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Katia dos Animais de Rua. Foto: Rodrigo Fonseca/CMC.
Katia dos Animais de Rua. Foto: Rodrigo Fonseca/CMC.| Foto:

A vereadora Katia Dittrich mal esquentou a cadeira na Câmara de Curitiba e pode já perder o mandato. A situação dela, nas palavras de um dos integrantes da Cúpula da Câmara, é “complicadíssima”. A denúncia de que ela teria se apropriado ilicitamente de dinheiro parece bem embasada.

Claro que ela terá direito de se defender. Estamos numa democracia: ninguém deve ser julgado sumariamente. Mas no final das contas são seis ex-comissionados dizendo que ela pedia o dinheiro e que têm documentação para comprovar o depósito. Não é pouca coisa.

Fosse só isso, já seria muito. Mas a vereadora, nesses poucos meses de mandato, já se meteu em várias confusões. A primeira, e talvez mais esquisita para quem está do lado de fora, é o fato de ela e a outra representante eleita pelos defensores dos animais, Fabiane Rosa, se odiarem.

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Certamente quando viram que havia duas defensoras da causa na Câmara os ativistas devem ter ficado felizes. Era uma bancada. Unidas elas poderiam fazer mais… Que nada. Nem se olham, quanto mais trabalhar juntas. Vá entender.

Para os cães

Os projetos da vereadora também chamaram atenção. Como por exemplo, para citar só um, a ideia de conceder honrarias públicas a animais que demonstrem especial devoção aos humanos. Uma lei para isso? Sim, uma lei para isso.

Katia não é um caso isolado (nem na ideia de se apropriar das verbas de comissionados, caso realmente tenha feito isso). Tem sido comum, cada vez mais, que os eleitores escolham para o Legislativo defensores de animais. Gente que tem como principal credencial o ativismo para salvar e proteger animais.

É uma causa como qualquer outra, dirão. E em nossa sociedade, o amor aos animais tem sido visto cada vez mais como um selo de pureza da pessoa. Num mundo em que os políticos são vistos como espúrios, alguém que trabalha por uma boa causa pode ser o antídoto, certo?

Causa única

Katia se elegeu assim. Seu nome de urna era “Katia dos Animais de Rua”. Sua única causa, os animais. Sua única ligação com os eleitores, seu ativismo. Agora mesmo, depois de todos os problemas em que se meteu, a vereadora diz que só deve algo aos animais que salvou. E que pode ter errado por amar demais.

O eleitor, no entanto, precisa perceber que não é a primeira vez que esse tipo de virada acontece. Professor Galdino, principal defensor da causa animal na legislatura passada, foi acusado de várias ilegalidades contra humanos, inclusive assédio sexual.

Galdino: outro defensor da causa animal envolvido em denúncias.

O fato é que defender animais não faz de ninguém a pessoa pura que se pode imaginar. O que faz alguém digno de um mandato não é apenas o ativismo em uma causa, que pode até mesmo ser sinal de um fanatismo ou, em alguns casos, mero oportunismo.

Os repetidos casos de ativistas (de várias causas) que são pegos em flagrante desrespeito à lei e à ética devia fazer pensar que o mínimo que precisamos fazer é ver se, além de atuar naquela causa, o candidato tem bom caráter. Se não vai fazer mal à própria causa ao chegar no Legislativo e manchar os ativistas com comportamentos inadequados.

Katia pode se defender. Poder ser até inocente, embora os indícios não vão nessa direção. Mas seu eleitor deveria pôr a mão na consciência. Pode acontecer de um defensor dos animais ser o próximo grande estadista do mundo? Pode. Há excelentes pessoas trabalhando na causa? É óbvio.

Mas fica a lição: cuidar de animais não faz de ninguém um bom candidato a vereador.

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