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O ministro da Economia, Paulo Guedes| Foto: José Cruz/Agência Brasil

Dezembro é tradicionalmente o mês em que políticos, economistas e analistas em geral desfilam previsões para o ano seguinte, cientes do grande risco de cometer mais erros do que acertos. Para 2021, as previsões foram tremendamente erradas. A começar pela convicção geral de que não havia como superar 202o em termos de notícias ruins. E, em muitos aspectos, acabou superando. Ficou a lição de que nunca se deve dizer, como fizemos no final de 2020, que não há como o ano seguinte ser pior do que o atual.

Dentre as previsões erradas, as mais indesculpáveis são aquelas que ignoram dados concretos e evidentes que as desmentem de imediato. A mais trágica, sem dúvida, foi a de que a pandemia estava acabando. Essa previsão foi espalhada aos quatro ventos pelo presidente Jair Bolsonaro em dezembro de 2020, sustentada em uma estranha matemática segundo a qual 333.028 é um número menor do que 319.653, conforme relatei aqui.

Até aquele momento, 190.000 brasileiros já haviam morrido de covid-19. Outros 428.000 ainda viriam a morrer ao longo de 2021. A previsão errada de que a pandemia estava chegando ao fim pautou as políticas públicas do governo, tanto nas políticas sociais (com um hiato de vários meses no pagamento do auxílio emergencial), quanto de saúde pública ("a pressa da vacina não se justifica", disse o presidente Jair Bolsonaro na ocasião, após garantir que a pandemia estava acabando).

Na área econômica, foi um carnaval de previsões erradas — com apenas uma possibilidade de acerto importante. A equipe econômica do governo federal previu uma inflação anual de 3,2% em 2021. Acabou fechando o ano com uma prévia de 10,42% (medida pelo IPCA-15), a maior alta inflacionária desde 2015, com os impactos terríveis e conhecidos sobre o poder de compra da população.

Em relação aos juros, a equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, projetou uma taxa média da Selic em 2,1% para 2021. Com as constantes altas, chegando a 9,25% na última reunião do Copom, diante da necessidade de conter a inflação, a média do ano deve ficar em 3,8%. Bem acima do previsto.

A projeção para o crescimento do PIB, porém, pode se provar acertada — ou errada, mas para melhor. No final de 2020, os especialistas do governo previram um incremento de 3,2% no PIB em 2021. Segundo as últimas pesquisas divulgadas pelo Banco Central, porém, é possível que o resultado seja até superior, de 4,5% — levando o Brasil de volta ao patamar pré-pandemia.

A previsão dos especialistas para 2022, porém, é de estagnação econômica. O que, combinado com a inflação alta, cria um cenário terrível. Mas é melhor não se arriscar em querer saber o que vai acontecer em 2022.

Nem mesmo se vai ou não superar 2021 em más notícias para o país. Só nos resta estar preparados para o que der e vier.

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