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Como a educomunicação e a educação midiática se relacionam?
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A educação utiliza, há muito tempo, ferramentas da comunicação para tornar seus conteúdos acessíveis a um número maior de alunos. Foi assim com Freinet, ao utilizar a imprensa e o jornal impresso para ensinar seus alunos no fim da Primeira Guerra Mundial. De forma similar, com o apoio de um gravador manual, o argentino Mário Kaplún gravava as opiniões dos estudantes das comunidades rurais em fitas k-7 nos anos 1980 para que todos pudessem ouvir, favorecendo o diálogo e a construção do conhecimento entre professores e alunos.

Nas últimas décadas, com a infinidade de recursos tecnológicos que a educação utiliza para atender suas demandas, como lousas digitais e ambientes virtuais, um campo de intervenção surgiu como apoio para enfrentar os desafios de um mundo cada vez mais conectado e para dar suporte a estudantes, educadores e a sociedade em geral: a educomunicação.

A educomunicação tem como grande desafio aproximar a comunicação da educação e a educação da comunicação. O conceito de educomunicação entendido por Ismar de Oliveira Soares, professor titular da Universidade de São Paulo (USP), é que se trata de um campo teórico-prático que propõe intervenções a partir de algumas linhas básicas, como a educação para a mídia, o uso das mídias na educação, a produção de conteúdos educativos, a gestão democrática das mídias, a prática epistemológica e experimental do conceito. Há quem a entenda como uma maneira de ampliar o diálogo, a participação e a criatividade em espaços formais e informais de ensino, colocando o aluno como protagonista de suas produções e criações midiáticas.

No Brasil, a educomunicação tem forte atuação em espaços não formais de ensino, como organizações não governamentais e núcleos acadêmicos. A ação desses grupos foi fundamental para a adoção de políticas públicas que possibilitaram a existência de projetos como o Educom.rádio, da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo. O projeto, desenvolvido em 455 escolas da rede pública da cidade no início dos anos 2000, levou, mediante o planejamento e uso colaborativo dos recursos da comunicação, a prática da produção midiática para crianças do ensino fundamental. Isso se deu por meio da criação de emissoras de rádio ou mini estações de TV, conduzidas por crianças de 6 a 14 anos de idade.

Já a educação midiática é a capacidade de ler criticamente e de participar de forma ativa do mundo conectado. Ao passo que hoje temos contato com uma quantidade absurda de informações a todo instante, como nunca antes na história, é preciso saber lidar com isso. Não basta mais ler o que chega às nossas mãos, é preciso interpretar intenção, autoria e contexto, além de dominar as ferramentas e as linguagens que nos permitem ter voz no ambiente midiático.

Para isso, a educação midiática desenvolve habilidades como a análise crítica da mídia, a cidadania digital, a participação cívica, a fluência digital, a autoexpressão e o letramento da informação.

EducaMídia, programa de educação midiática do Instituto Palavra Aberta, acredita que a capacitação dos jovens para viver na sociedade da informação acontece por meio de seus educadores. Assim, busca desenvolver nos professores, por meio de formações, recursos e projetos, novas abordagens pedagógicas proporcionadas pelas tecnologias de informação e comunicação, promovendo uma cultura de aprendizagem que estimula a curiosidade e o aprendizado contínuo. A ideia é criar para aprender: por meio de experiências engajadoras, os estudantes são levados a participarem de maneira crítica, ética e responsável de suas comunidades e territórios.

Buscando a transformação social, a educomunicação dialoga com a educação e a comunicação e fortalece projetos colaborativos que questionam de que forma a comunicação acontece. Além disso, se preocupa com a garantia do direito universal à comunicação e à expressão. São temas muito importantes para a educação midiática que ampliam esses objetivos para dar conta da sociedade hiperconectada em que vivemos hoje. Por meio de ambas é momento de unirmos forças, conceitos e conhecimentos para enfrentarmos os desafios que a desinformação e outros fenômenos prejudiciais para a democracia nos impõem.

Elisa Thobias é formada em Educomunicação pela Universidade de São Paulo (USP). É analista de comunicação do Instituto Palavra Aberta 

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