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“Nossa primeira-dama, Melania, está aqui. Olhem para Melania, tão bela. Senhora Trump, você tem um brilho de quem está esperando para ficar viúva.” A piada foi feita pelo humorista Jimmy Kimmel, em uma paródia antecipada do Jantar com Correspondentes da Casa Branca, na quinta-feira. O evento de verdade, ocorrido no sábado, terminou antes da hora, com tiros no salão, e o presidente Donald Trump, Melania e todos os presentes correndo para salvar suas vidas.
O problema não é a piada — uma obviedade que as autoridades brasileiras têm dificuldade leviatânica para entender. O problema é duplo: em primeiro lugar, a piada é sem graça — na verdade, é apenas um desejo de morte, algo que toda a humanidade já sentiu por políticos e autoridades hiper poderosas, mas que poderia ser feito com algum estilo superior. E, em segundo lugar, este tipo de piada tolinha só é veiculada num grande canal graças a um clima reinante de “pareça inteligente dizendo que o planeta seria melhor se Trump morresse”. Oh, como você é belo, moral e preocupado com a humanidade.
O atentado ocorreu no mesmo hotel onde também haviam tentado assassinar Ronald Reagan. Erika Kirk, viúva de Charlie Kirk, assassinado no último ano por um radical de esquerda, foi vista saindo chorando do evento.
Kimmel também usou a paródia para zombar do relacionamento dos Trump, retratando uma suposta distância entre o presidente e a primeira-dama. “Oh, aliás, Melania, este é Donald. Donald, esta é Melania”, brincou Kimmel.
Qualquer um é tentado a imaginar o que ocorreria se alguém fizesse a mesma piada em um país fictício, com nomes como “Lula” e “Janja” ocupando os mesmos postos. Provavelmente pegaria 40 anos por atentado violento contra o Estado democrático de Direito, com desinformação e campanha criminosa de fake news financiada pelo gabinete do ódio e pelas milícias digitais com intento golpista e antidemocrático. Já deveria estar no quinto inquérito, na terceira busca e apreensão, na oitava quebra de sigilo telemático e com três prisões temporárias acumuladas.
Kimmel ainda soltou: “Ela está planejando comemorar em casa da mesma forma que sempre faz: olhando pela janela e sussurrando: ‘O que foi que eu fiz?’”.
Este é um exemplo interessante a ser perguntado a Soraya Thronicke: se se encaixa na Lei da Misoginia; e a Randolfe Rodrigues: se cai no seu Projeto de Lei 2/2026, que cria a Política Nacional do Combate ao Discurso de Ódio contra Mulheres na Internet (deve haver leis com nomes piores, mas não com nomes e intuitos piores ao mesmo tempo), com multas de até 10% do faturamento do “grupo econômico responsável” (sic). Coitadinha da ABC no Brasil. Ou talvez contra Melania e Michele possa-se tudo. Pergunta retórica.
O fenômeno é conhecido, não é de hoje: a esquerda está constantemente lutando contra uma violência imaginária, virtual, em potência e subjuntiva, vinda da direita. Para isso, a cada ano somos apresentados a um novo neologismo diferente para criminalizar nossa vida comum: machismo, racismo estrutural, transfobia, fake news, fake news de segunda e terceira geração (sic), desinformação, “desordem informacional” (sic), aquecimento global, mudanças climáticas (quando descobriram que o planeta não estava aquecendo), misoginia, islamofobia, negacionismo científico. Ano que vem terá outra, ou outras. Agora, na Europa, a moda é entregar os dados para o governo (global e não eleito diretamente) para acessar a internet, para garantir que nenhuma criança acesse redes sociais. Vai que elas acessam algo perigoso, como dar seus dados a um desconhecido?
Tudo isso em nome da democracia, porque, senão, a extrema direita e o fascismo ganham, e nossa vida estará virtualmente — talvez, quem sabe, quiçá —, pode ser que em risco. Então temos de calar o que as pessoas sempre disseram e pensaram, em nome da democracia
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Do outro lado, a violência da esquerda contra as pessoas é sempre real: física, concreta, palpável, sanguinária e mortal. É facada em Bolsonaro, três atentados sérios (mais uns outros três ou quatro desfeitos a tempo) contra Trump. São 4 tiros contra Miguel Uribe. São tiros de arma artesanal contra Shinzō Abe. É tiro na jugular de Charlie Kirk, simplesmente por não ter como refutá-lo. São vários atentados contra Vladimiro Montesinos. É o assassinato de Jaime Guzmán. É atentado contra Daniel Noboa.
Não há um termo tosco como “direitofobia” para os casos repetidos. São todos “casos isolados”, “fatalidades”, nada a ver com ideologia. Basta dizer que defende a democracia e continuar chamando-os de fascistas, golpistas, autoritários, perigos para a civilização, as mulheres — as mulheres por declaração —, e dizer que defende o diálogo, e bola e tiro para frente.
Enquanto isso, segue mais censura, porque, se a direita falar, vai ser “incitação à violência”, “atitude golpista”, “discurso antidemocrático” ou, o que é pior de tudo, algum preconceito estrutural. Se um direitista falar com outro direitista, então, aí já é gabinete do ódio ou formação de quadrilha para divulgação de fake news golpistas contra o Estado democrático de Direito. Se não regularmos as redes sociais, teremos um perigo enorme de violência sistêmica, afinal.








