A conta feita pela CPI do Transporte Coletivo indica que a família Gulin detém quase 70% das ações das empresas de ônibus de Curitiba. Isso significa que, de cada dez vezes que você entrar num ônibus, em sete o dinheiro dado ao cobrador estará indo para o bolso da mesma família. O pinheirinho de Natal dos Gulin ganha presentes maiores conforme sobe o preço da passagem.
Com os números apresentados pela CPI, é possível fazer também um cálculo financeiro do poder da família Gulin na administração da cidade. Por ano, o transporte da cidade gira pouco mais de R$ 800 milhões. Fazendo a conta chega-se à conclusão de que a família, sozinha, administra o equivalente a R$ 550 milhões a cada ano que passa. Durante o mandato de quatro anos de um prefeito, são cerca de R$ 2,2 bilhões. Metade de um orçamento de Curitiba, sem ter de disputar eleições.
O contrato das empresas vale por 15 anos, de acordo com a licitação realizada em 2010. Ou seja: passarão pelas empresas dos Gulin algo em torno de R$ 7,7 bilhões durante esse período, se não houver renovação. Lógico: nem tudo vai para os empresários. É preciso pagar as contas, salários etcetera. Mas o lucro em cima dessa verba é deles.
A ideia da licitação era garantir melhores preços e bom serviço, claro. Mas também há por trás do conceito de licitação a ideia de que qualquer um possa disputar em condições iguais. Divide-se a cidade em lotes não por bonito, mas porque se imagina que, assim, mais empresas atuarão, evitando concentração de poder e democratizando a gestão. Mas quando uma mesma família está por trás dos três consórcios e domina quase 70% de um negócio multimilionário é possível argumentar que a licitação fracassou.








