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Anthony Fauci, diretor do National Institute of Allergy and Infectious Diseases (Niaid) do governo norte-americano.
Anthony Fauci, diretor do National Institute of Allergy and Infectious Diseases (Niaid) do governo norte-americano.| Foto: Shawn Thew/EFE/EPA

Desde o começo da pandemia, vimos o mundo tomado pelo fenômeno da “proibição de perguntar”. Na medida em que avançavam as narrativas interessantes aos donos do poder global – que hoje controlam e homogeneízam os principais conglomerados de mídia, fazendo-os repetir em uníssono exatamente o mesmo discurso –, uma série de perguntas essenciais começou a ser suprimida do debate público. No Brasil, graças ao frenesi censor e ditatorial que tomou conta de representantes do poder público, e à abdicação jornalística generalizada, a coisa foi ainda pior.

Mas como, felizmente, tenho a sorte de escrever na Gazeta do Povo, um dos únicos e últimos grandes jornais brasileiros a defender a liberdade de expressão e a prática do bom jornalismo – que, justamente, faz perguntas incômodas aos poderosos do turno –, utilizarei o artigo de hoje para levantar questões sobre fatos que, ao menos para mim, são perturbadores, e continuam sem resposta. Confesso que, por ora, não disponho ainda de uma boa teoria da conspiração que lhes responda a contento, caso em que já a teria subscrito, pois sou daqueles que, entre uma teoria da conspiração e uma teoria das puras coincidências, ainda preferem a primeira. De todo modo, com ou sem teorias explicativas, penso que as questões valem por si, e gostaria de compartilhá-las com os leitores, a quem peço que sobre elas meditem.

Quando exatamente o governo chinês ficou sabendo da epidemia causada por um novo coronavírus? Qual terá sido o intervalo de tempo entre a descoberta e a comunicação oficial? Quanto terá custado ao mundo essa demora?

A primeira diz respeito a um relatório publicado pela Internet 2.0, empresa australiana de pesquisa e segurança cibernética. Mediante análise de contratos governamentais, a equipe de investigadores da Internet 2.0 constatou um “aumento dramático” na aquisição de testes PCR pela administração da província de Hubei, meses antes do início oficial da pandemia, comunicado à OMS em dezembro 2019.

Diz o relatório: “A cobertura midiática nos primeiros dias da pandemia de Covid-19 focou-se basicamente em discursos públicos e entrevistas. Em vez disso, a Internet 2.0, especializada em perícia digital e análise de inteligência, preferiu avaliar informações relativas às ações tomadas pelo governo da China. Este estudo não obteve informações sobre as origens da Covid-19. No entanto, baseados na análise dos dados, chegamos à conclusão de que, muito provavelmente, o vírus já se espalhava agressivamente em Wuhan desde o verão de 2019, e certamente desde o começo do outono”. E também: “Durante o estudo, também identificamos em Wuhan compras notáveis, significativas e anormais de testes PCR pelo Hospital da Aeronáutica do Exército de Libertação Popular (maio de 2019), pelo Instituto de Virologia de Wuhan (novembro de 2019), pela Universidade de Ciência e Tecnologia de Wuhan (outubro de 2019) e pelos Centros Distritais de Controle e Prevenção de Doenças da província de Hubei (maio-dezembro de 2019)”. A conclusão dos autores do estudo é inequívoca: “Estes dados desafiam as estimativas atuais sobre o momento inicial da pandemia e fortalecem a exigência de novas investigações... Temos convicção em afirmar que a pandemia começou muito antes de a China ter alertado a OMS sobre a Covid-19”.

Se os dados do relatório estão corretos, restam as seguintes perguntas: quando exatamente o governo chinês ficou sabendo da epidemia causada por um novo coronavírus? Qual terá sido o intervalo de tempo entre a descoberta e a comunicação oficial? Quanto terá custado ao mundo essa demora?

A segunda questão sobre a pandemia que me parece perturbadora tem a ver com uma previsão do todo-poderoso Anthony Fauci, feita em janeiro de 2017, dias antes de Donald Trump assumir como novo presidente dos EUA. Durante um fórum sobre medidas de enfrentamento a pandemias, ocorrido na Universidade de Georgetown, Fauci afirmou não ter dúvidas de que a próxima administração teria o desafio de lidar com um “surto surpresa” de doença infecciosa. “Se há uma mensagem que, com base na minha experiência, eu gostaria de transmitir a vocês é que não restam dúvidas de que a próxima administração será desafiada na seara das doenças infecciosas (...) tanto doenças infecciosas crônicas, no sentido de doenças já conhecidas (...), mas haverá também um surto surpresa”.

E as perguntas que me faço são as seguintes: como ele poderia saber com tanta certeza (“não restam dúvidas”) que uma pandemia eclodiria no governo que se iniciava? E, se assim o sabia, por que diabos afirmou se tratar de uma pandemia “surpresa”?

Por último, continuo buscando respostas para um outro fato curioso. Em outubro de 2019 – época em que, segundo o relatório da Internet 2.0, a China estava adquirindo quantidades inéditas de testes PCR –, a fundação Bill e Melinda Gates, o Johns Hopkins Center for Health Security e o Fórum Econômico Mundial – entidade responsável por publicar o libelo globalista Covid-19: the Great Reset – reuniram 15 lideranças das áreas de negócios, saúde pública e governança para um estranho evento, com o pitoresco nome Event 201: a global pandemic exercise.

Como Anthony Fauci poderia saber com tanta certeza (“não restam dúvidas”), em 2017, que uma pandemia eclodiria no governo que se iniciava? E, se assim o sabia, por que diabos afirmou se tratar de uma pandemia “surpresa”?

No exercício de três horas e meia de duração, os 15 participantes, reunidos no Pierre Hotel, em Nova York, se veriam confrontados com vários cenários dramáticos, dificuldades e dilemas, devendo dar respostas e propor soluções para uma hipotética pandemia causada por – adivinhem? – um novo coronavírus zoonótico, passando de morcegos a porcos, e destes para os humanos. Curiosamente, o epicentro da pandemia seria o Brasil.

“Não há possibilidade de vacina no primeiro ano. Há uma droga antiviral fictícia que pode ajudar os doentes, mas não reduzir significativamente a difusão da doença” – lê-se na descrição. Um dos participantes, aliás, foi George Fu Gao, então diretor do Centro de Prevenção e Controle de Doenças da China, e obviamente, como todo cientista de destaque no país asiático, ligado ao Partido Comunista Chinês.

Pergunta final: tudo não terá passado de uma pura coincidência?

Conteúdo editado por:Marcio Antonio Campos
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