Os 40 anos de O Exorcista: sempre imitado, nunca superado
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O colega Rodolfo Stancki, do blog Espanto, aqui da Gazeta, publicou um tempinho atrás um post sobre uma relação da revista Mundo Estranho que trazia os “10 filmes mais assustadores da história”. Como toda lista, o top 10 da revista possui alguns títulos meio duvidosos, como Atividade Paranormal (Paranormal Activity, 2007). Agora, quanto ao primeiro da lista, parece não haver dúvida. O Exorcista (The Exorcist, 1973) surge como o mais assustador. Eu concordo.

O Exorcista completou semana passada, dia 19, 40 anos de seu lançamento nos cinemas. O asqueroso (no bom sentido) filme de William Friedkin foi um dos maiores sucessos da história dos filmes de terror, não só pela boa arrecadação nas bilheterias (a Warner Bros. lucrou US$ 89 milhões só nos EUA) mas também pela acolhida calorosa dos críticos. O filme foi indicado a 10 Oscar, incluindo Melhor Direção e Melhor Filme. Levou duas estatuetas, pelo roteiro – escrito pelo próprio autor do livro em que se baseia a história, William Peter Blaty -, e som.

Você provavelmente sabe muito bem qual a trama, mas não custa lembrar. Em resumo, o filme gira em torno da adolescente Regan, interpretada por Linda Blair, que passa a apresentar vários sintomas estranhos (como urinar no chão e xingar em línguas estranhas). A mãe, vivida por Ellen Burstyn, a leva para fazer uma bateria de exames, mas nenhum médico descobre o que por trás do comportamento errático da garota. Ao fim, sem mais opções, a mãe recorre a um padre em crise de fé e a um experiente exorcista, que assumem a tarefa de livrar a antes doce Regan das garras do demônio que a possuiu.

Em um tempo em que não existiam redes sociais para disseminar informações e compartilhar análises de espectadores, é incrível pensar no hype que a chegada de O Exorcista na telona causou. Havia relatos de pessoas que passavam mal na sessão e saiam às pressas e tantas outros que criticavam o filme por ser “repugnante demais”. Mesmo assim, as filas avançavam pelos quarteirões e a mídia deitava e rolava nos boatos de bastidores sobre a tumultuada produção.

“É difícil transmitir o verdadeiro impacto cultural de O Exorcista. O filme desafiou as regras vigentes sobre o que era aceitável mostrar no cinema; roubou manchetes do escândalo Watergate – ao menos por algum tempo -, causou um aumento considerável no número de casos de possessões demoníacas ‘reais’ e, como escreveu um crítico, instituiu (…) a nojeira como forma de diversão para grandes audiências’”, relata o crítico e editor do popular 1001 Filmes para Ver Antes de Morrer, Steven Jay Schneider.

Após adquirir os diretos do livro de William Peter Blaty lançado em 1971, a Warner Bros. pensou em uma série de diretores de renome para levar o best-seller para a tela. Mike Nichols, Arthur Penn e até Stanley Kubrick foram convidados para assumir a empreitada, mas ou recusaram ou não foi possível conciliar as agendas. O escolhido acabou sendo William Friedkin, um então pouco experiente diretor que estava em alta após ter ganhado o Oscar de Melhor Direção por Operação França (The French Connection, 1973), dois anos antes. Friedkin integrou a turma da chamada “Nova Hollywood”, que nos anos 1970 balançou as estruturas da indústria cinematográfica ao lado de nomes como Martin Scorsese e Francis Ford Coppola.

Difícil saber o que ocorreu de fato durante a produção do filme e o que não passou de boato plantado pelo próprio estúdio, mas se sabe que Friedkin entrou de cabeça no clima pesado da história e fez o possível para criar um ambiente tenso durante as filmagens. Volta e meia, sem qualquer motivo, o diretor disparava tiros para o alto no set e, em certa ocasião, chegou a agredir um padre que acompanhava as filmagens.

Pior ainda foi toda a logística adotada para filmar as cenas de exorcismo dentro do quarto. Parte do set foi construído com vários ar-condicionados que ficavam ligados a noite inteira e faziam com que, no dia seguinte, a temperatura ficasse na faixa do zero grau. A intenção de Friedkin em ser o mais realista possível fez com que as filmagens se arrastassem muito além do previsto: foram 224 dias de takes, enquanto o plano inicial do estúdio era não passar dos 85.

O esforço deu certo e, hoje, O Exorcista segue sendo constantemente imitado e citado, mas nunca superado. Uma boa “cria” do subgênero, para quem é fã, é O Exorcismo de Emily Rose (The Exorcism of Emily Rose, 2005), filme que mistura terror com drama de tribunal.

Abaixo, seguem vídeos com compilações das melhores (ou, em outras palavras, mais horripilantes) cenas de O Exorcista, publicados no YouTube por internautas.

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Qual a sua melhor (ou pior) lembrança de O Exorcista? E, na sua opinião, quais são outros filmes sobre exorcismo que merecem ser lembrados?

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