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João Paulo Cunha, Eduardo Cunha e Henrique Alves: da Câmara para a cadeia.
João Paulo Cunha, Eduardo Cunha e Henrique Alves: da Câmara para a cadeia.| Foto:

A prisão de Henrique Alves nesta terça-feira elevou para três o número de deputados que chegaram à presidência da Câmara e acabaram passando uma temporada na cadeia. Até 2012, isso nunca tinha acontecido. Desde então, o petista João Paulo Cunha foi pioneiro com uma condenação no Mensalão; e abriu caminho para dois peemedebistas: Eduardo Cunha e, agora, o próprio Alves.

Com isso, em 20 anos, a Câmara teve dez presidentes (além de alguns interinos), dos quais 30% foram ou são hoje presidiários. Olhando bem a lista vê-se ainda mais um com pedido de prisão (Aécio Neves) e vários investigados. Entre eles, claro, o próprio Michel Temer.

Vintes anos atrás, o responsável pela Casa era Temer, que ocupou o cargo de 1997 a 2001 e depois entre 2009 e 2010. Com destino incerto, o ex-vice de Dilma Rousseff, “herdou” o país depois do impeachment, e viu o pouco de aprovação que tinha se esvair pelo ralo com as delações da JBS e com as investigações da Lava Jato. Temer presidente conseguiu ter um índice de aprovação menor que sua antecessora e a permanência dele no governo, ou melhor, sua queda parece questão de tempo.

O baile segue assim: além dos presos, são quatro investigados na Lava Jato. Um foi “obrigado” a renunciar. E o que se saiu menos mal foi somente citado na Lava Jato. Veja abaixo:

Três ex-presidentes da Câmara presos

O primeiro petista a ocupar o cargo foi João Paulo Cunha (2003-2005). Condenado a 6 anos e 4 meses de prisão por corrupção passiva e peculato no escândalo do mensalão, conseguiu em 2016 um indulto do STF.

Do mesmo partido que Alves, Eduardo Cunha (2015-2016), teve seu mandato cassado e foi condenado a 15 anos e 4 meses de prisão, por receber propina e por corrupção ligada ao escândalo da Petrobras investigado pela Lava Jato. Ele cumpre a pena em regime fechado no Complexo Médico Penal em Piraquara.

Henrique Alves (2013-2014), do PMDB foi preso na manhã desta terça-feira (06), em uma operação que investiga casos de corrupção e lavagem de dinheiro na construção da Arena Dunas, em Natal. A operação é um desdobramento da Lava Jato.

Pelo mesmo caminho pode ir Aécio Neves (2001-2002), do PSDB depois de aparecer na delação bomba da JBS pedindo dinheiro a Joesley Batista. Ele foi afastado do mandato de senador pelo ministro Fachin e tem um pedido de prisão feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Os investigados na Lava Jato

Assim como Temer, são investigados na Lava Jato o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (2016-2017), por supostamente ter recebido pagamentos irregulares da empreiteira Odebrecht. Marco Maia (2011-2012), do PT, é investigado por cobrança de propina para beneficiar empreiteiras na CPI da Petrobras em 2014. Arlindo Chinaglia (2007-2009), do PT, também teria cobrado propina de empreiteiras para liberar obras.

“Percalços” com a Justiça

Severino Cavalcanti (2005), do PP, foi “obrigado”, de certa forma, pela pressão dos colegas, a renunciar à presidência da Câmara. Ele foi acusado de cobrar propina de um restaurante que ficava dentro da Câmara. Acabou renunciando também ao mandato de deputado para manter seus direitos eleitorais.

Aldo Rebêlo (2005-2007), do PC do B, foi somente citado na delação premiada de Pedro Corrêa. Segundo Corrêa, Rebêlo faria parte de um suposto esquema de corrupção no programa Minha Casa, Minha Vida.

Além dos titulares, pelo menos um dos interinos também teve problemas com a Justiça. Efraim de Araújo Morais (2002-2003), do DEM, comandou a Casa por poucos meses depois da renúncia de Aécio Neves para assumir o cargo de governador de Minas Gerais. Mas foi acusado pelo MPF de ter feito contratações sem licitação no senado, no período de 2006 e 2008.

Vinte anos. Dez deputados federais que exerceram o comando de uma das instituições mais fortes da política nacional. E todos, em algum grau, acabaram se enrolando com a Justiça. Será que sobra um?

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