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Telinhas e seus perigos
| Foto: natureaddict/Pixabay

McLuhan já apontou, décadas atrás, que “o meio é a mensagem” (ainda que por alguma razão a edição de época que tenho de seu livro tenha traduzido o título como “O Meio São as Massa-Gens”!). E qual é o meio hoje em dia? Até a geração passada, era a tevê. A coisa já estava bem ruim. Agora, todavia, temos telas personalíssimas e intercambiáveis, comandadas por algoritmos secretos que conseguem fazer com que até mesmo o Roberto Marinho chegue a parecer suportável.

O efeito das telinhas sobre a capacidade de raciocínio do pessoal por aí é assustador, e um breve passeio pelos comentários de qualquer artigo que não seja mera repetição de algum discurso ideológico pronto o demonstra claramente. Um amigo apontou-me que um comentarista conseguiu a proeza de me qualificar de “agnóstico ateu” num texto sobre a inadequação pastoral para o dia de hoje de algumas exigências disciplinares da Igreja para a validade de um dado sacramento. Não creio que “agnósticos ateus” – que, aliás, eu adoraria conseguir imaginar o que sejam – tenham algum interesse no assunto, mas beleza. Aproveitei que estava rodando pelos comentários dos meus textos para espantar-me com a absoluta ausência de compreensão de outros comentantes acerca de outro texto. E por aí vai.

A minha impressão geral é de que a maioria das pessoas hoje em dia não consegue ler um texto, ainda que consiga ler uma a uma todas as palavras que o compõem. Muitíssima gente simplesmente procura palavras-chave, que em sua bizarra visão de mundo serviriam para saber se o texto é “do bem” ou “do mal”. Em seguida, de acordo com o juízo de valor baseado nas palavras-chave que creia ter encontrado, elas são unidas mentalmente em afirmações peremptórias que no mais das vezes nada têm a ver com o que está escrito. Para tais “leitores” o texto é, talvez, uma espécie de caixa de bombons do Forrest Gump, um mero repositório de palavras soltas cujo sentido há de ser dado pelo leitor de acordo com o que quer que esteja ali.

A maioria das pessoas hoje em dia não consegue ler um texto, ainda que consiga ler uma a uma todas as palavras que o compõem

A pergunta que não quer calar, claro, é “como”. Como é que as pessoas chegaram a tal ponto de incapacidade de compreensão? Como se conseguiu praticamente devastar a capacidade de compreensão de textos da maioria das pessoas, tornando-a na prática analfabeta funcional?

Jerry Mander escreveu, em 1978, um livro chamado Four Arguments for the Elimination of Television (publicado no Brasil como Quatro Argumentos para Acabar com a Televisão), que pode ajudar bastante a começar a entender o problema atual. A tevê já era bastante problemática, e para sabê-lo nem sequer precisamos ler o que escreveu o Jerry. Basta examinar os dados empíricos que demonstram como a chegada da televisão a cada cidade do interior do Brasil foi inexoravelmente seguida de enorme aumento de divórcios, infidelidades conjugais, crimes contra o patrimônio e outras barbaridades. O que ela tinha – e tem ainda – de ruim, todavia, não apenas está também presente nas onipresentes telinhas hodiernas, como é piorado e potencializado por elas. O novo meio traz uma mensagem ainda pior.

Sem seguir à risca o livro do Jerry, mesmo por estarmos tratando já de novo meio, podemos alinhavar aqui uma argumentação antitelinha. Não se trata de demandar sua “eliminação”, como ele queria com a tevê, mesmo porque quem tivesse o poder de o fazer teria por definição poder demais. A questão é outra: temos de reconhecer um perigo presente para que o respeitemos, como quem respeita uma cobra ou um cachorro feroz. É um cuidado essencial não apenas em relação à nossa própria vida como, mais ainda, à educação de nossos filhos e netos. As telinhas de hoje, como a tevê de ontem, devem ser encaradas como uma droga perigosa e viciante. Uma espécie de cachaça, talvez, que pode ser prazerosa e benfazeja em pequena quantidade nos momentos certos, mas que também pode, quando usada de modo desregrado, acabar com a vida de alguém.

A primeira característica a que devemos atentar é a forma como os dados que nos vêm pelas telinhas são absorvidos. Conhecemos todos aquele estado em que não estamos mais plenamente acordados, mas ainda não estamos exatamente adormecidos. Os antigos o chamavam “modorra”, e os cientistas o chamam “hipnagógico”. Apesar de todo o papo esotérico ou simplesmente paranoico acerca de hipnose, o estado de transe hipnótico leve – o mais comumente empregado em hipnoterapia – nada mais é que o mesmo estado hipnagógico, a mesma modorra.

Ora, é exatamente esse o estado suscitado pelo uso de telinhas ou de tevê tradicional. Ao fixar a atenção num ponto brilhante, como uma tevê a uns poucos metros de distância na penumbra de um cômodo ou uma telinha a dois palmos da cara, o resto da realidade perde importância ao ponto de quase desaparecer. Do mesmo modo, ao fixar a atenção auditiva na estreita gama de frequências de um sonzinho porcaria – como o das tevês do tempo do Jerry ou das caixinhas de som milimétricas das telinhas – afastamos ainda mais de nossa percepção o ambiente que nos circunda. O resultado é extremamente semelhante ao de uma sessão de hipnose, mas o Facebook ou o YouTube não precisam repetir, como um vilão hipnotista de filme B, “você está sob meu poder”. Já se está sob seu poder assim que se desliga do mundo e se deixa entrar em transe diante da telinha.

O assustador, contudo, não é o fato de se estar em transe hipnagógico; afinal, é um estado natural pelo qual passamos toda noite. Apavorante mesmo é o modo como apreendemos aquilo que hipnagogicamente vivenciamos ao desligar do mundo e focar a atenção dos dois sentidos principais naquelas luzinhas e barulhinhos. Ao contrário do transe nosso de cada adormecer, esses meios de hipnose trazem consigo um conteúdo: dados que nos são apresentados na forma de luzes que piscam e sonzinhos estridentes. Pelo próprio modo de apresentação, eles têm a capacidade de ser armazenados na memória sem que passem por um juízo de valor, ao contrário de qualquer operação de apreensão efetuada quando estamos perfeitamente despertos.

Ao fixar a atenção num ponto brilhante, como uma tevê a uns poucos metros de distância na penumbra de um cômodo ou uma telinha a dois palmos da cara, o resto da realidade perde importância ao ponto de quase desaparecer

No plano mais pitoresco, é o que acontece quando, por exemplo, vemos uma pessoa que nos parece tremendamente conhecida, e ficamos dando tratos à bola por um tempo, tentando lembrar se foi colega de escola ou de trabalho, até que finalmente nos cai a ficha de que se trata de um ator que vimos numa telinha. É tremendamente assustador perceber que aquilo que “vivemos” no transe hipnagógico está armazenado como se houvera sido uma experiência real. A cara do sujeito nos parece ser conhecida de uma experiência de convívio relativamente intensivo no mundo real, como na escola ou no trabalho. Ela nos é muito conhecida, mas exatamente por o reconhecimento parecer nos indicar tratar-se de um conhecido de longa data demoramos mais para perceber que se trata de um ilustre desconhecido, cujas fuças vimos reproduzidas por luzinhas piscantes e cuja voz uma caixinha de som vagabunda copiou para nós. Em outras palavras, o que quer que apareça na tela virá a alojar-se em nossa memória ao modo de “um velho conhecido”, um conhecimento quase autoevidente que não requer qualquer forma de juízo.

É muito popular a metáfora do “sapo fervido”, segundo a qual um sapo posto numa panela de água fria que aos poucos se vai esquentando morre cozido por não ter tido em momento algum uma mudança de temperatura súbita que o assustasse e fizesse pular. Pois bem, o conteúdo apreendido em transe hipnagógico consegue pular a parte mais longa e trabalhosa do tal processo. Bastaria que o sapo fosse suficientemente exposto a calor excessivo em transe hipnagógico para que, ao ser jogado numa panela de água já fervente, ele relaxasse para curtir o ofurô. Foi isso, não algum discurso retórico, que fez com que houvesse uma normalização de comportamentos cada vez mais pervertidos em seguida à popularização da televisão. Os divórcios de personagens de novela, assim como suas traições conjugais, suas agressões e seus ódios, foram da noite para o dia armazenados na memória de cada telespectador como se fossem coisas normais, coisas nem um pouco dignas de nota. Daí a repetição de tais comportamentos no mundo real.

Daí, até, para pegar outra coisa menos horrenda, a naturalidade com que a maior parte das pessoas encara a primeira visão de um padre de batina, mesmo sendo hoje em dia mais fácil acertar na loteria que ver um. Ao ver pela primeira vez um sujeito com aquela roupona preta cheia de botões, não há a sensação de estranheza que se teria diante de, por exemplo, alguém vestido de sacerdote hinduísta ou bonzo budista, coisa que do mesmo modo jamais se terá visto no mundo real. A familiaridade com as vestes talares eclesiásticas vem, justamente, da presença de padres de batina na tevê (ainda que no papel de malvados de novela). Logo, na sensação de familiaridade com uma roupa que jamais se havia visto no mundo real, repetindo de outra forma o mesmo fenômeno do falso reconhecimento de um ator como colega de escola ou coisa parecida.

Outro problema sério, seriíssimo, do que se põe nas telinhas como “conteúdo” a absorver em transe hipnagógico, é a inadequação do meio a qualquer forma de sutileza. Não é possível apresentar carinho, que dirá amor, na telinha. O máximo que se pode fazer é exagerar na apresentação de seres fofinhos, como porcos-espinhos miniatura de boné e oclinhos, para suscitar uma reação instintiva de carinho e proteção de bichinhos indefesos. O amor real, o amor de uma mãe ou de um rapaz perdidamente apaixonado, este não se tem como apresentar. Por outro lado, nada mais fácil que apresentar (logo normalizar, logo espalhar e fomentar) a luxúria. A normalização da luxúria mais doentia, fartamente presente na pornografia que inunda as redes, tem tido consequências terríveis. Da incapacidade de fazer amor (coisa contrária ao sexo pornográfico) de toda uma geração a bizarrias como o fato de se ter tornado comum encontrar moças sofrendo de gonorreia nos olhos, por – em imitação da “normalidade” pornográfica – seus parceiros sexuais terem errado por mais de meio corpo o endereço de entrega da encomenda.

Do mesmo modo, é facílimo apresentar o ódio, a mentira, a gula, a inveja, e todos os demais pecados capitais. Minha sensação ao adentrar um recinto em que haja uma televisão ligada numa novela é sempre a de ter inadvertidamente interrompido uma briga séria, tamanha a gritaria e a agressividade demonstrada pelos personagens. Como a apreensão do conteúdo desse tipo de mídia não é racional e não sofre juízo algum antes de ser armazenada na memória como “natural”, “normal”, “conhecidíssima”, não é de se espantar que hoje haja tanta gente que não consegue perceber que o diálogo é sempre preferível ao confronto aberto. Coisas que poderiam ser resolvidas conversando sem levantar a voz tornam-se motivo de gritarias e barracos, que por sua vez levam ao igualmente normalizado divórcio. Assim como, claro, passa-se a uma situação que torna realmente necessária e útil para a ordem social a Lei Maria da Penha.

Tudo o que escrevi até agora serve tanto para a tevê quanto para as telinhas pós-modernas. Estas, entretanto, têm ainda outros problemas que lhes são próprios. O primeiro deles, evidente a quem quer que olhe ao redor, é a polarização extrema da sociedade. Qual é, no entanto, a origem dessa polarização? O que a torna consequência inescapável das telinhas?

Pessoas aprisionadas em bolhas virtuais irracionais não têm como fazer sua parte no empreendimento bimilenar de construção e manutenção de uma ordem comum

Simples. O conteúdo das telinhas, ao contrário do da televisão, é escolhido sob medida (e, em breve, será produzido sob medida por inteligência artificial). Se o sujeito chega ao fim de um vídeo, o algoritmo procura mostrar-lhe outro vídeo na mesma linha, ou mesmo mais veemente, para garantir que ele se mantenha preso à tela. Nas redes sociais, da mesma maneira, se um monte de gente da bolha habitada por aquele sujeito “curte” ou compartilha uma determinada postagem, maior é a chance de que o algoritmo a julgue adequada para mostrar ao sujeito, garantindo assim que ele continue preso ao transe. O resultado é evidente, mais ainda quando pensamos no último elemento apresentado acima – a incapacidade de apresentar coisas realmente boas, por natureza sutis e difíceis de transmitir num meio tão limitado. A polarização em torno de absolutamente qualquer “escolha” só tem como se agravar, pelo simples fato de ser o reconhecimento de posição em escolhas binárias a base do mecanismo de escolha algorítmico que define a próxima porcaria a ser mostrada. Se o sujeito é bolsonarista, o algoritmo o empurrará a ser bolsominion. Se o sujeito é lulista, o mesmíssimo mecanismo o levará a paroxismos de paixão por tudo o que tenha a marca dos nove dedos.

E nada disso – absolutamente nada, niente, zilch, nothing, rien, porcariíssima nenhuma – passa pela razão. São conteúdos recebidos em transe hipnagógico e jamais examinados racionalmente, escolhas reforçadas e tornadas mais e mais extremas por algoritmos cuja preocupação única é garantir que o transe não seja interrompido. É por isso que o grosso dos comentários a um texto meu sobre como o Bolsonaro, por piores que sejam seus defeitos, tem a grande vantagem de não ser o Lula, consiste de brados indignados acusando-me de petista, socialista ou – o pior dos xingamentos no mundo da ultrapolarização – “isentão”. É igualmente por isso que um sujeito posta meia dúzia de textos tão açucarados que podem levar um diabético à morte súbita, mas que o cara provavelmente atribui a alguma suposta revelação de Nossa Senhora do Perpétuo Chavão como “esquenta” para finalmente acusar-me de “ateu agnóstico”.

Nada disso é racional. E, mais ainda, tudo isso é antirracional; tudo isso depende da manutenção em doses repetidas de sugestões sobre sugestões, cada vez mais extremas, em transe hipnagógico; tudo isso, pela própria irracionalidade, impede liminarmente qualquer diálogo; tudo isso, do mesmo modo, impede liminarmente a compreensão não apenas do ponto de vista do “oponente” como da própria realidade – em que mesmo na política nada é binário, nada é em preto-e-branco e é perfeitamente possível escolher o menos pior para a Presidência, na medida em que os candidatos são todos filhos de Adão e pecadores; tudo isso, finalmente, leva à destruição da civilização e da cultura, na medida em que pessoas aprisionadas em bolhas virtuais irracionais não têm como fazer sua parte no empreendimento bimilenar de construção e manutenção de uma ordem comum.

Dada a impossibilidade – decorrente do próprio meio de telinhas; o meio cada vez mais é a mensagem – de aprofundamento racional (ou mesmo espiritual) no que quer que seja, o viciado se percebe rapidamente sem escapatória. Enquanto um estudioso nada rio acima em busca de conhecimentos que o ajudem a formar uma visão menos imperfeita da realidade que nos circunda, as telinhas só podem oferecer uma poça vastíssima em que chapinhar. Tanto redes sociais quanto listas de reprodução automáticas de vídeos (pornográficos, políticos, o que for) procuram manter o viciado satisfeito pela sucessão em tese infinita de pequenos focos de pequena atenção em quase tudo semelhantes ao já “aprovados” pelo simples ato de não interromper o transe. Quantas postagens diferentes são apresentadas numa rede social no intervalo de tempo médio gasto ininterruptamente nela? Provavelmente centenas, dentre as quais é extremamente improvável que mais que uma ou duas consigam suscitar interesse maior que o que leva a mero sorriso. É a própria sucessão rasa de microestímulos, todavia, que faz as vezes de teleologia. Que substitui uma busca por sabedoria ou aprimoramento.

Sendo, ainda por cima, a coisa feita sob medida por algoritmos idiotas, o mesmo mecanismo que levou e continua levando a sociedade a polarizações políticas absurdas vem levando cada vez mais os indivíduos a separar-se. Cada vez mais os jovens, e mesmo os adolescentes – provavelmente o ser mais gregário da natureza, suplantando até mesmo os lêmures em capacidade de ser maria-vai-com-as-outras –, ficam sozinhos quase que todo o tempo. Mesmo fisicamente ao lado de amigos, cada um está mergulhado no próprio transe hipnagógico, rolando telas sem fim em busca de microestímulos. Essa exigência de microestimulação constante, por sua vez, leva ao abandono quase completo de qualquer atividade de aprimoramento pessoal. Para aprender a tocar um instrumento musical, por exemplo, é preciso gramar no mínimo uns dois anos treinando todo dia antes que se tenha a capacidade mínima necessária para realmente divertir-se com ele. Do mesmo modo, por mais talento para o desenho que uma pessoa tenha, sem treinar e treinar até ganhar controle motor fino ela jamais se tornará proficiente naquela arte. Nem falo no desenvolvimento espiritual ou na vida de oração! O mesmo vale para qualquer tipo de aprimoramento real de si mesmo: não existe microestimulação constante no mundo real, e o vício nela acaba impedindo liminarmente a participação plena no ambiente que nos circunda, que dirá a entrega de si a alguma atividade cujos resultados só começarão a aparecer longos anos de estudo depois.

O mundo aqui fora e o mundo interior da razão e da alma podem não oferecer a vastidão rasa das poças de “conteúdo” escolhidas pelos algoritmos, mas neles podemos dar mergulhos bem melhores, mais profundos e mais recompensadores

Nada disso é assim tão diferente do que acontece com outras drogas. Dar uma xeretada de dez minutos a cada tantos dias numa rede social, para saber o que andam fazendo os amigos de verdade que não se vê há tempos, ou assistir a um que outro vídeo num YouTube da vida, são como beber aquela caipirinha gelada na feijoada de sábado. Entregar-se diariamente a longos períodos de transe hipnagógico em que ocorre a absorção completamente passiva de conteúdo forçosamente péssimo, por outro lado, é como virar uma garrafa de pinga a cada dia.

Um amigo meu percebeu que estava bebendo demais quando se deu conta de que as outras pessoas não mantinham sacos de plástico à beira da cama para vomitar durante a noite. Quem sabe se algo semelhante não venha a acontecer com quem hoje passa os dias preso a sequências infinitas de microestímulos, num transe hipnagógico mantido e preenchido por um algoritmo sem coração?

O mundo aqui fora e o mundo interior da razão e da alma podem não oferecer a vastidão rasa das poças de “conteúdo” escolhidas pelos algoritmos, mas neles podemos dar mergulhos bem melhores, mais profundos e mais recompensadores. Vale a pena experimentar.

Conteúdo editado por:Marcio Antonio Campos
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