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Autismo e Covid-19
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Com certeza o momento em que vivemos é um propulsor de nossas ansiedades e medos. É difícil acordar diariamente com as notícias de aumentos de casos e mortes pela COVID-19 e começar cada dia repletos de incerteza de quando essa tormenta vai passar. Para famílias com crianças com autismo, a situação se torna ainda mais preocupante. Isso porque, embora crianças autistas não sejam consideradas grupo de risco, as abruptas alterações de rotina provocadas pela chegada da COVID-19 ao Brasil refletem absolutamente na vida de pessoas com TEA.

Grade parte das crianças diagnosticadas com autismo apresentam grande apego à rotina, e podem ter o comportamento e o humor completamente afetados pelas necessárias – e imediatas – mudanças que temos que fazer neste momento. Também devemos ter em consideração a interrupção de atendimentos terapêuticos presenciais tão importantes a essas crianças.

Ficar em quarentena em casa é essencial para todos. No caso de crianças, autistas ou não, há uma grande dificuldade de incorporar nos cuidados básicos comportamentos como não tocar o rosto, não levar a mão à boca, não tocar desnecessariamente em objetos. Já tentou ir com seu filho em algum lugar e dizer “não toque em nada.”? Sim... É praticamente impossível. Procuramos educar nossos filhos com etiquetas de higiene e sociais, mas o fato é que a criança descobre o mundo também pelas mãos, e seria exigir o impossível que nossos filhos simplesmente mantenham as mãos coladas ao corpo sem tocar em nada.

O vírus da COVID-19 deposita-se sobre superfícies que a criança irá inevitavelmente tocar, se estiver fora de casa. Ao levar as mãos ao rosto, ela poderá se contaminar (colocando a mão na boa, passando as mãos nos olhos). Contaminada, além de contrair o COVID-19, a criança torna-se um vetor. Embora as crianças não sejam grupo de risco, não se trata de uma simples gripe, podendo ser, sim, um risco à vida, ou deixar sequelas (como problemas respiratórios permanentes). Não há o que contestar que a melhor maneira de proteger nossos filhos e todos que nos cercam é ficar em casa.

É então que criamos um dilema: ficar em casa é necessário, porém, a ruptura da rotina de uma criança autista pode ser bastante problemática. Bom, devemos passar com sabedoria por esse momento. É possível, sim, amenizar a quebra de rotina. Devemos fazer do limão uma limonada, e utilizar a quarentena para incorporar em nossa vida diária comportamentos que melhorarão nosso cotidiano daqui para a frente, com ou sem o “corona vírus”.

Para ajudar nesse momento tão difícil, estou preparando uma série de postagens que poderão auxiliar a você e seu filho com autismo nesse momento. E a primeira dica que eu posso dar é ESTABELEÇA UM PROTOCOLO. “Como assim, Hanna?”. Calma lá, que eu explico. Você precisa predefinir quais vão ser as regras e as medidas tomadas para cada setor de gestão da sua vida, para cada papel que você e cada membro da família ocupam dentro de casa.

Vamos imaginar que a casa é uma grande empresa. Para a empresa estar sempre limpa e ninguém adoecer, teremos o/a faxineiro/a. Nessa empresa, também haverá o/a estoquista, que guardará as coisas em seus devidos lugares, com a devida higienização. Se os funcionários comem na empresa, teremos que ter o/a cozinheiro/a. Para os funcionários que ficarem sempre saudáveis, haverá o professor de ginástica laboral, etc. Cada funcionário contratado saberá, no momento da contratação, as suas obrigações. Ou seja, se você é chefe de uma empresa, você contratará funcionários conforme a necessidade da empresa, designará a cada funcionário tarefas específicas e as apoiará nas regras da empresa. Se você contrata mais funcionários do que precisa, estará desperdiçando dinheiro e a empresa pode falir. Se contratar menos, a empresa terá problemas de gestão e também pode falir. Da mesma forma, se o funcionário não souber exatamente o que fazer e as regras para fazê-lo, sua empresa estará em risco.

Sua casa agora é uma empresa. O primeiro passo é definir qual o objetivo da sua empresa. Por exemplo: “Que ninguém pegue a COVID-19, que minhas filhas aprendam enquanto estiverem na quarentena, que a saúde de todos melhore a cada dia, que eu continue progredindo no meu trabalho”. Tendo claros os seus objetivos, pense nos seus “funcionários”, ou seja, os papeis que você e seus familiares terão que desempenhar na sua casa. Sabendo sobre os papeis que necessitam ser desempenhados, você precisa definir O QUÊ, POR QUEM, COMO, QUANDO E POR QUE os papeis vão ser desempenhados.

O que vamos comer? Que horas serão as refeições? Quem vai preparar? Como compraremos os alimentos? Como vou armazenar os alimentos? Vou higienizar as embalagens dos alimentos? Vou pedir para entregar ou vou comprar os alimentos na loja?”. Todas essas respostas vão ficar claras quando você desenvolver um protocolo de alimentação. Protocolo de alimentação, protocolo para estudo das crianças, protocolo para seu trabalho, protocolo para limpeza, protocolo caso alguém precise sair de casa... Tendo os protocolos, você está preparado para seu dia e para o que possa acontecer e isso vai diminuir sua ansiedade. O protocolo facilitará que o período domiciliar adeque a rotina para seu filho com autismo e também para toda sua família.

Nos próximos dias, vou começar a informar como desenvolvi (e como estou desenvolvendo) os protocolos aqui de casa. Espero que gostem e, juntos, vamos passar por essa!

Ah! Também vou postar alguns vídeos sobre esses assuntos no meu instagram pessoal e meu facebook pessoal e também nas redes sociais do meu escritório: instagram e facebook

Agora é momento de nos unirmos. Então, vamos partilhar nossas experiências! Converse com outras mães de crianças com autismo (por telefone, hein!), partilhe conhecimento. Sozinhos nunca!

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