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Entrevista

Do Val: derrota de Moraes começou e Mendonça está protegido pelos EUA

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As novas revelações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, colocaram novamente a atuação do ministro no centro do debate político. A decisão do ministro André Mendonça de levantar o sigilo de documentos relacionados ao caso e as informações que vieram a público sobre mensagens entre Moraes e Vorcaro ampliaram a pressão sobre a Corte.

Entre os novos elementos estão uma mensagem em que Vorcaro teria perguntado a Moraes se deveria deixar o país antes de uma eventual prisão, além de informações sobre contratos milionários envolvendo o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Também vieram à tona relatos sobre relações entre Vorcaro e integrantes do círculo de autoridades próximas ao caso.

Em entrevista à Entrelinhas e ao programa Sem Rodeios, o senador Marcos do Val avaliou que a decisão de Mendonça representa uma mudança importante dentro do STF. Para ele, o cenário atual é resultado também da pressão exercida pelo governo dos Estados Unidos sobre autoridades brasileiras após a aplicação da Lei Magnitsky contra Moraes.

Entrelinhas: O ministro André Mendonça decidiu levantar o sigilo de uma investigação que envolve as relações entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Como o senhor avalia esse movimento?

Marcos do Val: Nós temos que dividir isso em dois tempos. Um tempo quando o Alexandre de Moraes tinha um poder total, principalmente com a Polícia Federal, que era praticamente dele, todo mundo dizia isso, e o papel de agora é do André Mendonça. Então, essa mudança ocorreu exatamente quando o Alexandre de Moraes entrou para a Magnitsky e, na negociação para retirá-lo, ficou, então, condicionada a ação do governo americano para o trabalho de combate ao crime no Brasil. E esse movimento blindou o André Mendonça.

Entrelinhas: O senhor considera que as sanções americanas alteraram a correlação de forças dentro do STF?

Marcos do Val: Hoje o André Mendonça está com essa força, ele está com esse trabalho fantástico, transparente, dentro da Constituição, sendo um legalista e há várias unidades de inteligência do governo americano trabalhando junto com o André Mendonça.

Entrelinhas: O senhor teme que André Mendonça possa sofrer algum tipo de retaliação por avançar nessas investigações?

Marcos do Val: Com toda a certeza. Eu temo por uma parte, mas eu fico tranquilo por outra, que quando o governo americano atua junto a um trabalho dessa magnitude, o governo americano dá todas as seguranças possíveis.

Se ele estivesse sozinho, tentando combater o sistema, já teria acontecido alguma coisa, não teria chegado até aqui, não teria tanta coragem de colocar a público.

E dou parabéns à Polícia Federal, a parte boa da Polícia Federal, que estava calada e sendo perseguida também, pela parte podre da Polícia Federal e que hoje está tendo coragem de confrontar o algoz do Brasil durante três anos.

Entrelinhas: O senhor acredita que outros ministros do STF podem se afastar de Moraes diante dessas revelações?

Marcos do Val: Daqui para frente, é o Alexandre se apequenar e os outros ministros começarem a se afastar dele para também não serem contaminados.

Entrelinhas: Entre as novas informações, Vorcaro teria perguntado a Moraes se deveria fugir antes da prisão. O que mais chama a atenção do senhor nesse conjunto de revelações?

Marcos do Val: Eu vejo de forma muito positiva. Eu fui o único senador perseguido na história do Congresso Nacional, com perseguições, sem embasamento constitucional nenhum, reconhecido por órgãos internacionais como perseguido político.

Eu já falei para todo mundo sobre as ilegalidades dele, mas todos sempre com muito medo do Alexandre. Eu sabia que isso não ia durar muito tempo, por conta também do meu trabalho desde 2019 com o Marco Rubio, quando era ainda senador nos Estados Unidos e trabalhava na área de inteligência.

Quis Deus colocar ele como secretário de Estado no governo Trump, que começou o trabalho do governo americano de confrontar os governos socialistas que tentaram golpes através das supremas cortes.

Entrelinhas: O senhor entende que Vorcaro acreditava estar protegido por sua relação com Moraes?

Marcos do Val: O algoz, o que todo mundo temia, o cara que fez esse contrato, estava certo de que ele seria avisado com antecedência, que Alexandre de Moraes não ia fazer nada contra ele.

E realmente não fez. Pelo contrário, fez a favor, né? Foi quase sócio. Então, isso já é notório.

Entrelinhas: Como o senhor interpreta os contratos milionários envolvendo o escritório de Viviane Barci de Moraes?

Marcos do Val: O primeiro contrato foi feito em janeiro de 2024, no auge do poder de Alexandre de Moraes. Vorcaro preferiu pagar, porque o homem mais poderoso do Brasil já estava com ele.

Entrelinhas: O senhor acredita que a divulgação dessas mensagens muda o patamar das denúncias que já vinham sendo feitas contra Moraes?

Marcos do Val: Esse momento é um momento histórico, porque nós estamos tendo de fato uma realização de um sonho de ver o Alexandre de Moraes, realmente, começando a ser desvendado.

Ele estava com essa certeza de que teria sua impunidade, que continuaria com o poder, e agora a gente vê um outro cenário.

Entrelinhas: O senhor acredita que as novas informações já justificariam uma investigação contra Alexandre de Moraes?

Marcos do Val: Tem muita coisa para acontecer ainda. Lá na frente, essas notícias vão ser a justificativa para que o governo americano imponha novamente a Magnitsky.

Mas nós só vamos ter um outro país depois das eleições, onde vai entrar a maioria no Senado, não só de direita, mas tem que ser de direita combativa, para então impichar o Alexandre e fazer o trabalho que cabe ao Senado Federal.

Entrelinhas: O senhor pensa que o Senado atual não tem força ou disposição para enfrentar Alexandre de Moraes?

Marcos do Val: O local de fato onde deveria frear o Alexandre era dentro do Senado Federal. Só que há políticos de carreira, de muitos anos, que respondem a mil processos. Alguns até bizarros, de perseguições políticas, outros de corrupção. O Alexandre usava isso como chantagem.

“Olha, se faltar, se assinar impeachment, eu vou colocar, vou tirar da gaveta o seu processo e nós vamos julgar da forma que eu desejar, porque eu julgo de forma monocrática”, né?

Então, o STF precisa de fato ter essa intervenção dos novos senadores em 2027.

Entrelinhas: Além da maioria, a presidência do Senado será fundamental a partir de 2027?

Marcos do Val: O cenário começou agora, desconstruindo o Alexandre de Moraes. Nós vamos tirar o presidente Alcolumbre. Provavelmente, o senador Marinho ou a Tereza Cristina devem assumir a presidência. Eles vão pautar os pedidos de impeachment, e assim a gente vai conseguir controlar o STF.

Entrelinhas: O senhor acredita, portanto, que 2027 será um divisor de águas?

Marcos do Val: Em 2027, nós precisamos estancar, frear Alexandre de Moraes. E que ele realmente seja excluído do STF, além de ser preso pelos crimes que cometeu.

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