgam tóxico (ui!). Como as panelinhas femininas da classe média estão completamente loucas, os solteiros mais astutos sempre vão dar uma sondada nas influencers feministas.

Se eu fosse homem, deixaria as feministas chupando o dedo.

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