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O ataque do Jornal Nacional ao povo brasileiro
| Foto: Fernando Bizerra/ EFE

O Jornal Nacional escreveu ontem, dia 7 de setembro de 2021, uma das páginas mais infames da história da imprensa brasileira, dilapidando de vez o pouco de credibilidade que ainda poderia ter junto ao público. Com aquela solenidade canastrona no semblante, que já virou sua marca registrada, os apresentadores abriram com essas palavras a edição do telejornal:

“O desrespeito à democracia com as cores da nossa bandeira. Em diversas cidades brasileiras, bolsonaristas, insuflados pelo presidente da República, usam o verde e amarelo, mas atacam pilares da Constituição. Faixas pedem intervenção militar e a destituição de ministros do Supremo. Em tom golpista, o presidente discursa diante de manifestantes em Brasília e em São Paulo. Diz que respeita a Constituição, mas, na mesma frase, volta a ameaçar o STF... Manifestantes contrários ao governo saem às ruas em defesa da Constituição, e pedem vacinas, alimentos e emprego”.

Raras vezes se viu por parte de um veículo de comunicação um ataque tão direto à honra e à dignidade de milhões de cidadãos brasileiros, homens e mulheres, crianças e idosos, negros, brancos e amarelos, que, no dia da independência do país, foram às ruas ordeira e pacificamente, não apenas para apoiar o presidente que elegeram – e que, desde a posse, por obra do aparelhamento institucional avançado ao longo dos anos em que a força política derrotada esteve no poder, mal tem conseguido governar segundo a agenda eleitoralmente vitoriosa –, mas, sobretudo, para lutar pelo Estado de Direito e por liberdades civis elementares, garantidas pela Constituição, mas ignoradas por membros de uma Suprema Corte que passou a agir como partido político de oposição.

Ignorando as centenas e centenas de faixas pedindo apenas o respeito às leis e à Constituição – um dever de todos, e sobretudo dos integrantes da Suprema Corte –, os militantes fantasiados de jornalistas ofendem os manifestantes, acusando-os de “usar o verde e amarelo, mas atacar pilares da Constituição”. Como ousam tamanha desonestidade? Como conseguem encarar os próprios familiares, deitar a cabeça no travesseiro e dormir tranquilamente após se prestarem a esse serviço sujo de estigmatizar milhões de cidadãos honestos, trabalhadores, pais e mães de família, muitos talvez ainda (infelizmente) telespectadores do jornal?

Em contraposição aos milhões de “bolsonaristas” que “atacam os pilares da Constituição”, o telejornal mostra uma mirrada manifestação onde não há o verde e amarelo, mas apenas o vermelho dos partidos, sindicatos e movimentos de extrema-esquerda, junto com os símbolos e slogans tradicionais do movimento comunista nacional – a foice e o martelo, a estrela do lulopetismo, o rosto de Che Guevara, o clamor por uma “ditadura do proletariado”. Sobre esses, os apresentadores não hesitam em dizer que “saem as ruas em defesa da Constituição” – contra a qual o PT votou em 1988 –, e “pedem vacinas, alimentos e emprego”, alimentos e empregos que, com sua campanha histriônica pelo “fique em casa, a economia a gente vê depois”, essa extrema-esquerda e o próprio Jornal Nacional contribuíram para destruir.

Nunca os extremistas de esquerda, cujas “manifestações” quase sempre desembocam em violência – coquetéis Molotov e paralelepípedos lançados contra a polícia, vitrines quebradas, postes derrubados, monumentos incendiados, cinegrafistas assassinados por rojões etc. – foram tratados com o grau de virulência com que os ditos “bolsonaristas” são hoje tratados. Pelo contrário.

Quando, em julho, incendiaram a estátua de Borba Gato, o jornal O Globo não acusou os incendiários de antidemocráticos, mas, ao contrário, chegou quase a saudá-los por “reacender [poor choice of words, by the way] debate sobre manutenção de monumentos ligados à escravidão”. Quando, em maio do ano passado, torcidas organizadas ligadas a partidos e movimentos de extrema-esquerda (“Antifas”) foram às ruas se manifestar partidariamente contra Bolsonaro, o mesmo jornal descreveu o ato como sendo “em defesa da democracia”. Pouco depois, a PM de SP divulgava uma lista de itens apreendidos com alguns dos “democratas”: coquetéis Molotov, galão de gasolina, bastão de madeira etc. E nem mesmo nas muitas vezes em que radicais de esquerda cercaram, depredaram e tentaram invadir prédios da Globo (como, por exemplo, nesse episódio em 2013), o jornalismo da emissora deixou de os tratar simplesmente por “manifestantes”. Também pudera: nesse caso, o radicalismo de esquerda une agredidos e agressores, muito embora esses últimos não saibam disso.

É curioso, aliás, que essa organização de mídia queira enganar o público caracterizando as manifestações de extrema-esquerda como “pró-democracia”. Lembro-me que, em março 2015, quando jornais dessa mesma organização descreviam como atos em defesa da Petrobrás – assim mesmo, sem utilizar aspas – manifestações de militantes em defesa do então governo petista (justo aquele que, como todos sabem, dilapidou a Petrobrás), postei nas redes sociais uma crítica a essa forma de cobrir o evento.

Em resposta à postagem, um rapaz identificado como “jornalista no interior” fez o seguinte comentário: “Se a Globo não noticia assim, pela manhã amanhece depredada, com zilhões de blogues de esquerda criticando e com a promessa de controle da mídia em seguida. Sério, sou jornalista no interior, mas está difícil de escrever com tanta militância petista em cima!”

O comentário ilustra bem o nível de covardia e submissão ideológica diante dos arroubos totalitários da militância de extrema-esquerda, que, embora, ela sim, tenha sempre atacado a democracia e os pilares da Constituição – lembrando que o seu líder, Luís Inácio Lula da Silva, já prometeu censurar a imprensa caso venha a ser proclamado (o que é diferente de ser eleito!) presidente – jamais foi importunada pela companheirada dos estúdios e redações. Enquanto isso, os milhões de brasileiros honestos, que, espontaneamente, vão se manifestar contra os atentados reais – e não imaginários – ao estado democrático de direito, são retratados como extremistas e golpistas, apenas por não se alinharem à agenda ideológica da militância de redação.

Tenha compostura, seu William Bonner! Todos conhecemos o seu desprezo pelo espectador, que você considera uma espécie de Homer Simpson, alguém “com dificuldade para entender siglas e coisas mais complexas”. Mas agora você ultrapassou todos os limites da desonestidade e da falta de profissionalismo. Saiba que o verdadeiro antidemocrático é você, que, junto aos seus aliados políticos e companheiros de ideologia, sonham dia e noite com uma democracia sem povo e um país cujo destino seja decidido por um punhado de ungidos, no solipsismo dos gabinetes, estúdios e redações.

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