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Completo neste mês cinco anos como correspondente da Gazeta do Povo em Brasília. É muito pouco, quase nada, na política. Talvez apenas o suficiente para entender que na capital o tempo não corre linearmente, mas em círculos.

Primeiro exemplo. A manchete do jornal de 15 de abril de 2007 dizia que os 30 deputados federais do Paraná na época só haviam conseguido transformar em lei um a cada 56 propostas que apresentaram. Em julho de 2011, já com uma nova bancada eleita, outra matéria tinha um gancho parecido: 40% da bancada do estado na Câmara não tinha apresentado sequer um projeto ao longo do primeiro semestre da legislatura.

Mais um caso regional. Há cinco anos, o Paraná perdia feio para os dois vizinhos do Sul na execução das emendas de bancada. Em 2009, a comparação mais dramática: a cada R$ 1 reservado no orçamento da União em emendas coletivas para os paranaenses, havia R$ 15 para os gaúchos. Ao final de 2011, a surra orçamentária continuou a mesma – e deve se repetir em 2012.

Quando desembarquei no Distrito Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL) era o presidente do Senado. Caiu logo depois da divulgação de que um lobista pagava a pensão de uma filha que ele teve fora do casamento com uma jornalista. Agora ressurge como o nome mais forte para suceder José Sarney (PMDB-AP) no mesmo cargo em 2013.

Aliás, Sarney é o maior exemplo de como correm os dias na Praça dos Três Poderes. Em 2009, ele foi bombardeado por todos os lados – dos atos secretos (idênticos aos da Assembleia Legislativa do Paraná) à revelação de que o Senado mantinha inúteis 171 diretorias, como as de “garagem” e de “check-in” no aeroporto Juscelino Kubitscheck. Como resposta aos escândalos, tornou-se pai de uma “audaciosa” proposta de reforma administrativa do Senado, que já custou meio milhão em estudos privados.

A aprovação do projeto está emperrada na Comissão de Constituição e Justiça desde o ano passado. Em 1995, ele também havia tentado algo do gênero, que também nunca saiu do papel.

No geral, o fato menos cíclico dos últimos cinco anos talvez tenha sido a eleição de uma mulher para a presidência da República. E, no âmbito paranaense, a escolha de uma curitibana para gerenciar o governo como ministra da Casa Civil. Dilma Rousseff e Gleisi Hoffmann são novidades históricas, porém só o tempo vai dizer se, na prática, elas não foram mais um evento circular da política nacional.

Estamos fadados a sermos reféns das mesmas práticas de sempre? Não. Há luz no fim do túnel.

Os últimos cinco anos também foram marcados por acontecimentos extremamente interessantes. Aos trancos e barrancos, o Brasil vem conseguindo diminuir a desigualdade social. Além disso, a transparência aumentou enormemente, o que facilita o acesso à informação.

Uma sociedade menos desigual e mais bem informada tende a repelir a repetição de fatos políticos que só levam ao atraso. O desafio é fazer com que esse estágio de amadurecimento chegue o quanto antes. O Brasil “real” precisa andar para frente.

Fora de Brasília, um quadradinho no meio do Goiás de Carlinhos Cachoeira, há um país com sede de desenvolvimento. Onde cinco anos serão sempre tempo demais para se desperdiçar.

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