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Mulher em frente a barricada durante protestos em Pétion-ville, 7 de janeiro. O Haiti, mergulhado em uma crise de segurança, não tem a estabilidade necessária para realizar eleições, seis meses após o assassinato do presidente Jovenel Moise
Mulher em frente a barricada durante protestos em Pétion-ville, 7 de janeiro. O Haiti, mergulhado em uma crise de segurança, não tem a estabilidade necessária para realizar eleições, seis meses após o assassinato do presidente Jovenel Moise| Foto: EFE/ Johnson Sabin

É hora de fecharmos o nosso tradicional levantamento das principais eleições que nos esperam em 2022. No primeiro texto vimos cinco pleitos europeus previstos para o ano, como na França e na Hungria. Na segunda coluna passamos pela África, pela Ásia e pela Oceania. Nesta terceira e última coluna vamos dar uma volta pelo nosso continente americano, em ordem cronológica dos pleitos.

Colômbia

Os vizinhos colombianos vão às urnas duas vezes em 2022. Primeiro, em 13 março, para eleger o Congresso nacional. A Câmara de Representantes é formada por 188 deputados. Desses, dois são eleitos dentre os afro-colombianos, um dentre os indígenas, um dentre a comunidade raizal e outro é eleito pelos colombianos que residem no exterior. Outros 161 serão eleitos distribuídos em 33 distritos eleitorais.

Dos assentos restantes, cinco serão designados para o Comunes, o partido que sucedeu as Farc, e 16 para representantes de vítimas do conflito que durou 50 anos, como parte do acordo de paz assinado em 2016. Fecha a casa a pessoa que era candidata à vice-presidente na chapa que ficar em segundo na eleição presidencial. Já o Senado elege cem integrantes a partir de um único distrito nacional.

Por essa característica, os senadores acabam servindo muito mais como representantes dos partidos do que de uma unidade administrativa. Não é como no Brasil, onde o senador é eleito por um estado, por exemplo. Outros dois senadores são eleitos dentre a comunidade indígena colombiana, cinco virão do Comunes e um que for o candidato a presidente que terminar o pleito em segundo lugar.

Ambas as casas, tal como no Brasil, são pulverizadas em diversas bancadas partidárias. No Senado, por exemplo, a maior bancada é de apenas 19 senadores, do Centro Democrático, o partido conservador colombiano fundado por Álvaro Uribe e do atual presidente Iván Duque. Na Câmara a maior bancada é de 35 deputados, com o Partido Liberal, de centro-esquerda.

A novidade de que a chapa derrotada na corrida presidencial entra no Congresso foi introduzida pelo Estatuto de Oposición de 2018, que busca expandir a representatividade política.

Já em maio de 2022, os colombianos vão votar para presidente. Iván Duque não pode concorrer à reeleição e, mesmo que pudesse, sua rejeição na casa dos 70% aponta que ele teria um caminho quase impossível. Mesmo como cabo eleitoral ele já pode ser uma companhia incômoda.

As candidaturas têm até março para serem formalizadas, especialmente no campo da direita, que tateia por um nome de consenso. Caso nenhum candidato consiga a maioria dos votos, um segundo turno é realizado. Na esquerda, o nome mais forte provavelmente será o do ex-prefeito de Bogotá, Gustavo Petro, líder e fundador do partido Colombia Humana. Hoje ele conta com cerca de 25% das intenções de voto.

Ainda assim, não é possível cravar muita coisa. As candidaturas sequer foram definidas e tudo indica um segundo turno bastante polarizado. Não se trata apenas de repetir um termo “da moda” ou de comparar com o Brasil ou com o Chile, mas de constatar que os recentes protestos na Colômbia, a sequente repressão policial com ao menos 11 manifestantes mortos e todo esse contexto doméstico será a pauta principal da eleição.

Brasil

Como todos os leitores devem saber, o Brasil votará para presidente e um novo Congresso em outubro. E claro que, aqui na Gazeta, teremos uma cobertura bastante ampla sobre o pleito, que também se encaixa no nosso espaço de política internacional. Por ser tão adiante no ano, a eleição brasileira não vai influenciar de imediato alguma eleição vizinha, mas certamente impactará nos anos seguintes.

Principalmente, caso o atual governo Bolsonaro perca a reeleição, o país certamente passará por uma mudança em sua política externa. No mínimo, uma mudança no comando do ministério de Relações Exteriores. Até lá, entretanto, muita coisa vai acontecer e, quando for oportuno, o assunto retornará aqui ao nosso espaço.

EUA

No dia oito de novembro teremos as eleições de midterm nos EUA, no meio do mandato presidencial. Estarão em jogo os 435 assentos da Câmara, 34 dos 100 assentos do Senado, 36 governos estaduais, mais governos de territórios, legislativos regionais, prefeituras, plebiscitos e outros cargos. Principalmente, a eleição define o futuro possível do governo Joe Biden.

Hoje, os democratas possuem a maioria em ambas as casas. Na Câmara, os 222 assentos garantem uma vantagem de quatro cadeiras, enquanto o Senado é dividido ao meio. Como a presidência da casa é exercida pela vice-presidência da república, Kamala Harris, os democratas conseguem a menor vantagem possível. Mesmo com essas duas maiorias, a vida do Executivo não tem sido fácil.

Por exemplo, o governo Biden teve que fazer mudanças em seu pacote de incentivo econômico para garantir a aprovação. A trapalhada retirada do Afeganistão, a nova onda de Covid-19 e a inflação mais alta desde os anos 1980 fazem com que a aprovação do governo flutue em torno de apenas 45%, um dos menores índices na História para um presidente após seu primeiro ano de mandato.

Dentre as eleições estaduais, a que promete mais disputa e atenção nacional é a da Geórgia. O governador republicano Brian Kemp busca a reeleição mas, primeiro, precisa vencer a primária de seu partido contra David Perdue, apoiado por Donald Trump. O ex-presidente considera Kemp um desafeto após o governador não ter cedido às pressões trumpistas por uma revisão dos votos no estado na última eleição presidencial.

No lado democrático a candidata provavelmente será Stacey Abrams, derrotada em 2018 e importante ativista pelo voto da população afro-americana no estado. A Geórgia foi um centro do escravismo nos EUA e, posteriormente, local de segregação e foco dos movimentos pelos direitos civis. As pesquisas apontam um virtual empate e o pleito na Geórgia vai unir questões históricas e contemporâneas.

Chile

Em alguma data do terceiro trimestre, o Chile vai realizar um referendo para aprovar ou rejeitar o texto da nova Constituição elaborada pela Convenção Constituinte que foi eleita em maio de 2021. Será um desafio importante para o primeiro ano de governo do novo presidente Gabriel Boric. Ainda assim, o referendo pode ser postergado, caso a Constituinte peça por uma extensão do prazo para a redação da carta.

Haiti e outras incertezas

Ariel Henry, presidente e primeiro-ministro interino do Haiti após o assassinato de Jovenel Moise, afirmou que deseja que as eleições gerais haitianas sejam realizadas em fevereiro de 2022, embora tenha “admitido” a possibilidade de uma data posterior. As eleições já estão mais de dois anos atrasadas, desde outubro de 2019, e, atualmente, nada indica que o Haiti vai conseguir realizar suas eleições.

O pleito envolve a escolha de um novo presidente, a eleição dos novos representantes no parlamento e também o voto em um referendo constitucional. A pandemia, crises de segurança e consequências de desastres naturais adiaram as eleições várias vezes e, novamente, não há indicação de que essa situação vai mudar. Existem também outras incertezas em pleitos pelo mundo em 2022.

Por exemplo, na coluna anterior, citamos o pleito do Mali, previsto para fevereiro. Ele já foi adiado. Eleições no Líbano estão previstas para maio, um referendo e eleições estão planejados na Tunísia e as eleições líbias, que deveriam ter sido realizadas no último mês de dezembro, ainda não possuem data. São algumas das eleições que enfrentam dúvidas e a possibilidade de adiamentos. Ou de desencadear novas crises.

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