
A colega Vanessa Prateano já fez um belo texto em seu blog Mulherio, aqui ao lado, mostrando o absurdo de um grupo de homens que anda fazendo palestras por aí ensinando a “pegar” mulheres a força, inclusive usando violência física e psicológica. É evidente que o país não deve permitir que isso seja divulgado livremente por aí, já que se trata de apologia ao crime, entre outras coisas,
Mas o objetivo deste post é mostrar que isso se reflete, também, na política. Na Europa, sabe-se que a crise econômica levou vários países a dar uma guinada à direita. Em alguns casos, uma mudança para a direita democrática. Em outros, para a extrema direita, aquela que defende fins de direitos, ausência quase total de governo e que externa preconceitos, acreditando na “superioridade” de certos grupos sociais.
Por esses dias, o Guardian fez uma matéria sobre o Congresso da Nova Direita, um partido polonês com representação no Parlamento Europeu. Janusz Korwin-Mikke, seu líder, tem dado uma mão a outros partidos da mesma extração, como o Ukip britânico (eis o motivo da preocupação do Guardian).
O líder do partido acredita em todo tipo de barbaridade que favoreça suas ideias, chegando a relativizar o Holocausto comandado pelos nazistas. E, claro, também tem as mulheres como alvo.
Sua teoria, por exemplo, é de que as mulheres são em média menos inteligentes do que os homens. E por isso preferem, elas mesmas, votar em homens (de preferência bonitos). Lembrado da eleição de Angela Merkel pelo repórter, desconversa. E diz que as mulheres gostam de ser lideradas pelos homens – principalmente na cama.
Korwin-Mikke diz que, inclusive, as mulheres costumam mentir quando dizem que não querem sexo. E que em pelo menos 30% dos casos elas resistem a tentativas sexuais dos homens só para fazer charme. A consequência lógica é que o homem pode ignorar os apelos da mulher que disser que não quer fazer sexo com ele.
Mas como condenar alguém por estupro nesse caso? Ele tem a solução: só com a presença de, pelo menos, duas testemunhas. Já que o depoimento da vítima, evidentemente, não vale nada.
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