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Reza a lenda que, após assumir o Palácio do Planalto em 2003, Lula foi questionado sobre o que estaria fazendo da vida se não fosse presidente. “Campanha, é claro!”, teria respondido. Folclore ou não, o episódio é uma mostra perfeita da gana eleitoral do petista.

Em pleno tratamento para se curar de um câncer na garganta, ainda não se sabe se ele vai ter condições de participar ativamente das eleições municipais deste ano. Apesar disso, muita gente espera pela forcinha de “São Lula”, que ajudou a dizimar a oposição pelo Brasil afora em 2010. Ainda mais porque a presidente Dilma Rousseff dá toda pinta de que não vai se meter em confusões regionais.

Na semana passada surgiram as primeiras movimentações de partidos aliados ao governo para tratar da atuação do ex-presidente. Há o temor de que, por causa da doença, o apoio de Lula seja ainda mais poderoso do que em pleitos anteriores. Faz sentido.

O balaio de gatos que sustenta a gestão Dilma em Brasília não se reproduz com facilidade. PT e PMDB, por exemplo, vão se digladiar em várias cidades importantes, como São Paulo e Salvador. Em 2008, Lula ficou em cima do muro nos municípios em que a base rachou, mas agora não está forçado à neutralidade.

E em Curitiba, como é que fica? Por enquanto, tudo indica que a cidade terá três candidaturas alinhadas ao governo federal: Gustavo Fruet (PDT), Rafael Greca (PMDB) e Ratinho Júnior (PSC). Só Fruet, porém, deve receber o apoio formal do PT.

Há um complicador na campanha do pedetista, que era tucano até o ano passado. A princípio, não dá para colar a imagem dele à de Lula após oito anos de oposição na Câmara dos Deputados e uma passagem marcante nas investigações do mensalão, em 2005. Ou será que dá?

Lula é uma marca que transcende o PT. É um erro achar que ele ainda manda no Planalto, mas que a palavra dele tem força ninguém duvida. Basta ver as recentes agendas de Dilma em São Paulo para consultá-los sobre a reforma ministerial.

Aos fatos. Até 2010, fora a barba, ele não tinha nada a ver com o senador Osmar Dias (PDT). Foi começar o horário eleitoral para que os dois parecessem compadres há décadas.

Osmar perdeu para Beto Richa (PSDB) no primeiro turno, é verdade, mas esteve perto da virada graças às intervenções do ex-presidente. Não pode cair na conta dele a atrapalhada parceria entre Osmar e Roberto Requião (PMDB) ou o bloqueio à divulgação das últimas pesquisas eleitorais.

Vale ressaltar que a força de Lula não vem apenas dos palanques. Ainda parte dele a estratégia nacional dos petistas. Foi o ex-presidente, por exemplo, quem viabilizou a candidatura do ministro da Educação, Fernando Haddad, a prefeito de São Paulo, tirando do caminho Marta Suplicy.

Também partiu de Lula a ordem para que o partido mantenha o pragmatismo e busque alianças onde não conseguir candidatos próprios com viabilidade. Enquanto o PSDB faz de tudo para manter suas oligarquias estaduais, o vale tudo petista é nacional.

Não seria de se estranhar, voltando ao caso curitibano, que ele próprio tenha idealizado (ou pelo menos avalizado) a parceria com Fruet. Se Lula vai entrar de cabeça na campanha – e se isso vai dar certo – é outra história. O fato é que na política quase todo mundo acredita em milagre.

Inclusive no da conciliação.

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