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Vacinação

Apartheid da vacina torna impossível o fim da pandemia

apartheid da vacina
Mulher mostra seu cartão de vacinação em Harare, Zimbábue, país que tem um dos melhores índices de vacinação da África, mas que apenas 18% de sua população está vacinada. (Foto: Aaron Ufumeli/EFE/EPA)

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O mês de novembro de 2021 fecha com mais da metade da população mundial vacinada com pelo menos uma dose contra Covid-19 e cerca de 43% com esquema de vacinação completo. Foram quase 8 bilhões de doses administradas globalmente, de acordo com levantamento da plataforma Our World in Data, com base na Universidade de Oxford. Mas apenas 5,8% das pessoas em países de baixa renda receberam pelo menos uma dose, cenário que mantém o mundo sob o risco de novas variantes – como a ômicron, altamente transmissível – e de novas ondas da doença em países com vacinação adiantada.

Os números levantados pelos pesquisados não escondem uma dura realidade: vivemos um apartheid da vacina. Os países ricos e algumas economias médias, como Brasil, Chile e Argentina, por exemplo, caminham para imunizar toda a sua população, enquanto que países pobres, especialmente da África, se transformaram em um campo aberto para a disseminação do vírus e o surgimento de novas variantes.

A desigualdade nos índices de vacinação é alarmante. Numa ponta, muitos países superam os 70% da população totalmente vacinada. Portugal, por exemplo, vacinou 87,7% de sua população completamente, o Chile 83,8%, Cuba 81,2%, Espanha 80,4 % e a Coreia do Sul 79,7%. O Brasil, depois de tropeços no início, hoje tem cerca de 62% de sua população com esquema de vacinação completo contra Covid-19.

Do outro lado, o mundo tem ainda 40 países com menos de 10% de sua população imunizada com duas doses e com imunizante de dose única. O absurdo pode ser verificado no Burundi. Nesse pequeno e pobre país africano, com cerca de 12 milhões de habitantes, o índice de pessoas com esquema completo de vacinação é zero (0,00%). E pior: apenas 0,01% da população recebeu a primeira dose.

Em outros países africanos a situação não é muito diferente. A República Democrática do Congo tem apenas 0,06% de sua população vacinada completamente; o Chad 0,42% e Guiné-Bissau 0,91%. Mas não é preciso ir à África para verificar esse quadro que requer urgência. Não muito longe do Brasil, o Haiti vacinou somente 0,58% de sua população.

apartheid da vacina

Com a manutenção do apartheid da vacina, o mundo não conseguirá se livrar do vírus. As consequências sociais, econômicas e para a saúde serão desastrosas. Sem que o mundo inteiro esteja completamente imunizado, não há como controlar a pandemia. Variantes mais letais e com maior poder de contaminação são um risco constante.

A China anunciou nesta segunda-feira (29) que vai enviar 1 bilhão de doses de vacinas contra a Covid-19 para países africanos. Os EUA ofereceram 1,1 bilhão de doses a países pobres e a União Europeia 500 milhões. As ofertas, até o momento, não passam de promessas. Menos de 30% do que foi prometido havia sido entregue até um mês atrás, segundo dados do Conselho de Relações Exteriores, uma organização norte-americana.

Os organismos multilaterais, autoridades e instituições de saúde e governantes de todo o mundo precisam agir com rapidez. Do contrário, tudo que foi conseguido até agora no combate ao coronavírus pode ser perdido.

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