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Educação midiática é uma tarefa de toda a escola
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Com o crescimento do complexo fenômeno da desinformação, é impossível negar a urgência da educação midiática no Brasil e no mundo. É cada vez mais necessário criar iniciativas que eduquem as populações para que aprendam a lidar com o excesso de informações, tirando o melhor proveito delas tanto na vida individual quanto na coletiva. Para isso, é preciso garantir que as crianças e jovens desenvolvam, desde cedo, as habilidades de ler criticamente e participar, de forma ativa e crítica, do mundo conectado.

Mas como envolver a comunidade escolar fazendo com que todos os atores que a compõem entendam a relevância de ser midiaticamente educado, tomando consciência da importância da escola nesse processo? Diretores, coordenadores, professores, alunos e familiares: como incentivar a participação deles?

Esse envolvimento pode ocorrer de diversas formas. Os diretores escolares, por exemplo, têm um papel fundamental na disseminação da educação midiática, liderando atividades e eventos com essa temática. Organizar uma semana dedicada às mídias é uma excelente oportunidade para convidar profissionais de imprensa da região da escola para contarem um pouco de seu trabalho. Isso tornará a relação com a mídia local mais estreita, especialmente se pais e mães de alunos estiverem envolvidos nesse processo.

De maneira similar, propor a produção de um jornal, programa de rádio ou vídeo é uma forma de incentivar a expressão de crianças e jovens em diversos formatos de mídia. Muitas escolas já têm essa iniciativa e utilizam softwares gratuitos de edição para suas produções. Elas revelam talentos e promovem a comunicação nas escolas e nas comunidades que pertencem. Um exemplo é o projeto Imprensa Jovem da cidade de São Paulo, iniciativa premiada internacionalmente pela UNESCO.

Promover formações que contemplem os pilares da educação midiática para a equipe pedagógica também é um ponto de partida interessante. É importante que os educadores tenham em mente que buscar informações confiáveis, identificar tipos de mensagens e reconhecer e empregar corretamente técnicas de comunicação são habilidades que podem ser desenvolvidas em qualquer disciplina curricular.

Portanto, incluir a educação midiática no planejamento escolar é uma tarefa que os coordenadores pedagógicos também podem apoiar, especialmente se for nos horários de trabalho coletivo e reuniões pedagógicas. Reunir a equipe para discutir o tema pode ser muito proveitoso para mostrar como esse é um assunto transversal, que dialoga com todas as áreas do conhecimento. O uso das informações disponíveis nas mídias com intencionalidade, provocando o consumo e a produção consciente por parte dos alunos, é a maneira mais eficaz para que os educadores trabalhem a educação midiática.

A orientação quanto ao processo de investigação e produção de conteúdo em sala de aula pode ficar sob responsabilidade do professor. É importante que as turmas sejam orientadas quanto ao uso de fontes seguras, a como construir um argumento eficiente e ao direito de uso de imagens. Com apoio da coordenação e da direção, os educadores podem criar uma infinidade de atividades para aplicar nas aulas.

No site EducaMídia está disponível gratuitamente o material “A escola e as mídias”, para que os docentes possam avaliar se suas práticas estão alinhadas à educação midiática. O Baralho de Criação de Atividades também está disponível no mesmo site e pode ajudar educadores a desenvolver exercícios de acordo com suas disciplinas.

Por fim, os estudantes também têm seu papel na disseminação da educação midiática nas escolas. Ao se envolverem em atividades de participação cívica, como a organização do grêmio estudantil, por exemplo, estarão aptos a utilizar suas vozes em prol da construção de um mundo melhor, explorando problemas comuns, encontrando e avaliando informações, escutando e respeitando diversas opiniões, e dialogando e buscando soluções por meio de fontes sólidas. Tudo isso pode ser feito por meio de mídias.

As famílias também podem ser envolvidas nesse processo. O incentivo ao desenvolvimento de uma relação saudável com as redes, já que os alunos passam muito tempo expostos às telas, é de extrema importância. Os responsáveis podem ajudar conversando sobre propagandas apelativas, possíveis golpes virtuais, jogos violentos e regulando o tempo de uso.

Preparar as crianças e jovens para que aprendam com senso crítico, promovendo o diálogo e a reflexão, é tarefa de toda a comunidade escolar. Somente com a união de todos os atores dos sistemas de ensino é que conseguiremos despertar na sociedade a urgência de ser cada vez mais midiaticamente educada.

Elisa Tobias é educomunicadora formada pela Universidade de São Paulo (USP), analista de comunicação do Instituto Palavra Aberta e colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia. 

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