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Salvar o clima para destruir o capitalismo
Salvar o clima para destruir o capitalismo| Foto: Galen Johnson

O mundo deseja convencer-nos de que os líderes globais estão completamente engajados na defesa do meio ambiente, enquanto fazem um espetáculo à parte que vai em sentido contrário ao discurso propagado. Joe Biden, por exemplo, segue determinado a elevar os EUA à posição de líder global contra a crise climática. Para isso, com a maior naturalidade, chega à capital italiana, para o encontro do G20, acompanhado por uma carreata de “apenas” 85 veículos. Diante da enorme contradição, a colaboradora da Fox News, Lisa Boothe, chamou o presidente americano de “esquerdista de limusine”, um equivalente à expressão brasileira “socialista de iPhone”. Apontando outras contradições, a jornalista comentou que, por mais estranho que pareça, o Partido Republicano tornou-se aquele que mais representa os trabalhadores americanos, enquanto o Partido Democrata consolidou-se como o grande defensor das elites nacionais, que voam pelo mundo nos poluidores jatos particulares enquanto pregam a redução das emissões de carbono. Só pode ser uma miragem isso, uma ilusão, uma alquimia mental. Alguém ainda acredita nessa narrativa?

Talvez o problema seja a hipocrisia. John Kerry, chamado pela mídia de “czar do clima” de Biden, afirmou que o metano chega a ser quase 80 vezes mais prejudicial quando comparado ao CO2. Ao mesmo tempo, Kerry viaja mundo afora com seu jato particular, que apenas neste ano já emitiu quase 30 vezes mais carbono do que a média dos aviões comerciais. Em reportagem recente, a Fox News calculou que o jato do enviado especial dos EUA para o clima já lançou na atmosfera cerca de 138 toneladas métricas de carbono, isso apenas no período entre 10 de janeiro e 6 de agosto. Ao mesmo tempo, o presidente americano será o primeiro a utilizar o novo avião presidencial, o Força Aérea Um, fruto de um projeto de modernização que vai custar ao contribuinte uma bagatela de US$ 5,3 bilhões. Como se não fosse suficiente, em meio aos acalorados discursos contra a poluição, por volta de 400 jatos particulares chegaram a Glasgow para a COP26, a cúpula do aquecimento global. As quatro centenas de aeronaves devem emitir cerca de 13.000 toneladas de dióxido de carbono. Fica claro que a defesa do meio ambiente não é prioridade.

Existe, por trás de toda a celeuma em torno do assunto, um enorme fundo geopolítico. Hoje sabemos que a produção nacional dos mais diversos países está diretamente associada ao aumento de consumo de energia, e por consequência, da produção de gases poluentes. Isso não precisa ser assim. Pode mudar. Mas hoje, da forma como a coisa está, algumas nações estão aproveitando para enriquecer mais do que aquelas que aceitaram os acordos climáticos. Basta você perguntar: quais nações não aderiram ao último pacto proposto em Roma? Os vilões da mídia, EUA e Brasil? Não, ambos integram o grupo que já compõe 103 países que concordaram em emitir menos metano. China, Rússia e Índia não aceitaram a proposta. Assim, continuarão produzindo energia, emitindo poluentes e seguindo na corrida contra seus concorrentes. Se os EUA reduzirem sua emissão de carbono e a China continuar aumentando sua produção, inclusive por meio das usinas de carvão, ela conseguirá ultrapassar Washington ainda mais rápido. E o noticiário seguirá dizendo que os vilões do clima são americanos e brasileiros. Só continua crendo nisso quem não dedica cinco minutos por dia para se informar.

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