Como você se sentiu com essa matéria?

  • Carregando...
  • Ícone FelizÍcone InspiradoÍcone SurpresoÍcone IndiferenteÍcone TristeÍcone Indignado
Crédito da foto: Nelson Almeida/AFP
Crédito da foto: Nelson Almeida/AFP| Foto:

O debate desta sexta-feira (17) na RedeTV será o segundo round dos duelos presidenciais que ocorreram no primeiro encontro do gênero, dia 9, na Band. E, em alguns casos, vai funcionar como uma espécie de “jogo de volta” dos confrontos de estreia. Nessa linha, segue uma lista de pelo menos cinco embates que são esperados pelos eleitores, a partir das 22 horas.

Cabo Daciolo x Ciro: a Ursal é uma piada, mas pode virar uma casca de banana

Cabo Daciolo (Patriota) roubou a cena (e os memes) do primeiro debate presidencial. O auge foi o questionamento sobre a participação de Ciro Gomes (PDT) na fundação do Foro de São Paulo e sobre o plano Ursal (União das Repúblicas Socialistas da América Latina). Desde então, muito se falou e se brincou sobre a Ursal e Daciolo acabou por se refugiar em um monte de localização desconhecida.

Ciro primeiro falou que não sabia de nada e, diante da insistência, deu uma esnobada no oponente ao usar sua réplica: “A democracia é uma delícia, é uma beleza, mas ela tem certos custos”, em uma ironia à participação de Daciolo no debate (como o partido dele tem mais de cinco deputados federais, a presença é obrigatória).

Pode parecer tudo muito bacana na era da “lacração” na internet, mas na prática não funciona bem assim. O eleitor médio detesta atributos pessoais como soberba e arrogância piores do que estupidez. Como Ciro tem um longo histórico de problemas com a própria língua, Daciolo pode virar uma casca de banana.

Alckmin x Bolsonaro: a guerra fria mais quente da campanha

Este deveria ser o duelo icônico do primeiro debate. Não foi. Geraldo Alckmin (PSDB) abraçou a postura low-profile que marcou toda sua pré-campanha e fugiu do embate. Nesta altura da campanha, quem precisa partir para a ofensiva é o tucano, já que Jair Bolsonaro (PSL) começa a disputa com larga vantagem – em especial, na capacidade de mobilização em redes sociais.

Segundo dados do Google sobre a busca pelos nomes dos presidenciáveis ao longo do debate na Band (22h de quinta à 1h de sexta), Bolsonaro liderou e ficou com 23% das buscas. Alckmin ficou em sexto, com 7%. Um retrato de que o tucano até pode não ter ido tão mal, mas passou longe de empolgar.

Outro ponto que sugere que Alckmin terá de tomar a iniciativa: é certo que Bolsonaro vai manter a postura paz e amor e, principalmente, do eu (o candidato antissistema) contra eles (os candidatos que são mais da velha política). O risco de Alckmin – e não apenas durante o debate – é não se desvencilhar dessa armadilha.

Guilherme Boulos x Bolsonaro: alguém vai lembrar da Wal

A pergunta inaugural do debate da Band foi uma provocação de Guilherme Boulos (PSOL) contra Bolsonaro: “Quem é a Wal?” Wal, ou a “senhora Walderice”, como explicou Bolsonaro, é uma funcionária que foi paga com recursos da Câmara dos Deputados, acusada de trabalhar como caseira do parlamentar em uma de suas casas no litoral do Rio de Janeiro.

Bolsonaro devolveu com outra pedrada. “Eu sou uma pessoa humilde como outra qualquer […], e me orgulho, sim, da minha honestidade. E não do atos de invadir propriedade privada dos outros que trabalharam e suaram muito”, disse, em referência à atuação de Boulos como militante do MTST.

Boulos continuará sendo o franco-atirador do debate e continuará tendo Bolsonaro como alvo preferencial. Além disso, o caso Wal teve desdobramentos após o primeiro encontro. Ela deixou o “emprego” e, segundo Bolsonaro, foi vítima do ato de dar água para os cachorros.

Boris Casoy x cadeira vazia: Lula será um fantasma

Ricardo Boechat foi um dos destaques do debate da Band. Nesta sexta, outro figurão do jornalismo nacional, com histórico de polêmicas e opiniões controversas, será um dos âncoras da transmissão: Boris Casoy, 77 anos. Provavelmente caberá a ele explicar a ausência de Lula.

Pode parecer uma história fácil de ser contada, mas não é. Preso em Curitiba há mais de quatro meses, Lula foi convidado oficialmente. A RedeTV seguiu o protocolo, sob pretexto de que o PT pode conseguir uma improvável liminar para tirá-lo da cadeia. Mas não abriu exceção para que o vice, Fernando Haddad, o substitua.

Uma expectativa é saber se será deixada uma cadeira vazia para o ex-presidente. Tradicionalmente, a cadeira vazia é uma mensagem ruim de que o candidato confirmou presença. No caso de Lula, porém, vai funcionar como um fantasma pairando no ar – um incômodo tanto para candidatos tanto de esquerda como de direita.

Internet x todos os candidatos: o tribunal das redes sociais não falha

Band ou RedeTV, não importa em qual emissora, a verdadeira batalha do debate será travada na internet. A edição da Band ultrapassou a marca de 390 mil espectadores simultâneos no Youtube e bateu o recorde de visualizações ao vivo do canal de streaming no Brasil.

Daí vem uma evolução conceitual dos debates para as campanhas. Quando ficavam restritos à tevê, os encontros realizados em emissoras pequenas tinham pouco alcance e baixo engajamento. O jogo mudou: o tribunal da internet é veloz e mortal.

Mais do que vencer o debate de fato (o que é complexo de ser mensurado), os candidatos precisam engajar as suas comunidades para cantar vitória. Quem fizer o seu eleitor já conquistado se sentir instigado a brigar por mais votos com certeza saiu ganhando.

Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Máximo de 700 caracteres [0]