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Danilo de Almeida Martins

Danilo de Almeida Martins

Meditação

O Caminho do Calvário e a Via Crucis dos nascituros

Obra "Cristo a caminho do Calvário" (1560), por Ticiano. (Foto: Museu do Prado/Wikimedia Commons)

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Embora a Via Sacra seja mais popular na Igreja Católica, ortodoxos, anglicanos, luteranos e algumas comunidades metodistas também adotam a prática de meditar os últimos passos de Jesus a caminho do Calvário.

Tradicionalmente realizada durante a Quaresma, na liturgia católica, esse caminho é formado por estações que representam determinadas cenas da Paixão, nas quais Cristo, inocente, é condenado à terrível morte de cruz e se torna vítima dos mais torpes sofrimentos.

Mesmo cientes de que Jesus tenha sido condenado por Pilatos, sabe-se que seu julgamento foi iniciado no Sinédrio, em um simulacro de processo de apenas algumas horas, durante a madrugada.

Hoje, outros inocentes também sofrem a mesma condenação, repleta de sofrimento e dor. Embora os carrascos executores das penas vistam-se de jalecos brancos, máscaras e luvas cirúrgicas, o pseudo-processo que os condenou à morte é de responsabilidade de nossa Suprema Corte, que chancelou a tortura de crianças pela incineração química, a chamada assistolia fetal.

Nosso STF, tão diligente e zeloso em pautar, de forma extremamente célere, o julgamento da prorrogação da CPMI do INSS, simplesmente se esquece de marcar o julgamento da ADPF 1141, cuja liminar autorizou o procedimento de assistolia fetal, que vem matando inúmeras crianças acima de 22 semanas de gestação e que, na prática, liberou o abortamento em nosso país.

Por isso, amanhã, Sexta-Feira Santa, sugerimos aos leitores da Gazeta que — caso queiram — meditem piedosamente as estações desta Via Crucis dos Nascituros durante a Via Sacra, unindo o sofrimento deles ao de Jesus, cujas reflexões elencamos a seguir:

1ª Estação – Jesus e os nascituros são condenados à morte

Assim como Jesus, os mais vulneráveis entre os vulneráveis gozam da mais pura inocência, mas nem por isso contam com a complacência da Suprema Corte, que, em um processo completamente desvirtuado, sem nenhum direito à defesa, condenou à morte os bebês acima de 22 semanas, que já têm viabilidade de sobreviver fora do útero materno.

2ª Estação – Jesus e os nascituros carregam a Cruz

Nosso Senhor, sem culpa, carrega o peso de nossos pecados em sua Cruz. As crianças não nascidas, igualmente inocentes, carregam o peso de nossa própria ignorância e da ausência de compaixão ao admitirmos que possam ser assassinadas, seja lá por qual motivo for.

3ª Estação – Jesus e os nascituros caem pela primeira vez

O sentido desta passagem revela-nos a fraqueza física de Jesus diante de tantos flagelos e de tanta opressão. Nossos pequenos bebês, frágeis e sem nenhuma possibilidade de defesa, também não suportam os ataques daqueles que deveriam defendê-los.

4ª Estação – Jesus e os nascituros encontram suas mães

Enquanto a Tradição relata que, no caminho, Jesus encontra consolo em sua Mãe, os pobres nascituros deparam-se com uma triste indiferença daquelas que os geraram, as quais, em verdade, também são vítimas da falácia feminista que defende o aborto, como se a morte pudesse ser solução para alguma coisa.

5ª Estação – Simão Cireneu ajuda Jesus e os nascituros

A figura daquele que ajudou Nosso Senhor no caminho do Calvário está hoje presente nas inúmeras pessoas que se dispõem a lutar contra o mal do aborto e que tentam, das mais variadas formas, salvar as duas vidas: a do bebê e a da mãe.

6ª Estação – Verônica enxuga os rostos de Jesus e dos nascituros

Desfigurada pelos flagelos recebidos, a beleza facial de Jesus estava escondida pelo sangue e pelas feridas. O Sudário de Verônica enxuga o sangue e traz de volta a formosura de sua feição, deixando seus traços registrados no tecido.

Nossos bebês assassinados e ensanguentados também têm seus rostos e semblantes revividos e relembrados nos gestos de pura compaixão praticados por aqueles que se dedicam a rezar por essas pequenas almas vitimadas por nosso egoísmo.

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7ª Estação – Jesus e os nascituros caem pela segunda vez

Passagem que simboliza a exaustão física extrema, a fragilidade e a persistência em continuar, mesmo diante de tanto sofrimento. Jesus nos mostra que, mesmo diante de tanta injustiça e provação, devemos perseverar.

Na defesa da vida, mesmo com os percalços, não podemos desanimar de conscientizar as pessoas a cuidar daqueles que são hipervulneráveis, que não têm como se defender, nem mesmo com um simples grito de socorro.

8ª Estação – Jesus e os nascituros consolam as mulheres

Diante do choro das mulheres de Jerusalém, Jesus as convida à conversão, ao arrependimento sincero de seus erros, demonstrando que, mesmo sob intenso sofrimento, é Ele mesmo o consolador daquelas que d’Ele se compadeceram.

Aquelas mães que leem esta coluna e que, desafortunadamente, já se submeteram a um abortamento, saibam que seus filhos, hoje, as consolam, cuidam e intercedem por elas, pois, no lugar onde estão, não há espaço para ressentimento: somente reina o Amor e o Perdão.

Naturalmente, esse perdão também se estende aos pais que, de alguma forma, participaram da decisão de abortar seus próprios filhos.

9ª Estação – Jesus e os nascituros caem pela terceira vez

Jesus está esgotado não só fisicamente, como também no espírito. Já havia chegado quase ao topo do Calvário, mas o Maligno o ataca pela terceira vez, provocando a última queda de Cristo com sua Cruz.

Esta estação, particularmente, relembra-nos aqueles pobres bebês que já estavam chegando a termo — no cume da vida intrauterina — e que, infelizmente, foram assassinados por médicos que não honram sua vocação de cuidar e salvar vidas.

10ª Estação – Jesus e os nascituros são despidos de suas vestes

Nesta, Jesus é despido de suas vestes, despojado de sua dignidade de homem, antes mesmo da de Filho de Deus.

Na luta pela vida, quantas vezes somos surpreendidos por teses absurdas que tentam descaracterizar os nascituros como algo que não seja digno de nossa atenção e cuidado. De “aglomerado de células” a seres humanos que ainda não seriam “pessoas”, são inúmeras as débeis tentativas de justificar o injustificável, que procuram despir os nascituros de sua dignidade intrínseca.

11ª Estação – Jesus e os nascituros são pregados na Cruz

Unindo-se definitivamente à Cruz, Jesus recebe os três pregos em suas mãos e pés.
A assistolia fetal, chancelada pelo Supremo Tribunal Federal, é uma atrocidade similar à crucificação: por encontrar-se no líquido amniótico, o bebê está em constante movimento, e as filmagens do procedimento indicam que ele tenta se desvencilhar das agulhas de cloreto de potássio, que irão queimar quimicamente o seu coração, causando-lhe a parada cardíaca de forma comprovadamente dolorosa.

Assim como os pregos em Jesus, os protocolos clínicos que promovem a prática da assistolia fetal determinam que as aplicações de KCl sejam feitas em várias injeções no bebê, em pequenas quantidades, para não gerar efeitos adversos à gestante. Essa conduta prolonga o sofrimento fetal de forma inimaginável.

Tantas foram as marteladas dos pregos nas mãos e pés de Jesus quantas são as injeções de ácido na caixa torácica de seus inocentes filhinhos.

12ª Estação – Jesus e os nascituros morrem na cruz

Tal como Nosso Senhor, indefesos e sem nenhuma culpa, os nascituros sucumbem à morte após um longo, torturante e cruel procedimento.

O sacrifício final d’Aquele que se entregou por nós une-se ao sacrifício daqueles pobres bebês inocentes que são mortos por nossa egolatria, que nos impede de enxergar o próximo como nosso irmão.

13ª Estação – Jesus e os nascituros descem da cruz

Perfeitamente intuída na “Pietà de Michelangelo”, depois de ter provado intensamente a solidão da morte, Jesus encontra o mais forte e doce dos seus laços humanos no calor e afeto do colo de sua Mãe, Maria.

Ao invés de consolo, nossos bebês incinerados quimicamente pela assistolia têm ainda que “descer de suas cruzes”. Seus corpos ainda precisam se submeter a um parto, feito por cesariana ou induzido por misoprostol, em um processo que demora horas e traz intenso sofrimento à mãe, que foi iludida pelo mal do aborto; afinal, a ausência de vitalidade dos bebês dificulta sobremaneira a realização do parto, seja qual for o método.

14ª Estação – Jesus e os nascituros são (ou deveriam ser) colocados no sepulcro

Enquanto, no relato bíblico, o corpo de Jesus Cristo encontrou a compaixão de José de Arimateia, que possibilitou seu enterro em um túmulo novo, nunca utilizado, nossos bebês são descartados no lixo por médicos inescrupulosos, que os consideram restos a serem tratados pelas “normas clínicas de gerenciamento de resíduos”.

Ver esses corpinhos jogados no lixo, indubitavelmente, deveria levar-nos à comiseração. Ainda que tenha tido uma existência efêmera, o bebê carrega intrinsecamente sua dignidade e seu valor, que nos impõem o dever de, ao menos, respeitá-lo em seus momentos finais, propiciando-lhe as devidas exéquias — mas não é isso o que vem ocorrendo em nossas maternidades.

Epílogo

Amanhã, Sexta-Feira Santa, dia em que todas as igrejas estarão silenciosas, em que não haverá canto nem música na liturgia e em que nem mesmo se celebrará a Eucaristia, cremos que, ao unirmos nossa meditação sobre o centro de nossa fé — a Paixão e morte de Jesus — ao sofrimento de seus inocentes filhinhos abortados, os corações daqueles que têm responsabilidade por este mal serão alcançados pela luz da Cruz de Cristo, levando-os a repensar seus atos e juízos, que dilaceram a vida dos pequeninos prediletos de Deus.

Que Jesus ressuscitado, fundamento central da fé cristã, ilumine os ministros de nossa Suprema Corte e nos livre do mal do aborto e da odiosa prática da assistolia fetal.

Uma santa e abençoada Páscoa a todas as famílias!

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