
O Datafolha fez uma pesquisa mostrando que a “ideologia” influencia pouco na decisão de voto entre Aécio Neves e Dilma Rousseff para o cenário mais provável de 2014. Eleitores de esquerda nem sempre votam em Dilma, e os de direita nem sempre escolhem Aécio.
Claro que o instituto não chegou perguntando aos eleitores qual é a ideologia deles. Até porque provavelmente a maioria não saberia que parâmetro usar para responder. Os pesquisadores perguntaram sobre temas “culturais, políticos e sociais” e enquadraram o fulano em alguma definição, desde um extremo ao outro, passando pelo centro.
A pesquisa ainda não foi divulgada na íntegra, portanto é impossível afirmar com certeza. Mas dá para fazer uma aposta. Se você usar os dados que tenham a ver com a parte econômica, talvez ache mais correlações entre voto e ideologia.
Por exemplo: uma das perguntas que fizeram para identificar a ideologia é sobre pena de morte (está relatado na matéria). Quem se disse a favor, ganhou pontos como direita. Quem foi contra, como esquerda. Mas a pensa de morte não é um assunto em debate na eleição, para falar a verdade.
Os temas “culturais”, de comportamento, talvez sejam os que tenham menos influência. Por exemplo: na eleição passada, tentaram emplacar o aborto com um tema. Aparentemente, teve pouco peso. O mesmo talvez valha para questões de direitos: cotas, para citar um caso.
O que tem sido usado como argumento real ideológico pelos candidatos é apenas a parte econômica. E desta vez, ao que parece, a divisão será ainda mais clara. De um lado, os favoráveis a uma distribuição de renda patrocinada por impostos mais altos e estado forte (esquerda). De outro, o candidato que diz que o Estado ´[e pesado demais e que o papel deveria ser apenas o de garantir direitos e oportunidades, pois “quem muda o Brasil é você” (direita).
Se nem essa divisão for importante para o voto, talvez seja porque os candidatos ainda não estão o tempo todo na tevê, e a população não entendeu bem a disputa.








