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Hoje, a Igreja Católica celebra a Solenidade de Corpus Christi, festa centrada na adoração e no louvor à presença real de Cristo na Eucaristia.
Nos relatos evangélicos, durante a Última Ceia, ao partir o pão, Jesus proferiu a frase: “Isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isso em memória de mim”, revelando ali o propósito salvífico de sua morte.
Para os católicos, naquele momento instituiu-se o Sacramento da Eucaristia, em que, pela transubstanciação, a substância do pão e do vinho se transforma na carne e no sangue de Cristo. Entre os ortodoxos, embora não haja um enunciado dogmático, o entendimento é de que há essa mesma transubstanciação, como uma presença verdadeira, real e substancial de Jesus na Eucaristia.
Os luteranos, a seu turno, compreendem esse momento como consubstanciação, em que as matérias pão e vinho coexistem junto com o Corpo e o Sangue de Jesus. Presbiterianos e igrejas reformadas acreditam que há uma presença real e espiritual de Cristo durante a Ceia, e os batistas e as demais denominações evangélicas (com algumas poucas variações) percebem o instante como a representação de um elemento simbólico e memorial do sacrifício de Cristo na Cruz.
De qualquer forma, independentemente da linha teológica, a Última Ceia é um ponto crucial para a fé cristã. Através de um ato de amor, Jesus diz: “Isto é o meu corpo, que é entregue por vós”: uma entrega total de Si mesmo, o ápice do amor divino, em que Deus se doa pelo ser humano: o sacrifício de seu Filho, que se dá de forma definitiva e suficiente para a redenção da humanidade, substituindo os antigos rituais de expiação e estabelecendo a Nova Aliança entre Deus e os homens.
A respeito desse tema, o filósofo Peter Kreeft fez uma importante observação sobre o antagonismo que encerra o principal slogan feminista que propagandeia o suposto direito de abortar.
Valendo-se das mesmas palavras sagradas proferidas por Cristo, as feministas vociferam os dizeres “Isto é o meu corpo” para justificar suas escolhas e suas “regras”, que pervertem completamente o significado das palavras de Jesus.
Enquanto nosso Senhor Jesus entregou seu corpo para que toda a humanidade fosse redimida e ganhasse vida, as feministas usam a mesma expressão, corrompendo seu sentido, para defender justamente a recusa de entregar seus corpos para gerar uma nova vida
O doar-se de Cristo em favor do próximo contrapõe-se ao egoísmo e à pretensa autonomia absoluta do “meu corpo, minhas regras”, que se julga no direito de até mesmo interromper a existência do nascituro, o qual, tal como Cristo, é completamente inocente.
Com a finalidade última de subverter os pilares morais sob os quais fomos fundados, o movimento feminista se apropria e deturpa uma expressão que é o centro da fé cristã, comprovando, assim, mais uma razão que demonstra a absoluta incompatibilidade entre ser cristão e ser abortista.




