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O ENADE e a estratégia avaliativa em prol da qualidade do ensino superior

(Ilustração: Benett) (Foto: )
(Ilustração: Benett)

(Ilustração: Benett)

O Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (ENADE), que integra o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), foi muito debatido no final do ano passado. Na época, a divulgação das notas do Exame acabou seguindo o roteiro dos anos anteriores: destacando os cursos que ficaram abaixo ou acima da média, como se os conceitos de 1 a 5 fossem uma nota de prova.

Entretanto, precisamos ter um pouco mais de cuidado ao analisar este tipo de avaliação externa.

Isso porque, em primeiro lugar, como já mencionei mais de uma vez, uma prova (seja ela do PISA, ENEM, ENADE, etc.) é apenas um dos elementos a serem levados em consideração. No caso do ENADE, não podemos concluir automaticamente que um curso é bom ou ruim mas, sim, que ele foi melhor ou pior que um curso igual oferecido por outra instituição.

Claro que ele tem a sua importância. Para o aluno, o Exame, que é obrigatório, pretende mostrar a valorização da instituição no mercado de trabalho, na medida em que os cursos são bem avaliados. Já para as instituições de ensino, além do prestígio acadêmico, uma das maneiras de utilizar os resultados da prova é usá-lo, por exemplo, para analisar questões pedagógicas e reorientá-las, quando este for o caso.

Vale lembrar também que os cursos bem avaliados garantem à instituição a continuidade de concessão de bolsas PROUNI para alunos que queiram ingressar no curso.

De qualquer maneira, mesmo tendo a certeza de que este Exame, por si só, não mede a qualidade da formação oferecida por uma faculdade ou universidade, é possível tirarmos uma lição: as instituições de Ensino Superior podem e devem melhorar continuamente. Mas isso deve ser feito com o objetivo de promover a qualidade da formação oferecida e não apenas visando bons resultados em uma prova. Até mesmo porque o ENADE é organizado de  modo a exigir raciocínio, interpretação (de textos, gráficos, imagens), busca de soluções para problemas, tomada de decisão, entre outros. Tudo isso em uma perspectiva interdisciplinar e contextualizada. Habilidades, estas, que são demandadas pela vida atual, principalmente no mercado de trabalho. Por isso, as instituições de educação precisam repensar o modo como abordam os conteúdos no decorrer da graduação. Isso porque, ao longo da história da educação brasileira, o Ensino Superior mudou e expandiu.

O Ensino Superior precisa repensar o encaminhamento metodológico dado aos conteúdos, da mesma forma que deve analisar o método de avaliação praticado. Os docentes precisam ter em mente que tomar o conhecimento como ferramenta para compreensão do mundo é essencial e que não se ensina a fazer isso apenas pela memorização.

Para alcançarmos o sucesso dentro das salas de aula, os temas devem ser tratados a partir da inserção na prática social, de maneira dialógica e dialética, favorecendo que o estudante supere o senso comum e possa relacionar os conhecimentos em relação ao real.

Portanto, mais do que ser referência por meio de uma nota, o ENADE pode se tornar uma ferramenta em prol da qualidade do ensino, induzindo as faculdades e as universidades a repensarem a metodologia de ensino e de avaliação.  Só assim ele será um instrumento de real mensuração no nosso país.

Inge Suhr é doutora em Educação, professora e coordenadora pedagógica do Centro Universitário UNINTER, instituição associada ao Sinepe/PR (Sindicato das Escolas Particulares do Paraná).

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