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Fornecida por Google imagens - sem restrição de uso| Foto:
Autismo - Imagem fornecida por Google Imagens sem restrição de uso.

Autismo – Imagem fornecida por Google Imagens sem restrição de uso.

Ver, ouvir, se movimentar, cheirar, tocar, degustar. Parece algo tão simples! Mas você já parou para pensar o quanto nosso corpo trabalha para que possamos experimentar essas sensações? Máquina complexa é o corpo humano! Nesse exato momento seus olhos, ouvidos, pele, labirinto, músculos, etc., estão captando os estímulos de nosso meio e enviando essas informações ao nosso cérebro, que transforma tudo isso em cor, forma, som, cheiro e movimento.

Assim, nossas percepções do mundo que nos cerca são captações de estímulos do ambiente e transformações dessas informações em sensações. A imagem que você vê nesse instante não existe por si, mas é uma interpretação de seu cérebro sobre o que está a nossa volta. Parece loucura? Mas, pense por um minuto: se você está num quarto escuro e vê um rato (Deus me livre!), de fato o rato existe e está ali, mas a imagem que você vê dele é uma construção de seu cérebro. Se você fosse uma cobra cascavel você não veria o contorno do rato no escuro, como nós seres humanos. A imagem seria diferente, pois, no decifrar do rato, você teria uma “figura” na qual a temperatura corporal comporia a imagem.

Se você acender a luz para caçar o rato, verá que ele tem um pelo cinza. Porém, se você fosse uma abelha, veria o pelo dele com muito mais tonalidades de cores. A questão é que o rato existe no quarto, mas como ele se parece vai variar para o homem, a cobra cascavel e a abelha. E quem está vendo certo? Todos. Afinal, todas essas imagens são meras interpretações do cérebro de um estímulo externo, sendo que o estímulo existe, porém, a interpretação vai variar conforme os mecanismos de que dispõe o receptor do estímulo (você, no caso).

Mas o que isso tem a ver com autismo? Tudo. Se o que vemos, ouvimos e cheiramos é uma interpretação de nosso cérebro sobre o estímulo, se a interpretação é feita de maneira desregulada, nossa reação àquele estímulo será diversa. Vamos imaginar uma máquina cheia de botões de regulagem (do estilo daqueles que há em alguns ferros de passar roupa, que a gente gira para um lado para aumentar a temperatura e gira para o outro para diminuir; por sinal, gostaria de saber quem inventou que é bonito andar de roupa passada, se passar roupa é algo chato e que demanda tempo; seria mais interessante se o “fino” e “elegante” fosse andar com a roupa toda amarrotada. Vou voltar ao assunto).

Então… Essa máquina cheia de botões de regulagem está ligada a todos os pontos de nosso corpo e recebe os estímulos, os interpreta, para então entendermos o mundo. Se na minha máquina chega um estímulo auditivo e o “botão do som” está no máximo, CABRUM! Escutarei um tremendo barulhão. De fato o som está alto – AO INTERPRETAR DA MINHA MÁQUINA. Mas, e se a máquina da maioria das pessoas ao meu redor estiver com o “botão do som” regulado bem no centro? O que vai acontecer é que todo meu meio vai emitir sons com base no que a maioria escuta e, para mim, será tudo absurdamente alto, pois meu botão está no máximo. Essa a ideia.

A pessoa típica terá uma interpretação do ambiente, porém alguém que tenha um botãozinho com regulagem diferente do que dizemos típico vai perceber esse estímulo de maneira diferente. E – mais importante – obviamente que perceber esse estímulo de maneira diferente vai interferir na nossa forma de reagir e interagir com o meio.

Por exemplo, se meu botão do som está no máximo e estou em um ambiente público, onde todos se orientam por um botão que está no médio, eu vou tapar meus ouvidos, pois tudo estará extremamente barulhento para mim. Se meu botão tátil está no mínimo, eu não vou saber lhe dizer se minha roupa é áspera ou não. Se meu botão de luz está no máximo, a luz forte pode me deixar extremamente irritada. Essas ideias nos permitem entender um pouco melhor o que é alteração no mundo sensorial.

A interpretação, organização e memorização dos estímulos sensoriais que nos cercam influenciam como percebemos e agimos no meio. Se há uma alteração nesse âmbito em relação ao que podemos dizer “típico”, evidentemente que alterações de comportamento serão reflexos. É bastante comum que autistas tenham alteração do mundo sensorial e lidar com isso é sempre um desafio, principalmente porque os locais de convívio social não foram pensados para esse tipo de questão.

A primeira coisa a ser feita é uma avaliação (com médico e/ou terapeuta ocupacional) para identificar se há esse tipo de alteração sensorial. Se identificada, a criança deve ser levada a tratamento (Sim! Existe tratamento!), sendo geralmente indicada a Terapia Ocupacional por Integração Sensorial.

Mas o mais importante é perceber que, quando seu filho leva as mãos aos ouvidos, como que querendo afastar o barulho, se ele chora quando acendem uma luz muito forte ou se ele se esquiva de um abraço, não se trata simplesmente de uma birra, manha ou mera chateação. É possível que, enquanto você acha que o som está baixo, para ele o que está acontecendo é um verdadeiro show de Rock ‘n Roll em que ele está com o ouvido pregado na caixa de som; ou ainda, mil holofotes bem no olho dele; ou quem sabe um atrito de pele tão intenso e forte que se torna desagradável e parece que queima.

Tão importante quanto tratar é respeitar as dificuldades e o tempo de cada criança, não submetendo-a desnecessariamente a estímulos que podem ser insuportavelmente aversivos. E – PELO AMOR – nada de tentar tratamentos de choque, com a ideia de que aos poucos a criança se acostuma, pois não é questão de algo que se acostuma, mas de uma interpretação alterada de estímulos que merece ser olhada com carinho e acompanhamento de profissional da área de saúde.

Informe todas as pessoas que cuidam e têm contato constante com seus filhos sobre o tema. Não tenha medo de ser chato em falar da questão mil vezes se for necessário. Afinal, é como eu sempre digo: Melhor ser visto como um pai chato e ter uma criança feliz, do que ser considerado um pai legal e tranquilo e ter a criança sofrendo. Tá… Eu não “sempre digo” isso (na verdade, é a primeira vez). Mas é ou não é verdade?

 

Nos próximos dias trarei no blog informações sobre MUNDO SENSORIAL e AUTISMO. Então, para ler mais sobre o tema, fique atento às próximas postagens!

Grande beijo!

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