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Danilo de Almeida Martins

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Nunca é tarde para escolher a vida

Aborto: CFM desafia Moraes a ter a hombridade de Nathanson

De “rei do aborto” a defensor da vida: Bernard Nathanson mudou após encarar a realidade por meio da ciência e do ultrassom. (Foto: Open Media Ltd./Wikimedia Commons)

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No último sábado, 21 de fevereiro, completaram-se 15 anos da morte de Bernard N. Nathanson, considerado o rei do aborto.

Nascido em 1926, filho de um prestigioso médico especializado em ginecologia, Nathanson se autoproclamou um assassino em massa, sendo responsável por mais de 75 mil abortos.

Ainda na adolescência, convenceu sua noiva a abortar e, em seguida, a deixou. Anos depois, após ter se tornado ginecologista, realizou um abortamento em sua própria esposa, matando outro filho seu.

Um dos grandes responsáveis pela legalização do aborto nos EUA, foi um dos fundadores da NARAL (Liga Nacional de Ação pelos Direitos ao Aborto e à Saúde Reprodutiva), que, dois anos depois, em 1971, conseguiu alterar a lei de Nova Iorque, que penalizava o aborto havia mais de um século. Naquele mesmo ano, assumiu a direção do Centro de Saúde Reprodutiva e Sexual de Nova Iorque, a maior clínica abortiva do Ocidente, onde se realizavam 120 abortamentos por dia. Foi responsável direto por 5 mil abortamentos e auxiliou outros 10 mil assassinatos intrauterinos.

Entretanto, a partir de 1970, Bernard Nathanson se aprofundou no estudo da fetologia, e suas convicções foram cedendo à verdade que se lhe apresentava. Com o avanço das tecnologias de imagem, especialmente a ultrassonografia, Nathanson pôde constatar o sofrimento do bebê nos procedimentos abortivos e, no início de 1979, realizou o último aborto de sua vida.

Nathanson, então, tornou-se um ferrenho defensor da vida, desmentindo todas as inverdades que ele e os outros ativistas pró-aborto haviam criado, expondo a fraude dos números inflacionados que eles inventavam, bem como a manobra da criação de termos dissimulados, tais como “interrupção voluntária da gravidez”, que buscam suavizar a realidade do aborto.

Em 1984, conseguiu que um amigo médico gravasse o ultrassom de um aborto e, a partir desse material, produziu o famoso documentário “O grito silencioso”, que revela a atrocidade do assassinato dos bebês não nascidos. O filme é tão impactante que até mesmo esse amigo de Nathanson, que fazia por volta de 20 abortos por dia, nunca mais foi capaz de realizar nenhum.

Após um longo e tortuoso caminho, Bernard Nathanson abandonou o agnosticismo e se converteu à fé católica em 1996, sendo batizado pelo Cardeal John O’Connor em uma Missa privada, na Catedral de São Patrício, em Nova Iorque.

Após esse breve relato da vida de Nathanson, voltemo-nos ao ministro Alexandre de Moraes. Obviamente, por não exercer a medicina, a ele não se pode imputar a conduta de ser responsável direto pelo assassinato de inocentes bebês.

Entretanto, como já demonstramos em nossa coluna por diversas vezes (vide: “A janela de Overton do STF”, “Quem roubou a OMS da OMS?” e “O STF e a anarquia do país mais abortista do mundo”), suas liminares na ADPF 1141 simplesmente liberaram a prática do aborto em nosso país, autorizando não só a cruel prática da assistolia fetal, que mata lenta e dolorosamente crianças acima de 22 semanas, como também qualquer outro procedimento abortivo em outras idades gestacionais e pelos motivos mais diversos.

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Ao proibir que os Conselhos Regionais de Medicina investiguem qualquer caso em que se envolva a morte de crianças não nascidas, Moraes ampliou indevidamente o espectro da ADPF 1141 e se tornou responsável indireto pelos resultados que estamos assistindo: uma absurda queda de 30% no número de nascidos vivos em nosso país entre 2024 e 2025 e uma taxa de natalidade assombrosamente baixa, tudo por causa da facilitação do abortamento de crianças promovida pelas decisões monocráticas do ministro em dezembro de 2024.

Observem que não se trata apenas das 1.300 crianças acima de 20 semanas de gestação mortas pela assistolia fetal desde a liminar até o dia de hoje, 26 de fevereiro. O número de abortamentos de qualquer idade gestacional simplesmente explodiu após essas decisões.

Só em Brasília, por exemplo, onde se tinha uma média de 60 abortamentos ao ano, agora estamos acima de 300, um aumento de mais de 500%

Nossa esperança, entretanto, está em um desafio proposto pelo Conselho Federal de Medicina nos próprios autos da ADPF 1141. Em uma de suas petições, o CFM propôs a realização de uma inspeção judicial, ato que consiste no acompanhamento presencial do ministro Alexandre de Moraes em um procedimento de abortamento feito por assistolia.

Apesar de o ministro ter se quedado silente frente à provocação do CFM, o fato é que a inspeção judicial pode ser realizada a qualquer tempo, já que seu intuito é esclarecer fatos relevantes para a formação do livre convenccimento do juiz.

Diversamente do vídeo de Nathanson, cuja resolução é muito baixa, com as novas tecnologias de ultrassom 8K, 5D e 6D, Moraes veria, ao vivo e em excelente qualidade de imagem, a inserção de uma agulha com pequenas dosagens de KCl hiperconcentrado na caixa torácica do bebê, por diversas vezes, em um processo lento e dolorosíssimo, no qual a criança tenta se desvencilhar a todo instante da injeção com o ácido que a queimará quimicamente e que culminará com a parada cardíaca de seu coração.

Quem sabe, assim, tendo contato direto, participando e observando concretamente a tortura excruciante a que é submetido o bebê, o ministro também altere suas convicções, tal como se deu com Bernard Nathanson?

De fato, quando se está diante da Verdade, ou nos acovardamos e continuamos presos à nossa pequenez ou — como Nathanson — agimos corajosamente, de forma humilde e honrosa, revendo nossas convicções e aderindo em coerência à realidade.

Ao nobre ministro, nos parece, não faltará essa hombridade.

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