

Dev Patel e freida Pinto, protagonistas de Quem Quer Ser Milionário, na capa da revista Entertainment weekly: chuva de Oscars
O triunfo de Quem Quer Ser um Milionário? no Oscar não foi surpresa para quem acompanhava desde o fim de 2008 os desdobramentos da temporada de prêmios nos Estados Unidos e no Reino Unido. Há anos um filme não obtinha tamanha consagração, tanto por parte dos críticos quanto dos sindicatos de profissionais. Diretores, roteiristas, atores, fotógrafos, montadores. Todos escolheram o longa de Danny Boyle como o melhor do ano. Por que será? Uma conspiração de Bollywood contra o cinema mundial? Acho que não.
De quebra, a produção já ultrapassou US$ 180 milhões, mais de 12 vezes o seu módico orçamento de US$ 15 milhões.
Quem já leu ou conhece o enredo de Oliver Twist, clássico do autor inglês Charles Dickens, vai identificar vários pontos em comum entre o romance e Quem Quer Ser um Milionário? , a história de Jamal, um garoto órfão e miserável das favelas muçulmanas de Mumbai que sobrevive à fome, à violência e ao abandono para se tornar rico em um programa aos moldes do Show do Milhão. Não é, portanto, uma trama muito original, pelo contrário.
O que faz do filme de Boyle uma surpresa arrabatadora e moderna é a forma como essa fábula é contada. A câmera em ritmo visceral, presente em outros filmes do diretor (como Trainspotting); a montagem inquieta, que entrecruza as respostas de Jamal a experiências vividas pelo personagem na infância e adolescência; a contagiante trilha sonora que mistura eletrônica e ritmos tradicionais da Índia; o despudor de contar uma história de amor hiperromântica e com final feliz. Todos esses elementos hipnotizam o grande público, fazendo de Quem Quer Ser um Milionário? um espetáculo catártico e, sobretudo, escancaradamente popular.
Algo que os outros quatro concorrentes a melhor filme não conseguiram (ou não pretendiam) ser. Está explicada a chuva de Oscars.
E isso tem irritado os críticos xiitas e elitistas de plantão, que só acreditam em entretenimento para poucos, cifrado, “cheio de sacadas” niilistas e depressivas que justifiquem seu insustentável peso de ser. São os seguidores da máxima “Penso, logo sofro”. Que assistam ao pretensioso, artificial e pseudoprofundo Foi Apenas um Sonho até se cansarem – ou finalmente acreditarem que são, de fato, seres iluminados.

Dannu Boyle e a atriz-mirim que vive Latika quando cirnaça.







