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A obra da escravidão.
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Joaquim Nabuco, abolicionista,  dizia que de nada adiantava acabar com a escravidão sem acabar com a obra da escravidão. A liberdade , em 1888, aconteceu quando a população de escravos era de apenas 5% da população nacional . Ou seja, depois de 300 anos de exploração insana, uma raça exaurida ganhou a liberdade como quem recebe a migalha do patrão enfastiado.

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Foi-se a escravidão, ficaram os negros como símbolo de uma era que a elite republicana queria apagar da memória. As teses eugenistas estavam na moda e o branqueamento era a “salvação” para o país almejar um lugar entre as nações “civilizadas”. A república tornou  todos cidadãos mas, além das mulheres, vetou o voto dos analfabetos . Em tempo: 98% dos negros adultos eram analfabetos. Só a  Constituição de 88  devolveu o direito que até 1881 qualquer meeiro ( branco)  podia exercer mas que o voto “universal” soube ocultar. Analfabetos – quase todos negros – não podiam votar !

Hoje, todas as estatísticas  econômicas e sociais são desfavoráveis aos negros. Todas. Isso não é um acaso. Todas, é só olhar o censo. A obra da escravidão continua a dar frutos e a inclusão, resgate histórico  e urgente de direitos negados, feita a fórceps.

A luta da população negra é pela cidadania negada. O país deve oferecer para todos os benefícios possíveis pelos quais pagamos impostos e trabalhamos duro. Não é possível, no momento do reparte, a cor da pele ser um filtro deflacionário. Mulher negra então, pro fim da fila!

Isso é simplesmente inadmissível. E se muitos não pensam assim, cabe ao Estado restituir a isonomia, tratando diferentemente os diferentes para garantir direitos iguais para todos.

Mas esse é um país no qual cada direito implica uma ofensa a um privilégio. E por isso é preciso combater os privilégios no limite da necessidade de garantir os direitos. Ninguém deve ser proibido de prosperar, mas todos devem ter as mesmas oportunidades para prosperar. Quando as estatísticas  mostram que brancos e negros possuem oportunidades diferentes, isso está errado, não por ser um de “uma raça” e outro de “outra raça”.  Esta errado porque  não é democrático.

O dia da consciência negra não é um dia para assistirmos rodas de capoeira ou mostras de arte afro, embora arte e cultura é pra se ver todo dia. O dia da consciência negra é para lembrar que esse dia não deveria existir, mas enquanto existirem diferenças econômicas, sociais e educacionais entre pessoas por causa da herança maldita da escravidão e da obra da escravidão, o que não deveria  existir é o dia da República. E deveriam criar o Dia da Vergonha.

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