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A liturgia que estamos vivendo é de uma intensidade singular. O tempo do Natal termina no próximo domingo, com o Batismo de Jesus, mas, nesse ínterim, há muitas datas significativas para aqueles que se importam com a defesa da vida.
Mesmo para os não católicos, o dia 28 de dezembro, por exemplo, é uma data extremamente relevante, pois é quando se celebra a festa dos Santos Inocentes, narrada no Evangelho de São Mateus, quando o rei Herodes mandou matar todas as crianças abaixo de dois anos.
Estimativas demográficas informam que Belém era uma pequena aldeia na época do nascimento de Jesus, com uma população estimada entre 300 e 1.000 habitantes e que, com base na taxa de natalidade da época, o número real de meninos de até dois anos de idade seria de 6 a 20 crianças assassinadas, as quais, neste dia, são honradas e recordadas como os primeiros mártires que deram a vida por Cristo.
Por outro lado, nesta última terça-feira, 6 de janeiro, comemorou-se a festa dos Reis Magos, cujo relato bíblico, curiosamente, não nos permite dizer exatamente quantos eram. A Tradição Católica Romana fala em três; a Tradição das Igrejas Orientais, em doze; uma antiga pintura no cemitério dos Santos Pedro e Marcelino mostra dois; uma que está nas Catacumbas de Domitila apresenta quatro; e um vaso no Museu Kircher revela oito magos.
Além da indefinição quanto ao número, sabe-se que vieram do Oriente, mas não se sabe ao certo de onde, sendo mais provável que fossem da Pérsia, onde eram sacerdotes e pertenciam a uma casta religiosa com vasto conhecimento em astronomia, medicina e matemática, tal como estão representados nas pinturas das Catacumbas de Roma.
Independentemente desses detalhes, o que importa é nos interpelarmos sobre o significado dessas passagens e como elas se ligam à pessoa de Alexandre de Moraes.
Primeiramente, embora não seja exatamente um rei, é inegável o poder e a autoridade que estão sendo conferidos aos ministros de nossa Suprema Corte pela atual configuração de nossas instituições, principalmente no caso do ministro Alexandre de Moraes que, gostemos ou não, está sempre no centro dos acontecimentos jurídico-políticos de nosso país.
De mais a mais, a analogia que se pretende fazer do ministro com a história bíblica encontra maior correspondência na medida em que, de forma insólita, segundo as notícias, ele passou o réveillon em Dubai; ou seja, assim como os magos, agora pode-se dizer que Alexandre de Moraes também veio do Oriente.
Resta-nos, então, perquirir sobre sua conduta, se ela irá moldar-se àquela dos sábios, que guardam algumas peculiaridades bastante instrutivas.
Quando resolveram seguir suas próprias convicções, a Estrela de Belém desapareceu, significando que Deus deixou de guiá-los
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De fato, eles seguiam a Estrela até o momento em que decidiram alterar o rumo e ir a Jerusalém (distante apenas 10 km de Belém) para perguntar a Herodes onde o Rei dos Judeus iria nascer. Na concepção deles, um rei somente poderia vir ao mundo em um palácio real e, por isso, dirigiram-se à realeza local. Somente quando os Magos deixaram Jerusalém e se colocaram novamente a caminho é que a Estrela Guia reapareceu, revelando-lhes a casa onde Jesus, José e Maria estavam.
Assim, o primeiro ensinamento é que devemos abandonar nossas verdades para podermos acolher “a” Verdade.
A segunda lição dos Magos para nós e para o ministro Alexandre de Moraes é que, após terem se encontrado com Jesus, eles voltaram por outro caminho; ou seja, quando nos vemos diante da Verdade, com “V” maiúsculo, não há como continuarmos no mesmo rumo. Ela — a Verdade — nos interpela e nos impõe uma mudança de vida e de direção.
Neste tempo do Natal que se encerra, esperamos, então, que o ministro recém-chegado do Oriente deixe-se conduzir pela Verdade e a acolha em seu coração, alterando os rumos da ADPF 1141, que vem possibilitando a morte não de apenas 6 ou 20 bebês, mas de centenas e centenas de crianças inocentes, quimicamente queimadas por meio da terrível e cruel assistolia fetal.




