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Universidades e escolas abertas, com a volta das aulas presenciais em tempo integral, é o que se espera quando prefeitos e governadores já estão anunciando com entusiasmo a reabertura de tudo e, inclusive, a liberação de eventos com 100% da capacidade. Isso sem falar no "liberou geral" para a aglomeração mor do país, o carnaval.

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Mas que nada! Muitos reitores parecem fechados com sindicatos de professores e de servidores de universidades e escolas, que, por sua vez, demonstram estar comprometidos com tudo, menos com a educação. E, assim, pelo menos 15 das 27 maiores universidades federais, seguem sem aulas presenciais.

Fico me perguntando se professores, servidores e sindicalistas permanecem em lockdown ou se o medo de sair de casa só se aplica a quando precisam ficar cara a cara com os alunos. Será que nenhum docente vai curtir o carnaval? Cuidado com as postagens em redes sociais, hein, profes, porque o print é eterno!

Brincadeiras à parte, há algo de muito triste em tanta insistência em manter alunos em casa por suposta preocupação com a saúde, mesmo com o arrefecimento da pandemia no Brasil. Uma geração inteira de estudantes universitários segue com formação negligenciada, para não dizer, comprometida, pela falta de aulas presenciais.

Alguns já se formaram aos trancos e barrancos. Ano que vem novas turmas chegarão ao mercado de trabalho sabe-se lá com que quantidade e qualidade de conhecimento técnico para assumir os desafios do mundo profissional.

Já faz 18 meses que centenas de milhares de jovens universitários brasileiros tentam, a duras penas,seguir com os estudos em ambiente doméstico, presos a conexões de internet nem sempre boas o suficiente para segurar videoaulas no ar por muitas horas seguidas.

Quem garante o aprendizado da parcela mais carente que, quando muito, acessa aulas do celular por falta de dipositivos eletrônicos com telas maiores? Terão esses alunos, ao se formar, chances de conseguir emprego?

E, se conseguirem, quantos anos a mais levarão para engrenar na carreira, já que a parte prática só terão visto no dia a dia do trabalho e não durante a formação, como deveria ser?

Escolas abertas: movimento de pais questiona autoridades

O Movimento Escolas Abertas surgiu ainda em meados do ano passado, motivado pela indignação de pais que não se conformaram com o lockdown escolar. Assim como as universidades, eles questinoam por que as escolas brasileiras não podem estar abertas se tudo o mais está?

Esta semana a Gazeta do Povo recebeu uma sugestão de pauta que, junto com várias outras reportagens publicadas questionando o porquê de universidades e escolas em muitas cidades ainda estarem fechadas, foi a inspiração para este artigo com versão em vídeo que pode ser acessada pelo play da imagem no topo da página. Segue a mensagem.

Me chamo Alessandra Mantini e represento o movimento Escolas Abertas JF. Somos um movimento que representa aproximadamente 10 mil famílias da cidade de Juiz de Fora (MG). Desde dezembro de 2020 lutamos pela reabertura das escolas na cidade. Salientamos que em JF foram 18 meses de escolas trancadas, havendo, em outubro de 2021, a reabertura gradual e escalonada de todos os segmentos. Juiz de Fora não aderiu ao programa Minas Consciente, por isso não seguimos o 6º protocolo estadual, que versa sobre a obrigatoriedade da presença dos estudantes. Com isso, a maioria das crianças de Juiz de Fora permanece fora das salas de aula.

Pelo relato está claro que as crianças de Juiz de Fora não retomarão o ano letivo de 2021 de forma presencial, independentemente da redução drástica no número de casos de Covid-19 em todo o Brasil e do avanço da vacinação.

Será que estarão livres para curtir o carnaval e depois, quem sabe, voltar às escolas? Isso se uma nova onda da pandemia não surgir por causa da aglomeração "do bem". E se as autoridades locais, abençoadas pelo STF para agir como acharem melhor, não resolverem que por mais um ano, o melhor é manter as escolas fechadas.

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