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Bruna Marquezine foi a vítima mais recente da cultura do cancelamento. A atriz amargou alguns dias de críticas nas redes sociais por se fantasiar de "enfermeira sexy" para uma festa de Halloween e, obviamente, exibir a fantasia para os 10 milhões de seguidores.

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Até o Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Conren-SP) criticou a atriz e pediu o fim do uso de fantasias desse tipo em festas como Halloween e carnaval, alegando que prejudica a imagem de profissionais sérios, dedicados a cuidar de doentes. Exageros à parte, tem um recado importante nessa história que merece reflexão mais profunda.

Quando o cancelamento atingia o outro lado, aquele dos chamados conservadores ou radicais pela maioria dos artistas e de seus seguidores, a turma batia palmas e ainda fomentava campanhas de difamação, como aconteceu recentemente com o jogador de vôlei Maurício Souza.

No vídeo acima comento os dois casos para mostrar como é nefasta essa mania de apontar o dedo para os outros e acusá-los do que não são ou não fizeram apenas para causar furor na própria bolha de relacionamentos virtuais, pouco se importando se isso trará algum prejuízo à pessoa atingida ou até à família dela, como foi o caso do jogador de vôlei.

Bruna Marquezine

Desta vez o alvo de críticas foi Bruna Markezine. A atriz publicou nos Stories do Instagram foto de mini-vestido colado no corpo com um pequeno avental que mal cobria a parte da frente do vestido, tendo a cruz vermelha associada a hospitais estampada no peito e um acessório branco prendendo o cabelo.

Caras e bocas, e uma pose sensual completavam o quadro que mereceu nota de repúdio do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo. O Coren afirma que o estereótipo alimentado pela fantasia da atriz.

“A enfermagem é uma profissão que exige conhecimentos técnicos, anos de estudo e muito empenho e dedicação em seu cotidiano. Além disso, por ser uma categoria predominantemente feminina, com mais de 80% de mulheres, sofre os impactos das desigualdades de gênero, o que inclui episódios de violência e assédio”, diz a  nota.

“É inadmissível que a fantasia de enfermeira, utilizada em carnavais, festas de Halloween e sátiras continue sendo tolerada pela sociedade, sobretudo por formadores de opinião.” 

Trecho de nota do Coren-SP, em reúdio à fantasia da atriz Bruna Marquezine

Com todo respeito às enfermeiras, especialmente às que já sofreram algum tipo de violência, é um exagero achar que por causa de uma fantasia, num momento de festa e brincadeira, enfermeiras venham a ser assediadas ou atacadas no seu ambiente de trabalho.

Se fosse assim, as índias, por exemplo, também seriam atacadas apenas por causa do “estímulo” gerado por fantasias sensuais. Mas o importante aqui é lembrar quem criou essa cultura do politicamente correto, que vê preconceito em tudo, deboche e até crimes nas palavras ou ações dos outros? Quem fomentou a cultura do cancelamento?

Quem aplaude e incita seus seguidores a cobrar empatia, julgar todo mundo, condenar à execração pública quem pensa diferente? Reflita aí! Não é a bolha à qual grande parte dos atores pertence? Não à toa, numa publicação de lamento depois de sofrer tantas críticas, a atriz Bruna Marquezine teve que se defrontar com comentários sem qualquer rodeio..

“Está sendo vítima do monstro que vocês mesmos ajudaram a criar” 

Comentário na timeline de Bruna Marquezine no Twitter

Maurício Souza

Volto para o caso da demissão do jogador do Minas Tênis Clube, Maurício Souza, que foi “cancelado” por conta de um suposto ataque homofófibo que ele teria feito através de publicações nas redes sociais.

Para mim está claro que não foram ataques a ninguém, nem mesmo à opção sexual de quem quer que seja. O jogador apenas propôs um debate, expressou sua opinião a respeito da agenda LGBT, que tenta forçar mudanças na cultura incluindo a temática gay até em desenhos infantis, como o do super homem.

O negócio foi tão inflacionado que patrocinadores se sentiram pressionados a pedir a demissão do jogador e o clube onde ele jogava, mesmo dizendo abertamente que não concordava com aquilo, cedeu.

A decisão do clube pela demissão endossou a narrativa de que o jogador não poderia mesmo ter externado uma preocupação com o avanço da agenda LGBT sobre o entretenimento de crianças e das famílias, porque isso caracterizaria homofobia. É a mais genuína interdição do debate.

Sem falar que a postura do Minas Tênis Clube estimulou novas investidas contra o jogador, como se ele fosse um criminoso. Um grupo de 20 parlamentares de todo o país, incluindo vereadores de algumas cidades ligados à causa LGBT, protocolaram no Ministério Público de Minas Gerais uma representação contra o jogador, pedindo que os promotores apresentassem denúncia na Justiça.

Querem a abertura de uma ação penal pública para que Maurício Souza seja julgado pela prática e incitação de preconceito e discriminação contra homossexuais e transexuais. Se isso for pra frente e ele for condenado pode ser preso e ficar na cadeia por até três anos. 

E claro que esse grupo também está pedindo a exclusão das postagens que o jogador fez no Instagram, atacando de frente a liberdade de expressão já tão golpeada no Brasil por conta de ordens vindas de ministros de cortes superiores e das grandes empresas de tecnologia.

Censuram, a torto e a direito, até médicos e pesquisadores quando julgam que eles estão divulgando o que não pode ser divulgado por ser de alguma forma “falso”. Pouco importa se são estudos revisados e já publicados ou mesmo bulas de vacinas.

Reação contrária

No caso de Maurício Souza, vimos, pela primeira vez, uma forte reação contrária. Na rede social onde ele tinha publicado as opiniões que desagradaram uma militância ativista raivosa, Instagram, o perfil do jogador saltou, em cerca de 10 dias, de 200 mil seguidores para quase 3 milhões.

É um sinal de que o brasileiro não concorda com as pautas identitárias impostas pela esquerda, nem com censura, muito menos com a cultura do cancelamento. E quer ver a Constituição respeitada, quer ter liberdade para expressar o que pensa e até para se vestir como quiser em festas de Halloween ou carnaval.

Que tal voltarmos à tolerância, ao respeito e à leveza de antigamente, quando opinião ou mesmo brincadeiras, piadas e fantasias não eram motivo de polêmica?

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