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Escolas vão desempenhar papel importante na retomada pós-Covid
Escolas vão desempenhar papel importante na retomada pós-Covid| Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo

Minha ideia era realizar um diário para auxílio das mamães que estão iniciando (ou não) nessa jornada de descoberta sobre como lidar com a maternidade especial e como enfrentar esse momento tão delicado. Porém, é difícil orientar quando você mesma está tentando descobrir saídas para lidar com o momento e, por isso, me permiti sumir um pouquinho. Agora, com a vida um pouco mais organizada, fica mais fácil continuar a informar as medidas que adotei aqui em casa e o que deu certo.

Como disse na postagem anterior (clique aqui), a primeira coisa que desenvolvi na quarentena foi um método prático para lidar com as compras, pedindo produtos em casa e esterilizando-os de maneira eficaz, barata e rápida. O segundo desafio que enfrentei e contra o qual tive que desenvolver um método foi o ensino à distância. E, confesso, isso quase me levou à loucura.

Bom, essa é nossa jornada de hoje.

Inicialmente, minha ideia foi simplesmente continuar a realizar as atividades da escola com a Gabi, mas isso não deu certo. Ao estudar com ela, comecei a perceber de forma mais intensa que a adaptação deveria ser mais profunda, mais intensa. Aulas on-line são um grande desafio, não só para manter a atenção, mas porque é muito difícil fazer a adaptação com a criança ao mesmo tempo em que assistimos a uma aula em vídeo que é focada em aprendizagem neurotípica. Fiquei perdida, confusa.

Até que finalmente entendi. Não poderíamos continuar daquela forma. O aprendizado deveria ser efetivo, deveria ser real e não doloroso. Então, comecei uma jornada. A primeira coisa que fiz foi interromper os estudos com minha filha e, por uma semana e meia, estudei incansavelmente apostilas anteriores e relatórios terapêuticos. Em seguida, dei o primeiro passo: fiz uma lista de duas colunas - na primeira, coloquei os conteúdos de maior dificuldade ou que minha filha não estava conseguindo acompanhar. Na segunda, coloquei os conteúdos que ela tinha completo domínio.

Depois, peguei os conteúdos que ela tinha maior dificuldade e elaborei uma hierarquia de dificuldades. Comecei então a conversar com a equipe terapêutica sobre como trabalhar esses temas e construi um material adaptado, complementar, diferente do material escolar e focado nas três maiores dificuldades. E assim fiz:  dia após dia, trabalhando nas dificuldades. Primeiro as três maiores dificuldades, trabalhando até que se tornassem mais brandas. Atingido esse objetivo inicial, passei para as três seguintes. Contudo, percebi que não era o suficiente.

Às vezes pode levar meses – e até anos – para enfrentar certas dificuldades e eu não poderia “empacar” o ensino da minha filha em virtude disso. Então, percebi que eu precisava ver uma forma de avançar com a matéria enquanto trabalhava nas dificuldades, fazendo isso sem que minha filha criasse resistência em estudar comigo. Foi então que passei a fazer uma readaptação completa do material escolar, reestruturando toda a apostila e elaborando materiais de apoio. Para fazer isso, é muito importante que você tenha acompanhamento da equipe terapêutica de seu pequeno.

O problema é que, a partir de então, eu tinha tanta, tanta, tanta coisa para aplicar (estudar) junto com minha pequena que, nem se ela ficasse das oito da manhã às oito da noite comigo, seria possível darmos conta. Então, precisei repensar tudo novamente e surgiu a idéia: agrupar conteúdos, o que me levou a uma nova adaptação de material. Ficou complicado? Vou explicar!

Por exemplo, vamos supor que, em Ciências, você deva trabalhar o conteúdo sobre “ar” e uma dificuldade de seu filho é o desenvolvimento motor fino. Ao invés de falar por quinze minutos sobre o “ar” e fazer mais quinze minutos de atividade motora fina, é possivel juntar as duas coisas. Abordar o conteúdo “ar” por meio de desenhos em que você incentivará seu filho a pintar dentro da linha; fazer questões sobre o ar que, no momento de escrever, a criança seja estimulada a dar a resposta verbal e, depois, passar por cima de uma resposta pontilhada que você apresente para ela.

Aí sim! Bom... Ao menos foi isso que eu pensei. Ledo engano. Quando fui aplicar com a Gabriela, vi que estava chato. Ou seja, em resumo: percebi que tinha que focar em temas de dificuldade, avançar com a matéria, agrupar conteúdos e ainda fazer isso de forma divertida. E foi aí que eu percebi o quão importantes são as vivências. Aplicar exercícios escritos e explicar o conteúdo verbalmente não é o suficiente, mesmo usando um material adaptado. É preciso que a criança realize atividades de vivência que sejam interessantes e estimulantes.

Montar vivências parece ser simples, mas não é. Por exemplo, se você for tratar os estados físicos da água, você até pode mostrar um cubo de gelo derretendo ou colocar água para ferver. Mas, para prender a atenção dos seus pequenos, é necessário mais que isso. Uma ideia, utilizando o exemplo dos estados físicos, é fazer uma receita de picolé que leve vários ingredientes, fazer gelo com corante e usar para colorir uma folha de papel enquanto derrete. Eduativo e estimulante, esta é a chave.

Diante dessa jornada eu montei uma estrutura de ensino em casa que tem dado certo e tem feito minha pequena aprender MUITO. E que eu espero que funcione para vocês.

PASSO 1: Conhecer os pontos fracos e fortes, fazendo uma lista das maiores dificuldades e das melhores habilidades.

PASSO 2: Produção de materiais adaptados (preferencialmente com escola e terapeutas) nos quais cada atividade prestigie o trabalho de um conhecimento novo e um ponto fraco ao mesmo tempo. É muito importante você definir quais são as metas de cada ponto trabalhado, tanto referente ao dia de atividade, quanto a longo prazo.

PASSO 3: Dividir a quantidade de material adaptado realizado por dia e desenvolver uma viviência para cada material adaptado.

COLOCANDO UM “PLUS”: Estruture brincadeiras que estimulem questões trabalhadas em casa.

Ainda parece muito confuso? Então vou usar como exemplo o que eu apliquei com minha pequena hoje:

PROGRAMA DE ATIVIDADES DA GABRIELA 15/07/2020

DIFICULDADE TRABALHADA: Motora fina – especialmente para melhoramento da letra, tornando mais legível o conteúdo do que ela escreve.

MATÉRIA NOVA: Importância dos sinais de trânsito.

CONTEÚDO: (1) 10 minutos de explicação, (2) 20 minutos de atividade da apostila adaptada, utilizando linhas de livros de caligrafia para auxiliar na caligrafia, (3) (25 minutos) Atividade de desenho de placas de trânsito, com objetivo de escolher uma placa, desenhar e pintar sem sair da linha, (4) 30 minutos de passeio de carro (sem sair do carro), mostrando para ela as placas de trânsito, semáforos, faixas de pedestres, utilizando máscara para adaptação sensorial, (5) 30 minutos brincadeira de fazer pulseiras de miçanga para treinar motora fina. (6) questões on-line com o aplicativo Quiz Maker (5 minutos – repetidas diariamente).

TEMPO TOTAL: 2 horas

Nas próximas postagens, vou dar dicas de algumas atividades que funcionam suuuper bem e são divertidas e fáceis de fazer em casa.

Fiquem seguros! E tenham a certeza... VAI PASSAR! TUDO ISSO VAI PASSAR!

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