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Para onde caminha o Paraguai após as eleições

  • PorCélio Martins
  • 29/04/2018 13:59
Festa da vitória do conservador Marito Abdo, do Partido Colorado, que se perpetua no poder. Foto: Divulgação/Campanha de Marito Abdo
Festa da vitória do conservador Marito Abdo, do Partido Colorado, que se perpetua no poder. Foto: Divulgação/Campanha de Marito Abdo| Foto:

 

Marcado pelo contraste entre crescimento econômico e forte desigualdade social, país vizinho faz opção pela continuidade e elege multimilionário conservador para a presidência

Quando os paraguaios foram às urnas, no último dia 22, duas propostas apresentavam chances reais de vencer a eleição. Uma, do candidato da oposição, o liberal Efraín Alegre, priorizava como meta construir um país inclusivo, com ênfase em medidas de distribuição de renda e investimentos em áreas sociais, mas sem reformas radicais. A outra, do empresário e multimilionário Mario Abdo Benítez (conhecido como Marito), prometia reforçar as políticas econômicas vigentes, com baixos impostos às empresas, inflação controlada e impulso ao desenvolvimento econômico. Venceu o projeto conservador, que representa a continuidade de boa parte das políticas que vêm sendo desenvolvidas pelo presidente atual, Horacio Cartes.

Eleito com margem apertada – 46,49% dos votos contra 42,72% de seu opositor –, Marito Abdo reafirma a perpetuação do Partido Colorado no poder.  Desde os anos de 1940, os colorados são os principais protagonistas da política paraguaia, com exceção do curto período entre 2008 e 2012, quando o ex-bispo católico Fernando Lugo assumiu o poder apoiado pela maioria dos governantes da América do Sul, mas foi retirado do cargo pelos colorados antes de terminar o mandato.

Marito Abdo – que vem da indústria tabagista e é dono de um conglomerado de 25 empresas de vários setores, de bancos a hotéis – tem como carro chefe de seu programa o aprofundamento das medidas econômicas que vem garantindo crescimento contínuo e acelerado. No palanque, no entanto, incluiu uma plataforma de governo que falava em mudanças profundas na gestão da saúde, um novo sistema educativo e mecanismos de combate à corrupção – endêmica no país.

“Com um Banco Central autônomo e independente, com inflação baixa, estável e previsível e manejo responsável das finanças públicas vamos criar as condições para a estabilidade macroeconômica, condição necessária para o crescimento e o desenvolvimento econômico.”

Marito Abdo, vencedor das eleições, em discurso durante a campanha.

A vitória do conservador se deu em um cenário de um país dividido, mas que uma maioria, mesmo que com pequena diferença, insiste em manter o rumo dos últimos anos. O apoio ao continuísmo tem como sustentação as políticas voltadas ao fortalecimento do agronegócio, impulsionado pela soja, e das indústrias que fabricam produtos consumidos nos países vizinhos, especialmente no Brasil, e crescem num ritmo de até 50% ao ano. Políticas essas que garantiram um crescimento médio de 4,5% nos últimos 15 anos. Também entra nesse pacote a manutenção das condições de paraíso financeiro, que favorece o refúgio de capitais para investimentos de brasileiros e argentinos que buscam baixos riscos em um dos países mais estáveis da América, com inflação controlada, mão de obra barata e trabalhadores com poucos direitos trabalhistas, sem grandes demandas judiciais, além de uma carga tributária bem abaixo da média dos países do Mercosul.

Mesmo apoiado por uma máquina partidária que permeia todos os segmentos da sociedade paraguaia, ligada de forma clientelista a 95% dos cerca de 300 mil funcionários públicos do país, o novo presidente assumirá um país com graves problemas sociais e uma crescente pressão dos setores progressistas por redução das desigualdades.

A redução da pobreza teve um grande salto desde 2003, quando metade dos paraguaios eram pobres, mas ainda há um grande contingente da população em situação precária. Dos cerca de seis milhões de habitantes, quase dois milhões (28% do total) estão hoje na pobreza, o que demonstra que o avanço da economia não conseguiu debelar a principal chaga deste que sempre num passado recente era considerado o país mais pobre da América do Sul e símbolo da tragédia social sul-americana.

Entre os desafios que ficaram evidentes na campanha eleitoral, sobressaem a urgência em acabar com a imagem de um país onde convivem dois mundos distantes, apesar de estarem no mesmo território. De um lado, uma parcela da população vivendo em padrões de países desenvolvidos, em meio a construções modernas, paraísos de consumo em shoppings, carros de última geração importados, férias no exterior, acesso à saúde de primeiro mundo e educação de alto nível. De outro, um grande contingente de pessoas morando em barracos, com atenção à saúde e sistema de educação precários, altos índices de criminalidade, setores inteiros da economia dominados pela máfia do contrabando e o abandono de populações indígenas. Um Paraguai que a maioria dos cidadãos, independentemente de cor partidária e ideológica, espera ficar para trás.

Mario Abdo Benitez, conhecido com Marito, tenta apagar ligação familiar com a ditadura. Foto: Norberto Duarte/AFP

Eleito recusa rótulo de “filho da ditadura”

O presidente eleito do Paraguai, Mario Abdo Benítez, do partido Colorado, tem em seu DNA fortes ligações com a ditadura que governou o país por 35 anos. Multimilionário, graduado em marketing nos Estados Unidos, hoje com 46 anos de idade, Marito é filho um ex-secretário particular de Alfredo Stroessner. E não é só isso. O líder colorado tem parentesco distante com o ex-ditador.

Durante a campanha eleitoral, o candidato governista procurou se distanciar de qualquer ligação com o regime do qual seu pai fez parte.  “Eu lamento a parte negra da nossa história, mas, como muitos paraguaios, acho que não deve ser uma desculpa para manter uma divisão entre compatriotas. Eu tinha 15, 16 anos no final de Stroessner, não fazia política e militância nessa época. Eu resgato as políticas que criaram impacto positivo, e isso não significa reivindicar a pessoa”, são algumas de suas declarações de palanque.

Apesar da tentativa de marcar distanciamento, o político colorado fez parte do Paz e Progresso, o lema do governo da ditadura. Em 2013, foi eleito senador e depois presidente do Congresso, em 2015, ano que marcou a virada e a ruptura de suas relações com o atual presidente, Horacio Cartes.

Em março de 2017, se uniu aos opositores que incendiaram uma parte do Congresso em protesto contra a pretensão de Cartes de aprovar uma emenda que o qualificaria para a reeleição. Foi aí que se abriu a janela para sua candidatura e a vitória nas eleições deste ano.

Oposionistas denunciam fraude nas eleições. Foto: Norberto Duarte/AFP

Oposição acusa fraude

O candidato da coalizão de centro-esquerda Ganar, Efrain Alegre, que terminou em segundo lugar na eleição presidencial do Paraguai, quer a recontagem de votos. Derrotado com pequena margem de votos (46,4% a 42,7%), o oposicionista acusa fraude na apuração.

Pelas redes sociais, Alegre disse na terça-feira (24) que o tribunal eleitoral do país foi rápido demais para anunciar que Mario Abdo, do conservador Partido Colorado, venceu a eleição.

“Vamos controlar ata por ata, voto por voto, sempre respeitando a vontade dos cidadãos. Não vamos permitir nenhuma fraude nos resultados preliminares”, escreveu Alegre em sua conta no Twitter.

Para reforçar as acusações, o opositor divulgou imagens de cédulas de votação que comprovariam divergências com os resultados computados no site da justiça eleitoral do país.

Em resposta às denúncias, candidato vencedor das eleições, Marito Abdo, pediu que as denúncias de fraude “sejam sérias, responsáveis e não motivadas por paixões momentâneas”.

Efraín Alegre integra desde a juventude o Partido Liberal Radical Auténtico e é um político de carreira, eleito duas vezes deputado e uma vez senador. Foi ministro no governo de esquerda de Fernando Lugo, mas retirou apoio ao ex-bispo e votou pelo seu impeachment anos mais tarde. Em 2013 se candidatou pela primeira vez à Presidência e foi derrotado pelo colorado Horacio Cartes.

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