
Quando temos a tarefa de contribuir para que outra pessoa compreenda determinada ideia, é necessário, além de dominar o conceito pretendido, compreender as questões subjetivas que permeiam as relações humanas. Ser um doutor em determinada disciplina não significa necessariamente ser um bom professor, pois para isso será necessário ter habilidades e atitudes coerentes com a tarefa de ensinar.
Exemplifico com o depoimento de uma aluna para uma professora, que na época tivera sua primeira experiência como docente. A jovem disse a ela: “Nós percebíamos que você não sabia tanto da matéria como os professores com mais experiência, mas a sua dedicação e vontade de nos ensinar em cada aula fez com que nós aprendêssemos muito contigo e por isso a escolhêssemos para ser a professora homenageada da turma”. Essa professora sonhava em dar aulas para os jovens daquela universidade e na sua primeira oportunidade fez o melhor que pode para que seu objetivo alcançado fosse mantido.
Infelizmente, exemplos opostos também acontecem todos os dias nas salas de aula, da educação infantil ao ensino superior. Quantos gênios, às vezes até com diplomas de mestrado ou doutorado, chegam a suas turmas sem a menor vontade de transmitir conhecimentos aos alunos? Quanto tempo e oportunidades de aprendizado são desperdiçados por profissionais que cumprem seus horários, mas entregam pouco daquilo que deveriam?
Ensinar vai além de saber o conteúdo. É preciso vontade e intenção de ajudar o outro a compreender um conceito que para ele ainda não é claro. Quando essa motivação interior existe, o educando sente pelo brilho do olho, tom de voz, linguagem corporal e em uma soma de pequenos atos que ocorrem aula após aula. Essa intenção de quem conduz o grupo, expressada nos seus atos, tende a se refletir nos alunos e proporciona um ambiente mais harmônico e consequentemente mais propício para boas aprendizagens.
Compreendo que ser professor no Brasil é uma missão muito difícil por problemas estruturais complexos que vão desde os baixos salários à falta de estrutura nas escolas. Ao mesmo tempo, em todas as escolas existem alguns educadores que, mesmo com todas as dificuldades, conseguem manter o brilho no olhar e cumprir bem sua tarefa. Deixo aqui o reconhecimento a esses heróis anônimos tão bem intencionados!
>> Este artigo foi escrito por Luciano Diniz, coordenador geral da Associação Gente de Bem, instituição que desenvolve formações para adolescentes, educadores e familiares baseadas nas concepções de educação integral transformadora.
>> Quer saber mais sobre educação, mídia, cidadania e leitura? Acesse nosso site! Acompanhe o Instituto GRPCOM também no Facebook: InstitutoGrpcom








