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E se eu te disser que não posso citar maiores detalhes da minha história, para não comprometer outros inocentes?
E se, sexta-feira passada, eu tinha 8 meses de vida?
E se eu te contar que minha mãe, com 18 anos, estava desesperada?
E se ela foi enganada pelas feministas da Secretaria de Saúde da minha cidade?
E se, por isso, ela aceitou que me matassem?
E se minha mãe não encontrou suporte na própria família?
E se alguns do movimento pró-vida, de bom coração e de boa vontade, tentaram convencer mamãe a não seguir adiante, mas ela não conseguiu ouvi-los?
E se eu tive a infelicidade de ter o meu caso analisado por uns advogados que simplesmente negaram meu direito de defesa e não impetraram um habeas corpus em meu favor?
E se, por isso, minha mãe entrou num ônibus para Uberlândia, na noite da última quinta-feira?
E se eu e ela viajamos chorando a noite inteira?
E se naquele hospital os médicos não seguem o juramento de Hipócrates?
E se eles torturam e matam vidas, ao invés de salvá-las?
E se eles seguiram enganando a mamãe, dizendo que abortar era a única solução?
E se eles, no mesmo dia, fizeram isso com outros dois bebês, que tinham quase a minha idade gestacional?
E se eu estava seguro no ventre da mamãe e, de repente, não estava mais?
E se eles invadiram meu aconchegante ninho com uma enorme agulha?
E se eu tentei me desvencilhar das agulhadas, mas não consegui?
E se eu tentei gritar, mas ninguém ouviu?
E se eu comecei a sentir uma dor inimaginável com aquele ácido que queimava o meu tórax?
E se, finalmente, depois de horas, aquela tortura agonizante chegou ao fim e meu coraçãozinho parou, completamente carbonizado?
E se, agora, não sentirei mais o colo da mamãe?
E se ela, agora, não mais saberá como é o meu sorriso?
E se eu, agora, não poderei mais ver seus olhos enquanto amamento em seu seio?
E se ela, agora, vai ficar sozinha, sem a minha companhia?
E se eu, agora, não terei mais a mamãe para me ensinar a falar, a andar, a brincar e amar?
E se ela, ao menos, tivesse sido instruída para me deixar ser adotado?
Mas... acabou a incerteza. Não existe mais o “e se”.
Cheguei a um lugar onde não há mais dúvida, dor, ódio ou injustiça. Aqui só reina a Paz, o Amor e a Verdade.
Daqui, seguirei cuidando da mamãe, rezando e intercedendo para que ela reencontre a Paz que só existe no Amor Misericordioso de Deus.
Também vou interceder para que o STF pare de chancelar a crueldade da Assistolia Fetal que ceifou minha vida, a dos outros dois bebês que morreram comigo no mesmo dia e a de tantos outros irmãozinhos que encontrei aqui no céu.
Não deixarei de rogar a nosso Deus por aqueles muitos que pensarão que a minha história é uma mentira.
Por outro lado, também intercederei com mais vigor em prol daqueles poucos que sabem que minha história é verdade, pois contribuíram para o seu triste desfecho.
Onde estou, quem menos merece é quem mais é amado.
Agora que vocês sabem por que não posso estar aí com vocês comemorando o Dia do Nascituro, despeço-me de todos assinando meu nome, pois tive a graça de ter sido batizado por uma amiga nos meus últimos momentos.
José († 02/10/2026)

Defensor Público Federal atuante no movimento pró-vida, integrante da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família, associado-fundador e membro da diretoria da Associação de Juristas Católicos de Brasília, autor de artigos científicos e acadêmicos na área de defesa dos nascituros. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



