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Crédito: Henry Milléo/Gazeta do Povo
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O prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT), passou a quarta e quinta-feira passadas em Brasília. Foi uma das raras viagens à capital federal desde que encerrou o terceiro mandato como deputado federal, em 2010. “Olha, eu me desconectei completamente disso aqui”, confessou, em entrevista logo após se reunir para tratar do metrô com o ministro das Cidades, Gilberto Kassab.

Fruet não mencionou saudades dos tempos de Câmara, quando foi apontado por oito anos consecutivos como um dos 100 nomes mais influentes do Congresso Nacional, em avaliação do Diap. Preferiu frisar o “orgulho” de administrar Curitiba, mesmo cercado de baixos índices de aprovação e em dificuldades nas pesquisas sobre a sucessão municipal, que acontece em 18 meses.

“Fico muito feliz de ser prefeito. Nunca consegui ter tanto equilíbrio e responsabilidade para saber absorver provocações de toda natureza. É uma honra, mas também tenho clareza: esse é o pior momento para estar no cargo”, disse.

O “pior momento”, segundo Fruet, não é um diagnóstico apenas individual da própria situação. É uma visão compartilhada por todos os colegas prefeitos de grandes capitais. “Depois de conversar com gente experiente como o Marcio Lacerda [prefeito de Belo Horizonte] e o Fortunati [prefeito de Porto Alegre], chegamos à conclusão de que a soma de crise política com econômica jogou todo mundo no cenário mais difícil dos últimos 20 anos, ainda pior para os municípios.”

Fruet incorporou a reivindicação municipalista por mudanças na distribuição de recursos e atribuições dos entes da federação. “Não existe nenhum lugar do mundo esse modelo de concentração das obrigações com as prefeituras.” A perspectiva, no entanto, seria ainda mais negativa: ele não vê qualquer possibilidade de aprovação de uma reforma do pacto federativo.

Especificamente sobre Curitiba, disse que o debate de 2016 precisa ser calcado em termos de responsabilidade financeira. Apontou que, se não tivesse optado por segurar as contas ao máximo, possivelmente o município entraria em uma espiral similar à da gestão estadual e não teria recursos para pagar as despesas básicas, como os salários dos servidores.

“Quem assumir a prefeitura, independentemente de eu ser reeleito ou não, terá de lidar com uma tendência sem volta em Curitiba: ou mantém um controle brutal de receitas e despesas ou a cidade se inviabiliza.” Fruet sabe, no entanto, que esse discurso contrasta com outra realidade atual – a onda de descontentamento generalizado da sociedade, que cobra cada vez mais eficiência do serviço público.

“A crítica é desproporcional à capacidade de resposta do poder público”, diz. Nesse aspecto, dá a batalha quase como perdida. “Temos uma relação de dependência enorme do poder público, o que é um processo cultural, da nossa visão de cidadania. É aquilo de esperar que venha tudo do poder público.”

Para ele, a questão desemboca em um processo de generalização negativa da vida pública. Que, finalmente, tornou-se em outro problema sem alternativa a curto prazo. “Talvez seja o diálogo, mas o que eu vejo em muitos casos é só intolerância. Vivemos um período de transferência de responsabilidades, em que a culpa é sempre do outro.”

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