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Entrelinhas

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Entrevista

“Sou bolsonarista, mas Renan é o único caminho”, diz vice da chapa Missão

(Foto: YouTube / Gazeta do Povo)

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O coronel veterano da Brigada Militar Aroldo Medina, candidato a vice-presidente da República na chapa de Renan Santos (Missão), faz uma definição política que chama atenção logo no início da entrevista à coluna. Embora diga se considerar bolsonarista, rejeita a polarização que domina a disputa presidencial e sustenta que "não tem uma terceira via", porque, em sua avaliação, "há um único caminho, e esse caminho é o Renan Santos".

Aos 62 anos, Medina recorre à própria trajetória para explicar essa convicção. Jornalista, editor especializado em História Militar e veterano com 40 anos de serviço na Brigada Militar, afirma que a experiência na Segurança Pública o ensinou a reconhecer lideranças. "A gente que é da polícia aprende a conhecer o rango sentado e o cego dormindo", diz, antes de concluir que, ao olhar para Renan Santos, não vê "só um brasileiro de 42 anos", mas "um homem de espírito milenar".

A partir daí, a conversa passa a girar em torno de Renan Santos. Medina diz que a idade do presidenciável costuma ser explorada pelos adversários, mas considera esse um julgamento superficial. "O Renan está muito preparado", afirma, atribuindo essa preparação a uma década de estudos desenvolvidos pelo Missão e pelo Movimento Brasil Livre (MBL). Segundo ele, o plano de governo da chapa é resultado desse trabalho coletivo, reunido na chamada Coleção Livro Amarelo.

A confiança no companheiro de chapa também passa por uma identificação pessoal. Medina conta que cresceu em uma família em que a leitura era incentivada desde cedo e afirma que isso lhe permite avaliar candidatos com outro olhar. "Meu pai sempre me presenteava livros e me mandava ler e pensar", lembra. "Na minha vida, 62 anos de idade, 40 anos de polícia, leio desde criança. Eu nunca vi um candidato com a desenvoltura intelectual do Renan", opina.

Depois de afirmar que os maiores legados recebidos dos pais foram "educação e estudo", Medina diz que sua confiança em Renan Santos ultrapassa a política. "Eu não só estou disposto a lutar pelo Renan", afirma. "Eu também estou disposto a morrer por ele e pelo Brasil", destaca.

"Não existe terceira via"

Na avaliação do candidato a vice, a campanha ainda não alcançou seu potencial porque grande parte do eleitorado desconhece Renan Santos. "Hoje, mais da metade não conhece. E aí, essa curva que o Renan apresenta subindo aos poucos, ela vai ser cada vez maior", projeta. Por isso, rejeita a ideia de uma terceira via. "De fato, concordo, não tem uma terceira via, não. Na minha visão, tem um único caminho, e esse caminho é o Renan Santos", afirma.

Ao defender essa posição, critica os dois principais grupos políticos do país. "Quando o pessoal nos apresenta ou é A ou é B, e a gente vai analisar o currículo dessas pessoas, a gente vê um histórico de corrupção associado aos dois lados", avalia.

A mesma lógica aparece quando é questionado sobre um eventual segundo turno entre PT e PL. Medina descarta apoiar qualquer um dos lados. "A nossa primogenitude não está à venda, nem tampouco a trocaremos por um prato de lentilhas", diz. Para ele, "o caráter não é negociável" e "a nossa honestidade não será rendida para pessoas que não têm moral para comandar o país de novo". Em seguida, critica o PT pelos casos de corrupção e afirma que um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro favoreceria Lula: "Por que o PT quer tanto que o Flávio Bolsonaro vá para o segundo turno? Porque o Lula vai ter o mandato dele de novo. Simples assim."

Relação com o STF

Ao falar das instituições, Medina defende uma relação respeitosa entre Executivo e Supremo Tribunal Federal, mas afirma que a Corte precisa voltar ao seu papel constitucional. "O governo Renan Santos vai ser um relacionamento respeitoso com o STF, cada um no seu quadrado", diz. "O paradigma de STF, para mim, é o ministro André Mendonça", exemplifica. Caso a chapa vença a eleição, o policial afirma que as futuras indicações ao Supremo serão feitas "pelo conhecimento técnico, pelo conhecimento jurídico, sem favoritismos, levando em conta o caráter".

Segurança Pública

Medina também comenta sobre os desafios de uma possível nova gestão na área de Segurança Pública. Ele aponta que "25% do território nacional está sob o domínio de facções" e sustenta que o crime organizado ampliou sua influência sobre a política. "As facções criminosas estão injetando dinheiro nas campanhas aí dos seus candidatos para estarem lá no Congresso Nacional", denuncia. Em seguida, acrescenta que "o crime organizado está patrocinando o Congresso Nacional, o Senado da República de forma muito velada".

Para enfrentar esse cenário, o candidato defende uma política de fortalecimento das forças policiais, com investimentos na formação dos agentes, integração dos sistemas de informação e criação de forças-tarefa nacionais. Também faz críticas ao PT, que classifica como "um desastre na segurança pública", e recorda sua passagem como capitão da Brigada Militar durante o governo Olívio Dutra para afirmar que existe "um preconceito do PT contra a Polícia Militar".

Segundo Medina, um eventual governo Renan Santos concentraria o combate às facções no Rio de Janeiro. "Vamos constituir uma força-tarefa nacional com os melhores policiais do Brasil", afirma, defendendo, ao mesmo tempo, investimentos para urbanizar comunidades dominadas pelo crime organizado. Ao tratar da repressão aos criminosos, adota um discurso de confronto: "Nós vamos levar para os bandidos de todo o Brasil a oportunidade de se renderem ou serem mortos".

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