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Sala de aula da Univalle, em Cochabamba, na Bolívia. Foto: Divulgação
Sala de aula da Univalle, em Cochabamba, na Bolívia. Foto: Divulgação| Foto:

“Esse número surpreende. Nós tínhamos conhecimento de que entre 23 e 25 mil brasileiros estavam estudando Medicina na Bolívia, mas não tínhamos dados sobre Paraguai e Argentina.” Essa foi a reação do coordenador da Comissão de Ensino Médico do Conselho Federal de Medicina (CFM), Lúcio Flávio Gonzaga, professor da Universidade Federal do Ceará, ao tomar conhecimento de que cerca de 60 mil brasileiros estudam Medicina em países vizinhos do Brasil. Para Gonzaga, o que mais preocupa a entidade é a qualidade da formação dos jovens que estão nesses países.

“Não temos como intervir na formação médica fora do Brasil. Nossa preocupação é com a qualidade da formação do nosso médico, considerando que é ele que vai atender o paciente brasileiro. Os cursos lá fora são muito baratos. Faculdade de R$ 700 por mês acabam atraindo jovens de famílias de baixa renda, mas não há certeza de boa formação. Existe aí um grande risco de formação deficiente”, diz.

“Não somos contra faculdades que oferecem boa formação. Somos contra faculdades criadas com objetivos outros que não a boa formação de médicos.”

Lúcio Flávio Gonzaga, coordenador da Comissão de Ensino Médico do Conselho Federal de Medicina (CFM) e professor da Universidade Federal do Ceará.

O representante do CFM faz questão de ressaltar que os brasileiros formados em qualquer outro país terão de prestar o Revalida – exame de revalidação do diploma – para poder trabalhar como médico no Brasil. “Nenhum país, pelo menos é o que temos conhecimento, recebe médicos sem uma regularização. O médico formado fora, em qualquer país, tem que passar por uma avaliação. Pelo menos, terão de passar por uma equivalência curricular”, observa.

Sobre a possibilidade de os formados no exterior trabalharem no Mais Médico sem ter feito o Revalida, Gonzaga avalia que essa realidade vai durar pouco tempo. “O Mais Médicos é um programa que tende a desaparecer. Os dados estão mostrando que grande parte das vagas hoje já são ocupadas por médicos formados no Brasil. Só a metade dos médicos hoje do programa são estrangeiros. Então, esses alunos formados no exterior não vão ter tanta facilidade para entrar no Mais Médicos”, diz.

Para o coordenador de ensino médico do CFM, provavelmente muitos desses estudantes voltarão para o Brasil e buscarão fazer cursos preparativos para prestar o Revalida. “Não somos contra faculdades que oferecem boa formação. Somos contra faculdades criadas com objetivos outros que não a boa formação de médicos”, enfatiza.

Aula para estudantes de Medicina da Udabol, na Bolívia. Foto: Divulgação/Udabol

Ministério da Educação

O Ministério da Educação (MEC) do Brasil afirma, em resposta às críticas de estudantes de que as universidades públicas brasileiras oferecem poucas vagas, que “o aumento ou redução de vagas cabe às próprias instituições federais, que são autônomas”.

Sobre o alto valor nas faculdades particulares, o órgão diz que “o Brasil é um país de mercado aberto e livre concorrência entre as instituições. Não é competência do Ministério da Educação controlar preço de mensalidade”.

Questionado em relação à proibição da criação de novos cursos de Medicina por cinco anos, o MEC argumenta que “a medida visa a sustentabilidade da política de formação médica no Brasil, preservando a qualidade do ensino”.

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